Sobre valores éticos e morais

Tostão (O Tempo)

Um dos papos mais furados que ouço, desde a adolescência, é que o esporte de alto rendimento é um bom lugar para se aprender e desenvolver os valores éticos e morais. Nunca foi. A ambição, o desejo de ser herói e de ganhar muito dinheiro costumam ser mais fortes. Há exceções.

Lance Armstrong, o mito do ciclismo, bastante elogiado por suas obras sociais, se dopou durante toda a carreira. Dizem que a maioria se dopa no ciclismo. Na semana passada, o presidente da Federação Brasileira respondeu a um repórter, sobre o assunto, com uma pergunta: “Porque os ciclistas são excepcionais nos clubes e, quando chegam à seleção, caem bastante de produção”? Foi despedido.

No passado, por não haver exames antidoping, os jogadores de futebol se dopavam muito mais que hoje. Evidentemente, o doping era amador, menos sofisticado. Mas a intenção era a mesma.

Entre esportistas, empresários, políticos e profissionais de todas as áreas, muitas vezes, belos discursos e ações generosas e humanitárias convivem com uma desmedida ambição, de querer levar vantagem em tudo. O Brasil precisa muito mais de bons cidadãos do que de filantropia.

É preciso separar a contradição e a incoerência humana do marginal, que se finge de honesto. Às vezes, as duas coisas se misturam.

Em um mundo tão contraditório, é esperar demais que um jogador, na emoção da partida e em uma fração de segundos, reprima e sublime seus impulsos agressivos e tenha sempre condutas educadas e éticas. Isso não o livra de pagar por seus erros. Se os infratores, em todas as atividades, não forem punidos, será o caos.

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