Sócio em consultoria americana, Moro nega conflito de interesses : “Ingresso para ajudar as empresas a fazer coisa certa”

“Não é advocacia”, escreveu Moro em sua conta no Twitter

Rayssa Motte a Fausto Macedo
Estadão

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro se manifestou nesta segunda-feira, dia 30, sobre a admissão como sócio-diretor da consultoria americana de gestão de empresas Alvarez & Marsal sete meses após deixar o governo Bolsonaro. Nas redes sociais, confirmou a contratação, que havia sido anunciada pela empresa no domingo, dia 29, e negou conflito de interesses no novo cargo.

“Ingresso nos quadros da renomada empresa de consultoria internacional Alvarez&Marsal para ajudar as empresas a fazer coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção. Não é advocacia, nem atuarei em casos de potencial conflito de interesses”, escreveu em sua conta no Twitter.

ANTIFRAUDE – O ex-juiz da Lava Jato vai atuar na área de ‘Disputas e Investigações’ da empresa em nível global, com base na sede da empresa em São Paulo. O foco do trabalho será o desenvolvimento de políticas antifraude e corrupção, governanças de integridade e conformidade e políticas de compliance.

Com mais de cinco mil funcionários em quatro continentes e escritório no Brasil em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, a A&M fornece serviços de consultoria, aprimoramento de desempenho de negócios e gestão de recuperação.

ODEBRECHT – A consultoria atua, por exemplo, no processo de recuperação da Odebrecht – empreiteira que fechou acordo de leniência com a Lava Jato e viu 77 de seus executivos fecharam delação premiada, inclusive o patriarca Emílio Odebrecht e seu filho Marcelo Odebrecht, que foi condenado por Moro em diferentes ações penais.

As negociações para levar Moro ao Alvarez & Marsal tiveram início nos Estados Unidos, onde a companhia foi criada. “Estamos muito felizes com a vinda do dr. Sérgio Moro como sócio diretor do Alvarez & Marsal. É um profissional com mais de 20 anos de experiência em investigação”, disse Adriano Ponciano, sócio da empresa.

Em nota divulgada à imprensa, a consultoria informou que a contratação de Moro está alinhada com o ‘compromisso estratégico da A&M em desenvolver soluções para as complexas questões de disputas e investigações, oferecendo aos clientes da consultoria e seus próprios consultores a expertise de um ex-funcionário do governo brasileiro’.

4 thoughts on “Sócio em consultoria americana, Moro nega conflito de interesses : “Ingresso para ajudar as empresas a fazer coisa certa”

  1. Moro, sabidamente honesto, é vigiado para não cometer erros; do presidente, com tantos tisnes em sua biografia e um comportamento decididamente rude, o pessoal não se ocupa. Critiquem, por exemplo, a presença maciça de oficiais da reserva sem especialização que melhore a administração civil (exemplo gritante é o excelentíisimo Pazuello que não deve saber de que lado fica o fígado, mas é min da Saúde!

  2. Alguns vocacionados à pistolagem, no início de carreira, buscam empreitada para matar uma pessoa famosa, e a partir de então ganharem fama, no submundo do crime; ao mesmo tempo que estabelecem um patamar do valor e parfil de quem devem executar, dali pra frente.
    Mark Chapman ansiava tanto por ser John Lennon, ao ponto de se despersonificar, assumido e encarnando o próprio Beatles, mas apenas na sua cabeça esquizofrênica. Até que em um minuto acordou, alfim, e descobriu que a pretendida transfiguração era apenas uma fósmea. Daí chegou á conclusão: “Não me é possível ser o Lennon, todavia, posso-me tornar tão famoso quanto: shot! shot! shot! shot! Times over!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *