Sob a sombra do Lula

Carlos Chagas

Estão no palco os três principais candidatos à sucessão presidencial, com a volta de Dilma Rousseff da Europa, ontem, e sua viagem, a partir de hoje, a Caruaru, Campina Grande e Maceió. José Serra fará périplo parecido nas cidades em disputa por apresentar a maior festa de São João do país. Marina Silva optou pelo Sudeste, mas igualmente em movimento.

A pergunta que fazem os respectivos comandos de campanha é como preencher o restante do mês em curso e o próximo, de julho, até que os candidatos entrem na reta final, em agosto e setembro, com os programas de propaganda eleitoral gratuita e obrigatória pelo rádio e a televisão.

Parece estar terminando a temporada de múltiplas entrevistas para telinhas, microfones e imprensa escrita. Também, ninguém aguenta mais, mesmo tendo Dilma, Serra e Marina precisando competir com os jogos da copa do mundo de futebol. Porque, salvo momentos bissextos, os pretendentes ao trono só falam abobrinhas. Nenhum dos três avançou séria e detalhadamente planos e programas de governo. Muito menos as concepções para o futuro do Brasil.

Ainda que Marina procure romper o véu da decisão plebiscitária, Serra e Dilma desenvolvem suas campanhas em torno do governo Lula. Querendo esta, ou resistindo aquele, evoluem ambos sob a sombra do primeiro-companheiro. Um prenúncio, quem sabe, de que ocuparão centro do palco nos próximos quatro anos…

Guerra é guerra

Anuncia-se para os próximos dias a definição de José Serra a respeito de seu companheiro de chapa. Neste fim de semana o pêndulo oscilava entre Sérgio Guerra, presidente do PSDB, e José Carlos Aleluia, do DEM. Ambos do Nordeste, um de Pernambuco, outro da Bahia. Se o candidato preferir o tucano, despertará alguns amuos nos Democratas, mas jamais a ponto de gerar uma crise na campanha. No caso de vitória, a chapa-pura seria compensada pela ocupação de espaços no futuro governo. O problema é saber quem, entre o senador e o deputado, será capaz de amealhar mais votos numa região indiscutivelmente dominada por Dilma Rousseff em termos de preferência eleitoral.

Ainda hoje, no ninho dos tucanos, lamenta-se a negativa de Aécio Neves disputar a vice-presidência da República. Referências à hipótese de Minas indicar Itamar Franco parecem cada vez menores, até porque o ex-presidente da República não quer nem ouvir falar nela.

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