Socialismo pode conviver muito bem com a iniciativa privada

Roberto Nascimento

O tema que Francisco Bendl trouxe a baila sobre Capitalismo X Socialismo é apaixonante, logo polêmico por natureza. O regime socialista é mais moderado do que o regime comunista. Trata-se de uma variação mais à direita em relação ao comunismo.

O regime socialista convive perfeitamente com os postulados da iniciativa privada. O governo espanhol, quando pontuava o primeiro-ministro Felipe Gonzalez, exemplo que me veio a mente, seguiu firme até que se exauriu por não ter dado as respostas que o povo desejava. Então, venceu o Partido Conservador e até hoje nunca mais os socialistas voltaram ao poder.

A partir de 1917, com a Revolução russa, a união das repúblicas soviéticas iniciou o processo de governo no regime comunista. O Estado era produtor, vendedor, controlava tudo e principalmente não havia liberdade de ir e vir. Então, intelectuais e pensadores à esquerda e à direita iniciaram a discussão sobre o socialismo com liberdade, o que considero uma utopia. O socialismo pressupõe o controle absoluto do estado na atividade econômica e cultural. De outro modo, logo o modelo liberal e conservador assume os governos até que uma nova revolução embaralhe o jogo na outra direção.

NEOLIBERALISMO

A meu ver, não podemos afirmar que estamos nas portas do socialismo, creio firmemente pela posição contrária. Vivemos desde o governo Sarney até hoje, tanto na política quanto na economia, sob os postulados do neoliberalismo, com pitadas muito fracas de políticas sociais, notadamente as bolsas criadas por FHC e aperfeiçoadas pelos governos do PT.

Nesse sentido, penso que estamos a léguas de distância do socialismo. Em primeiro lugar, porque o povo brasileiro é extremamente conservador, e constata-se pelo novo Congresso eleito, mais conservador do que o anterior. Em segundo, porque os partidos de “esquerda”, aqueles que a direita adora, pois bem, diminuíram de tamanho.

Na única oportunidade que as forças de esquerda estiveram a um passo de tomar o governo, após a renúncia de Jânio Quadros, cometeram tantos erros, o país parava com greves em série, falta de gêneros alimentícios, enfim, um clima de guerra civil, até que as forças do sistema capitalista impuseram a tomada do poder pelos militares, sacramentada no golpe do dia 31 de março de 1964.

MODELO CHINÊS

Praticamente, não existe regimes socialistas ou mesmo comunistas no mundo. O novo modelo em voga é o praticado na China: Capitalismo na economia, mas com um fortíssimo controle das forças do Estado no regime político. Não há liberdade até mesmo no uso da Internet, que é controlado pelos órgãos de informações.

Infelizmente, o mundo utópico idealizado pelos enciclopedistas, por Marx e Engels e por todos os ideólogos de esquerda, está momentaneamente afastado. Mas enquanto durarem as injustiças sociais, a escravidão e a miséria que se alastra nas Américas (incluindo os EUA), na Europa, na Ásia e notadamente na África, enfim, sempre haverá uma esperança de que novas gerações possam melhorar as relações entre ricos e pobres. Afinal, os recursos da Terra são de todos os cidadãos e não apenas de uma única classe social, a que comanda o modo de produção capitalista.

45 thoughts on “Socialismo pode conviver muito bem com a iniciativa privada

  1. LF Costa

    O socialismo se serve do capitalismo, pois é antes de tudo puramente ideológico – desconsiderando, se é que isto é possível, intenções vampirescas que se escondem por trás do jogo de palavras e apelos à culpas ou dívidas imaginárias – sem qualquer parâmetro na realidade, o socialismo não se sustenta sem usurpar de outrem. O capitalismo pode servir desde o fascismo até o comunismo, passando pelo nazismo, ou o que quer que agrade aos seus interesses quando estes são meramente materialistas, não sustentados em alguma moral ou honestidade intelectual para com a verdade – esta uma que servirá de bússola ante os delírios igualitários que ignoram a própria diferença que constitui os seres e entes.

    É como Caim e Abel, Romulo e Reno. Eterna discussão, brilhantemente retratada em western no cinema por Sam Peckinpah em The Wild Bunch (“Meu Ódio Será Sua Herança”).
    Mas ater-se apenas à dualidade simplista é fechar os olhos para tudo à que as ideologias mais variadas podem servir.

    (LF Costa- http://www.tribunadainternet.com.br/reflexoes-sobre-a-dualidade-capitalismo-socialismo/#comments)

  2. Caro Roberto Nascimento,
    Acredito que no parlamentarismo o socialismo teria mais chances de prosperar, a ponto que citaste o exemplo espanhol.
    Neste sistema que temos no Brasil, de presidencialismo, dificilmente.
    A começar pela cultura política brasileira, sem qualquer tradição neste modo de governar muito mais avançado, que exige homens públicos preparados, probos, honestos e que não se deixem levar de roldão pela corrupção.
    Na Escandinávia, prospera a Social-democracia, que arrecada do cidadão impostos elevados mas, em compensação, Saúde, Educação e Segurança, são absolutamente responsabilidade do governo de forma integral, além de administrarem a arrecadação para ter poder de investimentos na infraestrutura.
    No Brasil, o governo não tem esta visão de País e de um povo educado, culto, ordeiro e trabalhador, pelo simples fato de que parte de nossos governantes e parlamentares os exemplos mais danosos e prejudiciais à nação brasileira!
    Não havendo a devida confiança em nossos mandatários porque péssimos gestores e desonestos, a sonegação fiscal se tornou uma saída emergencial para caixa de muitas empresas, que depois entram em acordo com o governo para saldar seus débitos a perder de vista.
    E, o governo, não cumpre com a sua obrigação de controlar seus gastos. Perdulário, esbanjador, culpado pelo desequilíbrio entre arrecadação e despesas, pouco se importa em corrigir ou estancar o vazamento, sangrando os cofres públicos de forma criminosa e irresponsável!
    No parlamentarismo, certamente este gabinete do PT já teria caído, pois demonstrou ao longo de quatro anos total incompetência para governar, a ponto de nos ter prejudicado de maneira irreversível e imensurável em termos de avaliação dos prejuízos, sem comentar a corrupção institucionalizada.
    Categoricamente, com base na minha experiência de vida, idade, por conhecer este País e um pouco do povo porque dele faço parte, não teria êxito o parlamentarismo, como não teve em 1963, quando foi abolido sem ter durado dois anos, manobra política para Jango assumir o poder após a renúncia de Jânio, em 1961.
    Mais a mais, com este tipo de parlamento que temos, haveria troca de ministros a cada semana!
    E, sem o parlamentarismo, sem socialismo, por mais brando que seja ou mais contundente que pretendesse, escorregando para um regime totalitário.
    Um abraço, Roberto.

    • Caro Francisco Bendl:

      O conservadorismo da elite brasileira rejeitou por duas vezes o Regime Parlamentarista. Neste tipo de governo, o Executivo perde a força existente no Regime Presidencialista. O Legislativo passa a ter uma proeminência e o Primeiro Ministro nomeado pelo Parlamento passa a ser o chefe do governo.

      Penso, que em virtude do fracasso do regime Presidencialista, seria de bom alvitre a nação experimentar essa forma de governo. Fazem tantas reformas, que afinal dão em nada, entretanto, a mudança de regime é afastada de plano pelos atuais congressistas. Tivemos duas oportunidades perdidas, e na segunda, o povo afastou a possibilidade mantendo o presidencialismo no Plebiscito, após a Constituição de 1988.

      Para o bem ou para o mal, o povo é soberano.

      Voltando ao tema em comento, o socialismo, creio será o regime de governo do futuro. É preciso reduzir drasticamente o fosso entre ricos e pobres, uma característica do Regime Capitalista. Como ressaltei acima, há uma questão que precisará ser resolvida. Viveremos sob a égide de um Socialismo com Liberdade, ou um Socialismo de viés Autoritário? Penso, que não estarei vivo para ver esse glorioso tempo. Mas, não custa nada sonhar e crer que estarei inaugurando a eternidade.

      Obrigado por comentar e contribuir para o debate democrático.

  3. Enquanto isso, aqui no Rio de Janeiro, em uma Reunião de Bacana:

    “Juiz teria apontado arma para desembargador durante discussão dentro do Tribunal de Justiça do Rio”

    Leia mais: http://extra.globo.com/casos-de-policia/juiz-teria-apontado-arma-para-desembargador-durante-discussao-dentro-do-tribunal-de-justica-do-rio-15243914.html#ixzz3QoBOqU7q

    Isto por que eles possuem o privilegio de ter 60 dias de férias para desestressar, usufruem de Fitnes Center no local de trabalho, recebem Bolsa Moradia, Bolsa Educação, Bolsas Outras…

  4. “Infelizmente, o mundo utópico idealizado pelos enciclopedistas, por Marx e Engels e por todos os ideólogos de esquerda, está momentaneamente afastado.”

    Eu diria felizmente e não infelizmente.

    “Mas enquanto durarem as injustiças sociais, a escravidão e a miséria que se alastra nas Américas (incluindo os EUA), na Europa, na Ásia e notadamente na África, enfim, sempre haverá uma esperança de que novas gerações possam melhorar as relações entre ricos e pobres.”

    Onde as pessoas devem trabalhar, seja na agricultura, indústria ou serviços ? Esta é a questão. O tipo de empresa que deve existir, para que se produza sem que o Estado tenha que aportar recursos que cubram os constantes déficits.
    Na teoria marxista/esquerdista/socialista, em empresas do Estado, gerido pelos funcionários do Estado. Historicamente provado e comprovado que NÃO funcionam !!! E não funcionam apenas no Brasil, NÃO funcionam em qualquer país. Já viu fazenda coletiva funcionar ? Onde ?
    O Estado não tem vocação para empresário. Nunca teve. Logo, deixa esta função para a iniciativa privada.
    Empresas Sociais, que eu proponho, devem repartir os lucros entre o capital e o trabalho, meio a meio, 50%
    para os acionistas e 50% para os funcionários da empresa.
    À partir daí começa a reversão da má distribuição de renda. Ela não se dará com a interferência do Estado, querendo dar uma de ama-seca, ou, Estado de Bem-Estar Social.

    E, primeiramente que tudo: – o Estado não pode ser um fim em si mesmo, consumindo todo dinheiro extorquido da sociedade via impostos, taxas, tributos e multas, apenas para se manter no fausto.

    • Prezado Martin Fuchs:

      O capitalismo não é a última instância de modelo econômico, trata-se apenas do atual. Há de convir, que estamos em plena crise do sistema capitalista, que atinge de maneira grave toda a Europa. Os países europeus pobres estão sofrendo barbaridade, exemplo de Portugal e Grécia. E o nosso Brasil entrou na roleta russa da crise, no ano de 2014. Claro, o preço das commodities brasileiras despencou, logo o período de virtuosismo da economia não existe mais.

      Se os compradores dos nossos commodities estão em crise, a crise do capitalismo, logo eles deixam de comprar, tal e qual compraram antes de 2008. Até a China reduziu suas taxas de crescimento acima de dois dígitos para algo em torno de 7%, refletindo a crise capitalista mundial.

      Agora, se o Estado não pode dar as respostas para as pessoas, se o Estado não detém a capacidade de regular o mercado, de ser o algodão entre os cristais, simbolizado nas classes produtoras e nas classes de trabalhadores com a classe média no meio, então, quem poderá fazê-lo? Não há saída nesse complicado jogo de xadrez.

      O que vemos agora, é uma grave crise do sistema capitalista, no mundo todo. As guerras no Oriente Médio, na Nigéria, no Sudão, na Ucrânia, enfim, é um anúncio de novo freio de arrumação em escala global. O sistema capitalista se renova nas crises mundiais, nas guerras, a primeira e a segunda. A terceira seria o fim da civilização. Portanto, somente o Estado poderá direcionar a nação para os objetivos comuns, que são a melhoria das condições do povo, a igualdade de oportunidades para ricos e pobres e porque não dizer: Uma ampla rede de Bem Estar Social.

      Deixar o capitalismo a deriva, sem controle, a moda do “deixar andar”, “deixar fazer”, pois bem, o mundo viverá em crises sistêmicas até que todos sucumbirão. Os sinais estão aí mesmo para serem constatados : crise econômica, crise hídrica e o aquecimento global.

      Obrigado por me permitir exercer o contraditório através da dialética aqui representada.

      • Greenspan e o capitalismo
        “e o sucesso de seus formuladores de políticas na implementação das medidas necessárias à estabilidade macroeconômica.”

        Contraditório. O que mais desejo é justamente o debate em torno de soluções para as crises cíclicas por que passa o Brasil.
        Estado de Bem-Estar Social, ou, Estado Ama-Seca. Bolsa-Família, Bolsa-Ditadura, Bolsa-Presidiário, Bolsa-Prostituta. Para se manter no Poder e não por políticas de governo, o atual tentará, mesmo sabendo que não vai conseguir, mais inúmeras bolsas populistas e demagógicas.
        Se o Congresso Lamaçal permitir, e isto depende de quantos votos o Executivo COMPRAR lá no Legislativo, novas esmolas eleitorais serão implementadas e, para cada R$ 10,00 aplicados na compra de votos (bolsas), mais R$ 5,00 serão gastos em propaganda, mistificando essas atitudes.
        Hoje, quase todos filiados do PT e dos partidos da base enlameada, estão pendurados no “cabidário” chamado governo, ou, nas “Mamadeiras de Político”, popularmente conhecidas como Empresas Estatais. Depois, quando o Estado quebra (Portugal, Grécia), a culpa é do capitalismo.
        O que chamam de capitalismo, deveria chamar-se mercado. Quando a era agrícola chegou naturalmente ao fim, principalmente pelo aumento da população – que o trabalho no campo não mais absorvia – e gradativamente entramos na era industrial, terminou o ciclo do produtor consumir o resultado do seu trabalho. O mundo passou a ter os produtores em grande escala e cada vez mais se especializando para produzir melhor e mais barato, e, do outro lado, os consumidores. No meio surgiu, intermediando, o que é chamado de mercado. Também nos países comunistas/socialistas havia o mercado, apenas que regulado pelo governo, planejamento central. Alguém pode nos dizer em como isso acabou ? Que eu saiba, restam apenas dois remanescentes desta tentativa frustrada: Coréia do Norte e Cuba.
        Portanto meu caro Roberto, o que temos que alcançar dentro do chamado capitalismo, é recompensar na fonte as partes responsáveis pela produção de qualquer coisa, seja ela alimento, produtos ou serviços. Isto significa, que o trabalho tem que ser igualmente pago, assim como o é o capital. Divida o resultado na fonte, 50% para cada uma das partes, capital e trabalho, ambos indispensáveis, e não precisaremos dos cientistas sociais escrevendo livros e mais livros, Thomas Picketty, dizendo que a acumulação de capital não é benéfica. Estes estão sempre querendo atacar os efeitos. Enquanto não atacarmos as causas, a renda continuará se concentrando e a pobreza se alastrando.
        É isto que resolverá o problema e não Estado Ama-Seca !!! Este Estado brasileiro, paquidérmico e corrupto, tem que ser desmontado. É a causa primeira dos males do nosso país.
        Um abraço.
        Martim

  5. Na minha modesta maneira de entender o funcionamento das ideologias, sempre achei que o socialismo, é
    na verdade um capitalismo com extremos.
    Socialismo, deriva de sócio, e sócio é um participante de um sistema que integra várias fontes de produção.
    No socialismo, todos detém suas propriedades, contribuem para o bem estar comum, pagam seus impostos
    na devida proporção de seus ganhos. O estado figura como o poder moderador, tomando os cuidados para
    que não haja o milionário e muito menos o miserável. Assim penso ser o socialismo.
    A forma que deve ser adotada pelo poder público para manter o equilíbrio, é o da cobrança de impostos,
    através de um mecanismo, que penalize os ganhos maiores com encargos condizentes.
    O desestímulo a acumulação de riquezas, tem o condão de fazer com que os mais gananciosos, desistam
    do ganho exagerado, pois terão que deixar o excedente para o governo, na forma de impostos.
    Com a taxação crescente, inviabiliza o acúmulo de riquezas e também as grandes corporações, dando lugar
    para que os pequenos possam se desenvolver com eficiência. Hoje é impossível um pequeno negócio
    sobreviver entre os grandes.
    Com a possibilidade dos pequenos negócio prosperarem com firmeza, abre-se o caminho para a tão sonhada e decantada distribuição de renda. A qual deve ser feita única e exclusivamente pelo trabalho, jamais como assistencialismo governamental.
    O neo-liberalismo, como é vivido hoje, é tão predatório quanto o comunismo mais retrógrado e estatizante.
    A estatização dos meios de produção, tem o inconveniente de criar o desestímulo entre os indivíduos, pois
    não fica com o que produz. Vejam o que acontece com os médicos cubanos.
    Outro detalhe que desabona o comunismo, é que tem de ter por trás de si, uma ditadura, até porque na natureza, todo ser vivo é um possessivo e o ser humano é maior de todos e não aceita ter que dar o fruto do seu trabalho.
    Se vivêssemos um socialismo verdadeiro, casos como mensalão, petrolão e outras falcatruas existentes,
    não teriam acontecidos, pois os ladrões não teriam onde esconder o roubo.
    Imagino também que para implantar um regime socialista no Brasil, teríamos que primeiro mudar a índole
    oportunista que impera nas maioria dos brasileiros, seria uma empreitada para mais ou menos, um século.
    Socialismo nada tem a ver com o capitalismo de estado, que é a verdadeira natureza do comunismo, onde
    alguns se apropriam do estado e todos os seus pertences, tornando-se verdadeiros nababos e donos do bem comum.
    Espero que algum dia, a humanidade tenha na consciência, que matar ou morrer por alguma divindade e
    pelo dinheiro, é puro desperdício, afinal ninguém tem assegurada a entrada no céu, muito menos que disporá do seu “capital” na vida eterna.

  6. Este texto é dedicado aos homens livres, que andam com as próprias pernas, e pensam, por si próprios. O texto exorta a todos que o socialismo leva à miséria completa sem qualquer possibilidade de propiciar o desenvolvimento material e espiritual do homem. O socialismo foi a pior ideia já concebida.

    “Comunismo: Uma igualdade de águias e pardais, de colibris e morcegos, que consistiria em colocar todas as envergaduras na mesma gaiola e todas as pupilas no mesmo crepúsculo, não quero saber”. V.Hugo. Tas de pierres.

    O socialismo é um fracasso, não só os seus pressupostos teóricos são falácias, bem como, os resultados econômicos, sendo que a tirania , dor, sofrimento, infringido aos povos que adotaram esta doutrina , resultaram na morte de 100 milhões de pessoas, já sendo motivo suficiente para descartar esta ideologia sinistra, se tivéssemos aprendido com a Historia.
    O socialismo é uma praga de difícil erradicação, expulso definitivamente da área econômica por seu fracasso empiricamente comprovado, refugia-se na mística , evocando o seu “alto teor moral”. Confirma, assim, a presunção avançada pela primeira vez por Nietzsche há mais de cem anos, de que a ideologia perversa é um substituto, um Ersatz, um medíocre sucedâneo de uma fé cristã em declínio. Muitos outros filósofos modernos, como H. Arendt, Aron, Kolakowsky, concordam com a tese de que o socialismo representa aquela pseudo “religião civil” que Rousseau pretendeu criar, para substituir a Igreja com o culto patriótico do estado ressacralizado.
    As “profecias” de Marx falharam miseravelmente. As forças econômicas, por si só , não explicam o triunfo do cristianismo no Império Romano, a queda de Roma, as Cruzadas, a Revolução Francesa, o imperialismo moderno, a I Guerra Mundial ou a ascenção de Hitler. As grandes lutas do século XX não foram travadas entre classes, mas entre nações. Os trabalhadores dos países ocidentais não se tornaram a classe oprimida e empobrecida que Marx descreveu nos meados do século XIX. Os trabalhadores ocidentais contemporâneos, por causa do aumento da produtividade e dos esforços dos sindicatos e governos, melhoraram consideravelmente sua condição, desfrutando o mais alto padrão de vida da história. O imenso desenvolvimento de uma classe média constituída de profissionais, funcionários públicos e pequenos comerciantes desmente o vaticínio de Marx de que a sociedade capitalista seria polarizada num pequeno grupo de capitalistas muito ricos e uma grande massa de trabalhadores carentes. Todas essas predições e esperanças do “profeta “, K. Marx, foram fracassadas , e parece contradizer a sua afirmação de que suas teorias se apoiavam em “bases científicas”.
    O historicismo, base fundamental da doutrina de Marx, não se sustenta, como provou K. Popper, na sua obra a “Miséria do Historicismo”. O autor afirma que o progresso não é uma necessidade da História. O historicismo é a base comum do fascismo e do marxismo, segundo Popper, é absolutamente falso acreditar que o futuro está condicionado ao presente. Nada, no presente, permite prever o futuro. Por quê? Porque é na realidade, o contrário: vivemos aspirados pelo futuro, todos os nossos comportamentos de hoje são ditados pela ideia do que temos do amanhã. Se acontece de o futuro parecer com o que anuncia dele, é geralmente porque quem prevê influi também no curso dos acontecimentos. A idéia de Marx de que o socialismo estava fadado a acontecer “com a inexorabilidade de uma lei da natureza” , não tem base alguma.
    O brilhante economista austríaco V. mises, na sua obra magna “Ação Humana”, defende o princípio praxeológico, e constrói um tratado de economia de forma dedutiva. O princípio praxeológico afirma que sempre buscamos um estado maior de satisfação, em todas as esferas da vida, sendo este um dado irredutível. Negar ao homem o direito de empreender livremente, de participar da vida econômica, violenta brutalmente a liberdade humana. Propor o fim do Mercado, o único mecanismo que permite o cálculo econômico não só é um estupidez, como levou ao debacle econômico dos países do Leste Europeu.
    O socialismo foi derrotado. A prova histórica está ai: com exceção da Coréia do Norte e Cuba, mesmo, nações da “fraternidade socialista”, adotaram receitas liberais para sair do marasmo econômico que viviam. O Muro da Vergonha caiu, o império soviético ruiu como um castelo de cartas, Deng Xiaoping privatizou as comunas agrárias chinesas e abriu “novas áreas econômicas” ao capitalismo e comércio internacional.
    Os socialismos, comunismos, coletivismos, et caterva, buscam um único fim: o planejamento central, onde um grupo de pretensos sábios julgam-se aptos a decidir em todas as esferas, na economia, em todas as outras áreas da vida social, criando a chamada engenharia social. O controle, planejamento, de uma empresa é justificável, o controle e planejamento de uma nação é uma monstruosidade, pois o mapa é diferente da realidade. Só a iniciativa individual, de agentes econômicos, sob liberdade política e econômica pode-se gerar riqueza e criar um clima de liberdade. O marxismo é uma miséria moral e intelectual. Uma ideia que se traveste de moderna, mas não passa de ouro de tolo, e faz a humanidade retroceder, buscando as antigas formas de organização tribal onde o indivíduo nada valia.
    Verão, 2015.

    • Muito em colocado Antônio Valente.
      E a História está aí confirmando todo o desastre desse ideal fantasioso produzido pela mente de alguns.

      Em vez de teorias fantasiosas como o tal socialismo o melhor é estudar como uma Coreia do Sul ou uma Austrália chegaram onde chegaram e tentar aprender com eles .

  7. Licença, outra abordagem: o Estilo de Época na Literatura chamado “Romantismo” surgiu no século 18, na Europa, e com ele nasceu a idéia do Socialismo, pois o projeto romântico abrangia as dimensões plurais da Arte,da Política e da Filosofia. Infelizmente no século 21, 300 anos depois de suas origens na Alemanha, França, Inglaterra e a seguir nos demais continentes, fica difícil a concretização desta tentativa de melhorar a sociedade, visto que é necessário abdicar de muitos apegos em beneficio da coletividade e o Egoísmo generalizado está vencendo em todos os quadrantes. O jovem Marx viu no Romantismo-Socialismo algo religioso que influenciou o filósofo Hegel, criou então uma corrente Materialista para se contrapor e assim nasceu o Comunismo… estou falando de Teoria e não como foi praticado… duas coisas diferentes…

  8. Que me desculpe Roberto Nascimento, mas eu gostaria de saber o que ele entende por neoliberalismo, se nem o governo de FHC, o eterno “acusado” de ter sido neoliberal, nunca passou nem perto de sê-lo. Senão, vejamos:

    Uma economia que retinha mais de 35% do PIB em forma de impostos, tomava 70% da poupança destinada ao crédito, cobrava 110% de encargos sobre os salários, tinha um dos mais altos índices de burocratização e também a mais alta taxa de juros do planeta, pode ser chamada de neoliberal?

    Sem contar também que, em termos de liberdade econômica, o Brasil ocupava a 88a posição, atrás até da China. Segundo o IPEA, ocupávamos também o sétimo lugar entre os países com menor fluxo de comércio e o terceiro com menor importação em relação ao PIB, entre 145 países.

    Isso, nem que a vaca tenha tossido aos montes, nunca foi neoliberalismo.

    • A esquerdinha é religiosa e portanto não baseia sua argumentação em números ou fatos. Assim xingam ou rotulam quem não reza pela sua cartilha de neo-liberais, direitista, entreguista, ianqui, essas coisas que os desacreditam em qualquer lugar onde haja pessoas com um mínimo de cultura.

  9. Ainda há pouco o esquerdinha disse lá em cima, respondendo a Martin, que a crise na Europa é capitalista, quando é o contrário, ou seja, a crise é causada pelo tal socialismo que gasta em benefícios sem produzir nada para sustentá-los.

  10. RODRIGO CONSTANTINO (blog-Veja on line)

    Greenspan e o capitalismo

    “Pouco mais é necessário para erguer um Estado, da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência, além de paz, de baixos impostos e de boa administração da justiça: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas.” (Adam Smith)

    Em seu livro A Era da Turbulência, Alan Greenspan dedica dois capítulos a uma defesa direta do modelo capitalista de mercado. Ele afirma que desde cedo, em sua carreira profissional, se deu conta da importância da competição nos negócios, “como indutor básico do crescimento econômico e da melhoria do padrão de vida”. Para Greenspan, os dados geralmente apontam para três importantes características gerais que influenciam o crescimento global: a extensão da competição interna e da abertura do país para o comércio; a qualidade das instituições do país, que contribuem para o funcionamento da economia; e o sucesso de seus formuladores de políticas na implementação das medidas necessárias à estabilidade macroeconômica.

    A garantia do direito de propriedade pelo Estado é considerada por Greenspan “a principal instituição promotora do crescimento”, pois, “sem essa certeza, de pouco adiantariam o livre comércio, os enormes benefícios da competição e as vantagens comparativas”. A explicação é óbvia: “As pessoas, em geral, não se esforçarão para acumular o capital necessário ao desenvolvimento econômico se não tiverem certeza de sua propriedade”. Se o governo pode, de maneira arbitrária, confiscar os bens, o valor do direito de propriedade é muito baixo. Sob o medo constante de expropriação, o esforço despendido para melhorar a propriedade é bem menor. A importância do direito de propriedade privada bem definido fica bem clara quando analisamos o que ocorreu na URSS: “Estigma extremamente comprometedor para o planejamento central da União Soviética era o fato de grande parte de suas colheitas ser oriunda de terras privadas que representavam apenas pequena fração das terras cultiváveis”.

    Ainda que isso tudo seja evidente para muitos, reside, especialmente nos países mais atrasados, forte resquício da mentalidade contrária ao direito de propriedade privada. “Infelizmente”, diz Greenspan, “a noção de direito de propriedade ainda é fonte de conflitos, sobretudo em sociedades que questionam a moralidade da busca de lucro”. O direito de propriedade “não é defensável em sociedades que ainda mantenham qualquer resíduo significativo do conceito marxista de que propriedade é ‘roubo’”. Greenspan conclui de forma objetiva: “A premissa do direito de propriedade e da legalidade de sua transferência deve estar profundamente imbuída na cultura da sociedade para o funcionamento eficaz das economias de livre mercado”.

    O império da lei e o direito de propriedade são, portanto, os pilares institucionais mais importantes do crescimento econômico e da prosperidade, segundo Greenspan. No entanto, não são os únicos. Sociedades que buscam resultados “mágicos” instantâneos acabam hipotecando o futuro, e não raro padecem de inflação e de estagflação. “As economias dessas sociedades tendem a gerar grandes déficits orçamentários públicos, financiados com a moeda fiduciária das impressoras”, alerta Greenspan. “Muitos países da América Latina são sobremodo propensos a essa ‘doença’ populista”.

    A flexibilidade econômica é outro item de extrema relevância. A flexibilidade da economia a torna mais resiliente a choques, sendo um importante fator macroeconômico do sucesso dos países. Greenspan diz: “Para desenvolver flexibilidade, os mercados competitivos devem ser livres para promover seus próprios ajustes, ou seja, os participantes do mercado devem ter liberdade para alocar a propriedade da maneira que lhes parecer mais adequada”.

    A confiança é outra característica indispensável para o desenvolvimento. Greenspan lembra que “se mais do que pequena fração dos contratos em aberto fossem submetidos à apreciação do Judiciário, os tribunais ficariam abarrotados de processos, comprometendo o próprio império da lei”. A vasta maioria das transações ocorre de forma voluntária, o que pressupõe, por necessidade, “confiança na palavra das pessoas com que se fazem negócios, que, na maioria das vezes, são estranhas”. O capitalismo é impessoal, abrange todos os participantes que desejam participar dessas trocas voluntárias, e por isso a confiança mútua é tão fundamental.

    Essa confiança nasce do interesse próprio, pois as transações comerciais seriam praticamente impossíveis sem essa cultura nos negócios. “Nos sistemas de mercado baseados na confiança”, diz Greenspan, “a reputação terá valor econômico significativo”. As leis podem regular uma pequena fração das atividades cotidianas realizadas nos mercados, mas a reputação e a confiança dela decorrente são os “atributos essenciais do capitalismo de mercado”. A regulamentação do governo não pode substituir a integridade individual, e essa conclusão veio de alguém que foi regulador das atividades bancárias durante mais de 18 anos. A vigilância das partes envolvidas é a “mais eficaz linha de defesa contra a fraude e a insolvência”.

    Greenspan derruba o mito da riqueza como conseqüência dos recursos naturais. “A riqueza fácil, não porfiada, tende a comprometer a produtividade”, explica. A “destruição criativa”, ou seja, “o sucateamento das velhas tecnologias e das velhas maneiras de fazer as coisas para ceder espaço ao novo”, é a “única maneira de aumentar a produtividade e, portanto, de elevar o padrão de vida de maneira duradoura”. Greenspan diz: “A descoberta de ouro, de petróleo ou de outros recursos naturais, a história nos ensina, não produz o mesmo efeito”. Na tentativa do governo de “proteger” parcelas de suas populações contra essas pressões competitivas, “a conseqüência é padrão de vida material mais baixo para o povo”. Para Greenspan, não há dúvida de que “as restrições à liberdade de ação, essência da regulamentação das atividades de negócios pelo governo, ou a alta tributação de empreendimentos bem sucedidos inibe a disposição para o empreendedorismo por parte dos participantes do mercado”.

    Além disso, o excesso de regulamentação é uma causa importante da corrupção: “Em geral, a corrupção se torna provável sempre que o governo tem favores a conceder ou algo a vender”. Por outro lado, “quanto maior for a liberdade econômica, maior será o escopo para o risco do negócio e sua recompensa, o lucro, e, portanto, maior também será a propensão para assumir riscos”. O mercado de trabalho deve ser bem flexível também, facilitando contratações e demissões, sem monopólios sindicais obtendo privilégios na marra, aliados ao governo.

    Em resumo, Greenspan explica de forma sucinta os pilares do capitalismo de livre mercado, que tanto progresso material trouxe à humanidade, tirando milhões da miséria. Muitos dos pontos levantados por ele já são conhecidos desde Adam Smith, com seu A Riqueza das Nações, de 1776. Infelizmente, não são poucos aqueles que preferem ignorar estas fundamentais lições econômicas e abraçar o marxismo. O resultado, como não poderia deixar de ser, é muita miséria

  11. Caro Mauro Julio Vieira:
    Obrigado por sua aprovação do meu texto acima.
    Gosto da maioria das ideias que o Sr. expressa neste blog, são realistas, objetivas, verdadeiras.
    Ao longo da História foram poucos os amantes da Liberdade. A esmagadora maioria sempre seguiu o rebanho, evitou o risco, e não ousou pensar sobre os grandes temas com olhos abertos, com realismo, lucidez.
    O socialismo é uma farsa, uma mentira que tem seduzido a muitos, mas não me incluo entre estes. Segue abaixo a definição precisa sobre o socialismo, feita pelo economista H. Hazlitt:
    “Todo o evangelho de Karl Marx pode ser resumido em duas frases: Odeie o indivíduo mais bem-sucedido do que você. Odeie qualquer pessoa que esteja em melhor situação do que a sua.
    Jamais, sob qualquer circunstância, admita que o sucesso de alguém pode ser decorrente de seu esforço próprio, de sua capacidade, de seu preparo, de sua superioridade em determinada atividade. Jamais aceite que o sucesso de alguém pode advir de sua contribuição produtiva para algum setor da economia, contribuição essa que foi apreciada por pessoas que voluntariamente adquiriram seus serviços. Jamais atribua o sucesso de alguém às suas virtudes, mas sim à sua capacidade de explorar, trapacear, ludibriar e espoliar.

    Jamais, sob qualquer circunstância, admita que você pode não ter se tornado aquilo com que sempre sonhou por causa de alguma fraqueza ou incapacidade sua. Jamais admita que o fracasso de alguém pode ser devido aos defeitos dessa própria pessoa — preguiça, incompetência, imprudência, incapacidade ou ignorância.

    Acima de tudo, jamais acredite na honestidade, objetividade ou imparcialidade de alguém que discorde de você. Qualquer um que discorde de você certamente é um alienado a serviço da burguesia e do “capital”.

    Este ódio básico é o núcleo do marxismo. É a sua força-motriz. É o que impele seus seguidores. Se você jogar fora o materialismo dialético, o arcabouço hegeliano, os jargões técnicos, a análise ‘científica’ e todas as inúmeras palavras presunçosas, você ainda assim ficará com o núcleo do marxismo: o ódio e a inveja doentia do sucesso, que são a razão de ser de toda esta ideologia”.

    • Obrigado Antonio F. Valente, a recíproca é verdadeira.
      A verdade é que desde novo sempre me causou espécie as teorias que tentavam provar que aquilo eu que via e tocava não era verdadeiro.
      Por essas e outras, o tempo me convenceu que eu estava no caminho certo e , portanto, para que hoje eu me convença de alguma coisa ela deve ser necessariamente sustentada por fatos concretos. E fatos concretos, na comparação do socialismo x capitalismo de mercado, este último já demonstrou cabalmente a sua infinita superioridade em promover o bem estar social, pois é o que produz mais, melhor e mais acessível à população, mas que essa gente delirante, inocentes úteis e/ou desonestos, inverte a realidade e usa essa vantagem como se fosse mérito do socialismo para destruir o capitalismo de mercado.

  12. Comentarista Antônio F. Valente:

    Defendo e respeito suas ideias e comentários, apesar de não compartilhar de algumas delas. Isso é a democracia. Se todos os seres pensassem da mesma forma, o mundo seria muito chato. As ideias são como as cores, não são iguais, mas, podem interagir uma com as outras. O pensamento único é uma das variações do autoritarismo.

    O socialismo não é a última flor do lácio, culta e bela, nem o capitalismo é o paraíso do homem na Terra. Os modelos econômicos são imperfeitos refletindo a imperfeição do próprio ser, em constante evolução sem atingir o ápice.

    Defendo um ponto de vista, jamais pretendi ser o dono da verdade, até porque ninguém tem esse dom. Somos imperfeitos por natureza. A discordância aos temas em comento são de importância vital para os leitores e principalmente para quem escreve. Os leitores podem avaliar a tese e a antítese para poderem criar a síntese através dos argumentos opostos.

    Humildemente lhe digo, que aprendo muito com seus comentários, os quais venho acompanhando atentamente no BlOG.

    Bom dia.

  13. RODRIGO CONSTANTINO (Blog-VEJA on line)

    América Latina e populismo

    “O capitalismo na América Latina ainda é, na melhor das hipóteses, uma luta.”
    (Alan Greenspan)

    O título desse artigo é o mesmo usado por Alan Greenspan em um capítulo de seu livro de memórias, A Era da Turbulência. O ex-presidente do Federal Reserve faz uma análise bastante acurada dos males que assolam a região. Diante da pergunta sobre a causa das crises econômicas freqüentes nas décadas de 1970, 1980 e 1990, Greenspan resume numa resposta simples, afirmando que, “com muito poucas exceções, a América Latina não conseguiu desarmar-se do populismo econômico que, em sentido figurado, desarmou todo um continente em sua competição com o resto do mundo”. Em outras palavras, o capitalismo de livre mercado jamais deu o ar de sua graça por aqui, obstruído pelo eterno populismo.

    O século XX não foi bom para a região. Greenspan lembra, com base nas análises do historiador econômico Angus Maddison, que a Argentina começou o século com um PIB per capita real maior que o da Alemanha e equivalente a quase três quartos do americano. No fim do século, o PIB per capita argentino tinha declinado para metade ou menos do da Alemanha e dos Estados Unidos. Como conclui Greenspan, “apenas a África e a Europa Oriental apresentaram desempenho pior”. A América Latina parece estar competindo para ver qual continente fica mais miserável.

    Greenspan explica o que entende por populismo: “Sob o populismo econômico, o governo cede às demandas do povo, sem levar muito em conta os direitos individuais ou as realidades econômicas sobre como aumentar ou mesmo apenas sustentar as riquezas do país”. Em outras palavras, “ignoram-se as conseqüências econômicas adversas das políticas públicas, por deliberação ou sem intenção”. Diante de uma série ininterrupta de fracassos, a busca por bodes expiatórios é constante. Os Estados Unidos são o alvo preferido. “Erroneamente”, lamenta Greenspan, “ainda hoje os Estados Unidos são vistos como a principal causa da miséria econômica ao sul de suas fronteiras”. Os povos latinos agem como devedores irresponsáveis, que vivem gastando mais do que ganham, e depois ficam culpando os bancos por sua situação calamitosa. O sucesso dos mais responsáveis e trabalhadores incomoda, e passa a ser acusado pela própria miséria, com a ajuda de uma visão marxista de que o ganho de um deve ser exploração do outro.

    Esse populismo é “atitude muito pouco racional”. Para Greenspan, é “mais um grito de dor”. Ele explica: “Os líderes populistas fazem promessas irresistíveis para eliminar ou atenuar situações percebidas como injustas. As panacéias mais comuns são a redistribuição de terras e o indiciamento de uma elite corrupta que, alegadamente, rouba dos pobres; os líderes prometem terra, habitação e comida para todos”. O termo ‘justiça’ é usado de forma abusiva, geralmente na acepção redistributiva, ao lado do termo ‘social’, na maioria das vezes indo contra o conceito objetivo de justiça. Esse populismo é o oposto de liberalismo: “Em todas as suas formas, evidentemente, o populismo econômico se opõe ao capitalismo de livre mercado”. O duro é aturar a esquerda populista insistir que a culpa dos nossos males está justamente no “neoliberalismo”, inexistente na região.

    Reverter o quadro não é uma tarefa trivial. O populismo resiste mesmo diante dos mais contundentes fracassos. Greenspan diz: “A melhor evidência de que o populismo é basicamente uma reação emocional, em vez de algo baseado em idéias, é o próprio fato de não recuar, mesmo em face de reiterados fracassos”. O povo latino-americano costuma colocar mesmo as emoções à frente da razão. O populismo é o resultado disso. Greenspan elabora sobre os motivos desse apelo emocional: “O populismo econômico imagina um mundo mais simples e direto, no qual as estruturas teóricas não passam de dispersões em relação às necessidades evidentes e prementes. Seus princípios são simples. Se há desemprego, o governo deve contratar os desempregados. Se o dinheiro está escasso e as taxas de juros, em conseqüência, estão altas, o governo deve impor limites artificiais ou, então, imprimir mais dinheiro. Se as importações estão ameaçando empregos, proíba as importações”. Gustave Le Bon fez um ótimo estudo sobre a psicologia das massas, e uma das características mais básicas é justamente a simplicidade dos conceitos, para poder conquistar pelas emoções os seres mais simples do grupo. Um povo miserável e ignorante é um prato cheio para promessas populistas. O Fórum Social Mundial é a grande prova disso.

    Os populistas ignoram as calculadoras: “A visão populista equivale à contabilidade por partidas simples. Registra apenas os créditos, como os benefícios imediatos da redução dos preços da gasolina. Acredito que os economistas devem praticar a contabilidade por partidas dobradas”. O que Greenspan quer dizer é que os populistas desconhecem conceitos como “custo de oportunidade”, e nunca levam em conta “aquilo que não se vê”, como alertava Bastiat. A visão é totalmente míope, e vale apenas o que os olhos enxergam no curtíssimo prazo, sem nenhuma capacidade de compreensão dos nexos causais ao longo do tempo. Medidas populistas hoje acarretam estragos profundos no longo prazo, mas poucos entendem a ligação entre causa e efeito. Além disso, “no longo prazo todos estaremos mortos”, pode alegar um “desenvolvimentista”, ou seja, um populista típico.

    Para atrair as massas, o populismo precisa recorrer a uma justificativa moral. Assim, afirma Greenspan, “os líderes populistas devem ser carismáticos e exibir uma aura de tocador de obras e até de competência autoritária”. A lista de líderes compatíveis com essa definição é enorme, com diferentes graus de autoritarismo. Podemos pensar em Hitler, Mussolini, Getúlio Vargas, Stalin, Fidel Castro, Peron, Chávez, Mao, enfim, inúmeras figuras pitorescas, que hipnotizavam as massas com promessas fantásticas enquanto entregavam o caos como resultado. O comum entre esses líderes é aquilo que Greenspan comenta: “A mensagem econômica deles é simples retórica, salpicada de termos e expressões como ‘exploração’, ‘justiça’ e ‘reforma agrária’, sem qualquer menção a ‘PIB’ ou a ‘produtividade’”.

    Um exemplo recente está em Robert Mugabe, no Zimbábue, que adotou várias medidas populistas e destroçou de vez a nação, que sobrevive atualmente com desemprego enorme e hiperinflação galopante. Chega a ser irônico constatar isso tudo e lembrar da entrevista de Heloísa Helena, então candidata à presidência e ícone do populismo nacional, para Miriam Leitão, onde ela afirmara que inflação não é um fenômeno isolado, e não ocorria num país apenas. A Venezuela, outro palco de intenso populismo do caudilho Chávez, acaba de divulgar o número oficial de inflação de 2007, de 22,5%. Com certeza o número real deve ser ainda maior, já que transparência não é o forte de regimes populistas.

    Sobre o presidente Lula, eis o que Greenspan tem a dizer: “Luiz Inácio Lula da Silva, populista brasileiro com grande séquito, foi eleito presidente em 2002. Antecipando-se à sua vitória, o mercado de ações brasileiro caiu, as expectativas de inflação subiram e os tão ambicionados investimentos estrangeiros recuaram. Mas, para surpresa da maioria, inclusive minha, ele manteve em boa parte as políticas sensatas do Plano Real, que Cardoso, seu antecessor, adotara para combater a hiperinflação brasileira de princípios da década de 1990”. Em outras palavras, o grande mérito de Lula foi não ter mexido nas reformas macroeconômicas de FHC. O resto é sorte por ter pego um cenário internacional extremamente benéfico.

    Por fim, Greenspan faz um importante alerta sobre os riscos da democracia. Em primeiro lugar, ele lembra que “os verdadeiros democratas apóiam uma forma de governo em que a maioria predomina em todas as questões públicas, mas nunca transgredindo os direitos básicos dos indivíduos”. Nessas sociedades, ele diz, “os direitos das minorias são protegidos contra as maiorias”. Os próprios “pais fundadores” dos Estados Unidos temiam os excessos da democracia, e para isso criaram o “Bill of Rights”, limitando o poder do governo. Greesnpan continua: “A democracia é um processo tortuoso e, decerto, nem sempre é a forma de governo mais eficiente”. No entanto, ele concorda com a tirada espirituosa de Winston Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as demais que já foram experimentadas de tempos em tempos”.

    O governo autoritário “não oferece as necessárias válvulas de segurança que, nas sociedades capitalistas, possibilitam a solução de conflitos de maneira pacífica”. Esse motivo que faz Greenspan optar pela democracia nos remete ao mesmo comentário de Karl Popper, que escolhe a democracia não pela sua suposta superioridade nas decisões, mas pela capacidade de resolver problemas sem derramamento de sangue. No entanto, é crucial lembrar que a democracia é um meio, não um fim, que seria a preservação das liberdades individuais. E o populismo ignora justamente isso, pregando uma democracia fajuta que não leva em conta os direitos individuais, degenerando em tirania, como vemos na Venezuela dos “plebiscitos”.

    É uma pena que Greenspan, de longe, consiga fazer um diagnóstico tão acertado dos problemas da América Latina, enquanto tantos economistas próximos insistem nas “soluções milagrosas” do populismo.

    • Parabéns pela postagem, Sr. Mauro.

      As assertivas deste texto são exatamente aquilo que penso e retratam exatamente o populismo avançando – cada vez mais – no Brasil e nos países latino-americanos. Justamente em decorrência da miséria e da ignorância de seu povo.

      As consequências estão se aprofundando muito mais, a partir do PT e do Foro de São Paulo.

      Isso aqui já era!

      • Quem prega o socialismo, por ignorância mesmo, prega a desgraça econômica e moral que se aprofunda sobre nossas cabeças.

        E é justamente esse amontoado de ignorância que se multiplica no meio do povo, também ignorante.

        Que paguem o preço da ignorância!

  14. Caro Sr. Roberto Nascimento:
    Tenho convicção de que o Sr. é um homem respeitável, culto, digno, honrado. Conheço as pessoas, tenho fino faro para detectar pessoas decentes já que ministrei aulas por quase trinta anos.
    Estudei matemática e engenharia, mas gosto das ciências humanas, pois elas refletem as nossas questões mais profundas, da nossa existência.
    As minhas divergências com o Sr. são apenas no plano das idéias, pois sou conservador-liberal e o Sr. é socialista.
    Tenho amigos comunistas que estudaram em Moscow, são pessoas decentes, dignas.
    Ninguém é dono da verdade, somos aprendizes, e qualquer tentativa de impor, pela força, argumentos, é desprezível.
    Se eu tivesse a oportunidade de entabular uma conversação com o Sr; seria um grande prazer, pois sou homem aberto ao diálogo, e gosto de um bom bate papo.
    Cordiais saudações, e boa tarde, Roberto.
    Cordiais saudações.
    Antonio.

    • Comentarista Antônio F. Valente.

      Por esse comentário, já valeu a pena o debate. Também tenho muitos amigos conservadores. Os respeito e sou respeitado por eles.

      Suas palavras me comoveram. Muito obrigado.

  15. Wagner Pires:
    Estou estudando Economia, comprei todos os livros disponíveis, tenho aprendido com você aqui neste blog.
    Já disse aqui algumas vezes que você é um bom economista, escreve com clareza, conhece estatística, fala claramente.
    Saudações.
    Antonio.

    • Obrigado pela deferência, Sr. Valente. Mas, de fato, eu não sou economista, sou contador. Apenas aprecio a matéria.

      Também estou querendo estudar, mas, por enquanto estou sem coragem para mergulhar nos livros.

      Grande abraço, e bons estudos!!!

  16. Vejam, depois da crise de 2008, o Alan Greenspan perdeu totalmente a credibilidade. A desregulamentação promovida na economia americana depois de que o Presidente Bill Clinton deixou o posto foi responsável pela tragédia ocorrida em 2008. Sabemos que a concorrência perfeita é uma ficção, na verdade, o mercado se organiza em monopólios e oligopólios para imposição de preços elevados e maximização dos lucros dos empresários, o que demanda a existência de um sistema de defesa da concorrência regulado pelo Estado/Governo, o que existe em democracias ocidentais como os Estados Unidos e o Brasil e em outros países europeus. Inclusive a legislação antitruste foi adotada pelos EUA em 1890, com a entrada em vigor do Sherman Act, que visava enfraquecer o monopólio que a Standard Oil, de Rockfeller, exercia no refino do petróleo. Essa empresa chegou a refinar 84% do petróleo nos EUA. Além disso, na economia americana existe regulação pública, haja vista a grande quantidade de agências reguladoras governamentais que existem lá: a FDA, a FCC, a SEC, o próprio FED, entre outras. Além disso, o livre comércio é outra ficção: os EUA sobretaxam produtos chineses, brasileiros e europeus para manter o nível de emprego de sua economia. A Europa, o Japão e a China fazem a mesma coisa. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.”

    • O problema não está com o livre mercado, mas com a fase do capitalismo em que vivemos que é o capitalismo financeiro.

      O erro foi aceitar a ficção de que o dinheiro cria dinheiro usando uma fórmula de progressão geométrica de criada por Gauss adaptada às ciências atuariais.

      ESTE É O ERRO CRASSO VIVENCIADO HODIERNAMENTE PELO MUNDO.

      Olha ela aqui: M = C (1 + i)ⁿ

      • Não há nada de errado com o livre mercado, assim como não há nada de errado com a mínima regulação dos mercados.

        Afinal de contas, assim como não é dado ao Governo estabelecer preços (isso é feito pelo mercado), não é dado ao mercado uma economia sem regras.

        Grande abraço!

        • Para esta confusão aparente que vem provocando debates entre as mais diversas correntes de pensamento da ciência econômica – Keynesianismo, Escola de Chicago, Monetarismo, liberalismo econômico e neoliberalismo -, não há uma resposta taxativa.

          Mas, sem dúvida alguma, as ações do Estado devem se pautar pelo momento econômico vivenciado, alternando-se as ações entre as heterodoxas e ortodoxas.

          É o que penso.

          • A crise econômica de 1929 carrega em si semelhanças com a crise capitalista atual, eclodida em 2008 e que persiste até o atual momento, portanto, seis anos de recessão global, com algumas ilhas de crescimento, como a China e a Índia.

            Em 1929, o Estado (EUA) interviu pesadamente na economia ( new deal) de Roosevelt. E agora, como o sistema capitalista agirá para sair do atoleiro iniciado em 2008? Será com os mesmos postulados de Jonh Mainard Keynes?

            O capitalismo é um sistema econômico, que cresce com as crises cíclicas, próprias do sistema. Penso, que a partir de 2020, um novo ciclo de crescimento ocorrerá na economia global. Só espero, que esse ciclo venha acompanhado de medidas sustentáveis para preservação do meio ambiente no planeta. Caso contrário, além da água escassa, o ar ficará mais poluído, tal e qual em Pequim no momento presente.

          • O capitalismo é o único sistema de produção que existe ou existirá. Não há substituto, nunca houve ou haverá.

            Socialismo, comunismo… são todos sistemas políticos e não sistemas de produção.

            É preciso que se entenda isso de uma vez por todas para parar de fazer confusão.

          • Sr. Martin

            A crise econômica de 2008 foi apenas um marco no tempo, que eclodiu fortemente, a ponto de ser sentida pelo mundo, assim como a crise de 2009.

            As raízes da crise são históricas. No caso dos europeus, eles perderam a proeminência no mundo lentamente, desde que perderam suas colônias na África e nas Américas.

            Entendo o capitalismo sem a profundidade dos seus escritos, porém, as crises do capitalismo eclodem de tempos em tempos. Por exemplo, o Brasil viveu essa crise na década de 80, com o choque do petróleo. A criação da OPEP com o consequente aumento do barril, que chegou a mais de 100 dólares gerou uma crise sem precedentes.

            Vagner, não é um fato isolado, que gera uma crise, mas, uma sucessão de fatos econômicos que se somam desequilibrando a economia dos países. O endividamento descontrolado, os déficits comerciais e os juros da dívida interna e externa abalam a economia. A entrada da China nos mercados agravou o quadro de desequilíbrio da Europa, especialmente nos países mais pobres.

            Espero ter atendido as suas expectativas.

          • Nenhuma variável econômica se encontra isolada. Todas elas estão integradas umas às outras num conjunto que deve ser harmonizado pelo ação do Estado.

            Esta ação pode ser positiva ou negativa, no sentido de não interferir no equilíbrio pré-existente e dinâmico.

            Esta dinâmica não é dada por socialismo ou comunismo porque são próprias do capitalismo – único sistema de produção existente no mundo fático e insubstituível!

          • Corrigindo: esta dinâmica não é dada por socialismo ou comunismo porque é própria do capitalismo – único sistema de produção existente no mundo fático e insubstituível!

          • “Por exemplo, o Brasil viveu essa crise na década de 80, com o choque do petróleo”

            O que precisamos ter em conta, também neste caso, é que o Presidente Geisel, nacionalista queiramos ou não, tomou dinheiro emprestado para a implantação de +/- 400 empresas estatais, e fez isto não obstante o choque do petróleo de 1973, que no Brasil, como sempre, leva 2 a 3 anos para desabrochar. O que ele não contava era com um novo choque do petróleo no fim do deu governo, 1979, que finalmente estourou em 1982. E aí acabou-se o ciclo de governos militares. Não deu mais para segurar.
            Resumo da ópera: o Japão que importa todo seu petróleo, logo saiu da crise. Nós, só saímos depois do Plano Real, 1995. Saímos é uma bondade minha, pois estamos sempre atolados em crises e esporadicamente estamos bem.
            Culpa de quem ? Para mim é culpa de um sistema político apodrecido e a de um Estado paquidérmico e corrupto; não de hoje, a bem da verdade. Não foram os meliantes do PT, apoiados pela base enlameada que inventaram a corrupção. Apenas, por falta de prática, inexperiência ou ganância (quem nunca comeu mel no início se lambuza), deixaram o rabo de fora.

  17. No caso, um argumento muito utilizado pela escola de Chicago (o monetarismo de Milton Friedman, implantado no Chile a partir de 11/9/73) é de que a única intervenção do Estado na economia deveria ser o controle da oferta monetária, porque, na sua opinião, a inflação é decorrente do aumento da quantidade de moeda circulando na economia. O neoliberalismo teria como base teórica econômica o monetarismo de Milton Friedman.

    Sobre o pensamento de Keynes, segue sugestão de leitura.

    http://jus.com.br/artigos/17920/a-intervencao-do-estado-na-economia-por-meio-das-politicasfiscal-e-monetaria-uma-abordagem-keynesiana

    • É verdade, o Chile adotou com sucesso o pensamento de Chicago. E é verdade, também, que quanto maior é a quantidade de moeda, maior é a velocidade de circulação do meio de pagamento, fato que a desvaloriza.

      Tanto é assim, que quanto mais escasso, maior é o valor desse bem.

      Minha referência é: Assaf Neto, Alexandre. Mercado Financeiro, 10ª Ed., Editora Atlas. (Pgs. 15 a 18).

    • Está provado, cabalmente, que o Estado pode e deve intervir na economia no sentido de aumentar a demanda agregada, e até da oferta no que tange as lacunas do mercado.

      São quatro as políticas que o Estado deve se utilizar para o equilíbrio e o desenvolvimento econômico: política fiscal, política monetária, política de rendas e política cambial.

      • Essas políticas, entretanto, devem ser exercidas com muita acuracidade para não provocar desequilíbrios na estrutura de mercado com prejuízos ao povo, à sociedade.

        Por exemplo: essa arapuca da estagflação em que a economia brasileira caiu foi causada pelo abandono da política fiscal – do tripé de estabilização econômica – em que o Estado, sob o comando de Dilma, insuflou e excesso de liquidez, pelo excesso de despesa pública.

        O processo gerou inflação e necessidade de elevação da taxa básica de juros corrompendo a dinâmica da economia que se deu até 2010 com o crescimento da demanda agregada.

        Com o excesso de despesas do governo e um intervencionismo exacerbado (influindo nos preços ocasionados por diferenciação tributária), o mercado consumidor se chafurdou em dívidas e na carga tributária e foi espremido pela elevação da selic e os juros creditícios e pelo desgaste do poder de compra do resto da remuneração pelo processo inflacionário.

        Tudo isso por conta do excesso de intervenção estatal.

  18. Cada caso é um caso e no caso do diagnóstico de Greenspan sobre a América latina ele é perfeito e corresponde aos fatos políticos que a envolveram e que resultaram a olhos vistos em seu atraso e sua miséria.
    Só não vê que o Brasil e alguns vizinhos estão na contra-mão do mundo, e o pior, sempre estiveram, é o pior cego.

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