Sob pressão internacional, Bolsonaro avalia manutenção de forças militares na floresta amazônica

Medida representará recuo de proposta original do governo federal

Ricardo Della Coletta e Gustavo Uribe
Folha

Com a aproximação do período de queimadas e diante da pressão internacional sobre o Brasil em relação a temas da área de meio ambiente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) avalia manter forças militares para combater crimes ambientais na floresta amazônica.

A reedição de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem) para o período de seca no bioma florestal foi discutida nesta quinta-feira, dia 15, em reunião entre o vice-presidente Hamilton Mourão e os ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura, da Justiça e da Defesa.

RECUO – A ideia é que as forças militares permaneçam na floresta amazônica até novembro, quando retorna o período de chuvas. O formato e o tempo da iniciativa devem ser discutidos entre técnicos do governo e comandantes militares. O debate em torno da reedição de uma GLO representaria um recuo nos planos do governo, que anunciou oficialmente a saída dos militares dessas operações a partir de 1º de maio, e ocorre às vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima, marcada para a próxima semana.

Para o encontro, que deve ter a participação de 40 líderes mundiais, a estratégia do Brasil será a de defender a necessidade de países ricos investirem no combate ao desmatamento da floresta amazônica e apresentar um plano de médio e longo prazos para preservação do bioma natural.

Na reunião desta quinta-feira, os ministérios responsáveis pelos órgãos federais de preservação argumentaram que enfrentam dificuldades financeiras e operacionais para reassumir o combate ao desmatamento sem a presença de forças militares.

RESTRIÇÕES DE RECURSOS – O Ibama e o ICMBio, vinculados ao Ministério do Meio Ambiente, convivem, por exemplo, com restrições de recursos e falta de agentes. A ideia é que Mourão leve a proposta ao presidente nos próximos dias, na tentativa de viabilizá-la para o próximo mês.

O argumento é que o Brasil precisa enviar sinais de comprometimento com a preservação da floresta amazônica antes da cúpula internacional, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O democrata é um crítico da política ambiental adotada pela gestão Bolsonaro.

Para assessores palacianos, a manutenção dos militares deixa evidente a dificuldade em reequipar as agências civis que tradicionalmente realizam a fiscalização e o combate a atividades predatórias.

RESULTADO POSITIVO – Assim, no quadro atual, a ausência do apoio militar tornará ainda mais difícil a apresentação de algum resultado positivo no combate ao desmatamento até o final do ano, uma das exigências feitas por nações estrangeiras para a liberação de recursos ao Brasil.

Também na reunião desta quinta, os presentes entenderam que, caso a medida seja reeditada, precisará ter formato mais enxuto, concentrando-se nos municípios onde o desmatamento tem sido mais crítico.

PRIORIDADES – O Plano Amazônia, publicado na quarta-feira, dia 14, no Diário Oficial da União, prevê que sejam priorizadas ações em 11 municípios: Porto Velho (RO), São Félix do Xingu (PA), Altamira (PA), Lábrea (AM), Pacajá (PA), Portel (PA), Itaituba (PA), Colniza (MT), Novo Progresso (PA), Rurópolis (PA) e Apuí (AM).

A meta estabelecida no mesmo plano é a de reduzir o desmatamento ilegal e as queimadas na floresta amazônica à média histórica registrada entre 2016 e 2020. Mas a iniciativa foi criticada por especialistas. De acordo com eles, o objetivo traçado pelo governo representa índices de devastação superiores aos constatados no início da atual gestão e, portanto, o ideal é que fosse adotada uma meta mais ambiciosa.

6 thoughts on “Sob pressão internacional, Bolsonaro avalia manutenção de forças militares na floresta amazônica

  1. Depois da demissão do Superintendente da Polícia Federal, no Amazonas e no Pará, que combatia o abate indiscriminado das árvores, defentendida pelo Ministro Ricardo Sales, não acredito mais em nada. Alguém acredita? Já passei da idade de acreditar em cabra cega e saci Pererê ou lobisomem.

  2. Por que forças militares na amazônia? Dê recursos á PF, ao IBAMA, e ás outras instituições cuja missão é a defesa do meio ambiente. Militar é forte, mas não necessariamente preparado para esse tipo de missão. Um exemplo de despreparo que nos custou caro foi a administração burra e desastrada do Pazuello, que se jactava da sua patente de general. Pobre mortal…

  3. Aqui, nesta região, segue-se uma regrinha simples para avaliar um camarada frouxo: “Todo valentão, em casa; na rua, é uma franga”.
    O Maranhense, Júlio Santana, maior pistoleiro vivo, em registro, com 492 mortes comprovadas, segundo o escritor, Klester Cavalcanti, em seu livro “O Nome da Morte”. Ele que superexcede o fanfarrão mariner norte-americano, Chris Kyle, que já teria assassinado 255 pessoas. No depoimento da esposa de Santana, capitado por Klester, ela disse desconhecer pai e marido melhor que o dela.
    Bolsonaro é do tipo covardão, que abaixa a sunga para forasteiro e quer humilhar os compatrícios.

  4. Tem a chance de reabilitar o Moro. Mandando ele reestabelecer seus contatos lá nos States para um monitoramento por satélite. Tudo será on line e real time. Bastaria deslocar a PF via aérea. Em duas semanas estaria resolvido o problema.
    Pelo seu tamanho, somente com satélites será possível perceber o desmatamento em tempo real.

Deixe um comentário para Roberto Nascimento Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *