Sobre Serra, Dilma e Dunga

Carlos Chagas

Em poucos dias José Serra e Dilma Rousseff entrarão na geladeira, cedendo para Dunga o lugar no caldeirão. Para os dois candidatos presidenciais será vantajoso, abrindo-lhes tempo e espaço para meditação sobre suas campanhas e até a elaboração final de seus programas de governo.  Para o treinador, abre-se a  oportunidade da glória sem precisar de votos ou um  lugar garantido na  fogueira.

O problema é que só  quando faltar um mês para o início da Copa do Mundo, na próxima terça-feira, saberemos quais os 22 craques que irão à África do Sul. Pior ainda, ignora-se quais os 11 titulares. Muito menos sabemos se todos se conhecem, quanto mais se dispõem de um mínimo de entrosamento em campo. Os chamados “estrangeiros”, maioria absoluta, virão ao Brasil para ser fotografados e visitar o presidente Lula. Quem sabe  participarão de um ou outro coletivo. Depois, será o que Deus quiser, ainda que nem Ele, hoje, arrisque um palpite sobre a melhor formação do nosso  time.

Serra e Dilma pelo menos foram escalados e mostram suas qualidades pelos palanques visitados  e as entrevistas concedidas, mas o selecionado brasileiro, nem isso. As pré-campanhas sucessórias começaram há pelo menos dois anos, mesmo sem a escalação formal dos candidatos. A Copa do Mundo parece muito menos previsível do que a escolha do futuro presidente da República. Aqui, o  campeão será o tucano ou a companheira. Lá, o risco pode ser da desclassificação prematura. Melhor alertar antes do que lamentar depois.

Terrorismo explícito

Montes de números conflitantes e até esotéricos têm sido divulgados pela equipe econômica, pelos líderes do governo e pela imprensa empenhada em demolir o reajuste votado pela Câmara para os aposentados. A intenção surge clara: atemorizar o país através da ameaça de que a Previdência Social irá falir e os cofres públicos não suportarão o encargo. Ou então haverá aumento de impostos.

Por isso confundem, em vez de esclarecer. Já falaram em 3 bilhões de prejuízo ao ano. Como, também, de 40 bilhões, sem informar tratar-se de um cálculo feito  para os próximos quatro anos. Uns sustentam 600 milhões de gastos suplementares em doze meses, outros elevam a quantia até 4 bilhões.

É terrorismo puro por parte dos mesmos de sempre, ou seja, dos representantes das elites infensas em estender aos menos privilegiados uma ínfima parte do que tem direito no bolo da riqueza nacional. Sabem que o Senado acompanhará a Câmara na concessão dos 7.7% de  aumento. Confiam, mas como Floriano Peixoto, desconfiando, no caso, das promessas do presidente Lula de vetar o projeto. Importa-lhes tumultuar o processo.

Entregou o jogo

José Serra prometeu criar mais dois ministérios, dos Deficientes Físicos  e da Segurança.  Dilma Rousseff pensa no ministério da Criança. Para não ficar atrás, o presidente Lula mete sua colher na panela e sugere o ministério da Pequena e da Média Empresa.

George Orwell, no inesquecível  “1984”, falava nos ministérios da Paz, que promovia a guerra, e do Amor, que proclamava o ódio. Quem sabe aparece alguém propondo o ministério da Corrupção, que por analogia combateria a impunidade?

Ficou pior

As coisas ficaram mais complicadas depois do encontro, esta semana, entre Dilma Rousseff e Michel Temer.  Porque o objetivo era o presidente do PMDB receber  convite formal da candidata  para tornar-se seu companheiro de chapa, mas, no final, ele adiou para junho a decisão de seu partido de aliar-se ao PT, ao tempo em que ela declarou que outros nomes existiam para a composição.

Com todo o respeito, uma lambança  que fez retroagir o processo, por dois motivos principais: o PMDB não quer entrar em bola dividida e posterga  seu compromisso até que as pesquisas eleitorais fiquem mais claras; o presidente Lula ainda não engoliu a indicação de Michel Temer, por quem não morre de amores.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *