Somente comparações percentuais podem definir rumos e ritmos do coronavírus

Coronavírus - Ministério é criticado por ocultar dados da pandemia

Ministério da Saúde é criticado por ocultar dados da pandemia

Pedro do Coutto

Num pacto inédito na imprensa brasileira, reunindo O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Extra e os portais G1 e UOL, pode se esperar obter dados verdadeiros sobre a pandemia do coronavírus no Brasil. Por isso, a extrema importância da fidelidade das informações e sua aplicação prática. O problema é urgentíssimo e o presidente Bolsonaro precisa assumir a responsabilidade pelo trabalho do governo federal.

Afinal de contas, existe o Ministério da Saúde e daí conclui-se de forma cristalina a participação do Planalto na direção do problema que atinge forte e frontalmente toda a população brasileira.

ENCARGO COMUM – O combate a pandemia não é somente responsabilidade dos governadores e prefeitos. Se assim fosse o Ministério da Saúde não teria a obrigação de atuar contra o vírus que está ameaçando o Brasil e o mundo. 

Portanto, se existe Ministério da Saúde, é porque suas ações são fundamentais no panorama global e não apenas restrito a opiniões teóricas. O problema maior é que há necessidade de ter um ministro na Pasta, que entenda do assunto.

Vamos falar no lance de dados percentuais. Antes porém, chamo atenção para o pronunciamento do ministro Dias Toffoli que ontem afirmou, como se lê hoje nos jornais, que as ações do presidente Bolsonaro têm trazido dubiedade sobre a democracia, o que assusta a sociedade brasileira. A reportagem é de Washington Luiz e Carolina Brígido, em O Globo.

HÁ DUBIEDADE – Essa declaração foi o fato político mais importante de ontem para hoje. Também houve mais 849 mortes em 24 horas, de acordo com informações obtidas pela frente integrada pela imprensa. Tais dados não são os fornecidos pelo Ministério da Saúde. Mas esta é outra questão. André de Souza, Gustavo Maia e Paula Fernandes publicam a reportagem no Globo de hoje. 

Mas falei na exigência natural da comparação dos dados percentuais. Daí a obrigação centímetro a centímetro da veracidade dos números. A questão baseia-se no seguinte: comparar o crescimento dos dados de morte, com os dados de um possível estacionamento de casos fatais e não fatais. Além disso, claro, tem de se incluir os números exatos da contaminação, assim como os casos de recuperação dos pacientes. 

Vamos ao plano concreto, pois de teorias que se chocam com a realidade todos nós estamos “cheios”. A teoria na prática é outra coisa.

COMO PROCEDER – Chegamos assim ao ponto essencial. Primeiro, comparar os dados de contaminação de um dia para outro. Segundo, comparar o número de falecimentos no mesmo período. Fechando o triângulo, confrontar através da mesma lente o total de contaminados de um dia para outro.

Só assim é que os cientistas, médicos, biólogos, infectologistas e outros poderão ter a noção exata das tendências de velocidade delas tanto para cima quanto para baixo, não esquecendo que os números também podem indicar o estacionamento. O enfoque cristalino revelará a tendência ascendente, estacionária ou declinante, como disse há pouco. Aí é que se sabe a tendência verdadeira.

Sei que os médicos que lerem este artigo vão fazer a pergunta: E os casos de recuperação? Acrescento então que são igualmente fundamentais, porque podem apontar a diferença entre métodos de tratamento. O coronavírus é um fantasma que só pode ser enfrentado através da lógica científica e não da mágica que oculta uma omissão.

3 thoughts on “Somente comparações percentuais podem definir rumos e ritmos do coronavírus

  1. Separar a contagem dos óbitos ocorridos num dia, daqueles ocorridos semanas atrás, é mandatório para se ter a noção da evolução diária da peste chinesa. Mas, para os “espancadores de dados”, o correto é informar à população que o sujeito que foi sepultado um mês atrás … morreu hoje … coisa de louco, meu.

    Todo brasileiro bem informado conhece um fato indesmentível: Globo, Folha e Estadão são os maiores falseadores de notícias. Agora, insatisfeitos com a mudança do MS, que vem para refletir com mais fidelidade a evolução da peste, juntaram-se para formar a frente única de manipulação da covid19. Por falta de credibilidade, vão quebrar a cara.

    É óbvio que a responsabilidade final pelo enfrentamento da epidemia é dos governadores e prefeitos. São eles que gerenciam a saúde pública em seus estados e municípios; são eles que põem a mão na bufunfa e, portanto, são eles que devem prestar contas. Se tudo isso não basta, lembremos que o tal do STF, atendendo pleito dos governadores, impediu o Presidente Bolsonaro de interferir nas decisões locais. Ponto final.

    • Sou analista de sistema, entre outras atividades.
      Os dados corrigidos/ajustados são lançados no dia da ocorrência e não na data de hoje, como você imagina.
      Os ajustes não alteram os valores de hoje e sim o movimento do dia da ocorrência.
      Eles podem, sim, modificar o valor acumulado, mas isso não é problema e sim solução.
      Os gráficos apresentados terão os valores ajustados, nada impossível de fazer.
      Mas se quiser esconder, nada melhor do que … ‘o que passou, passou’.

  2. Nada mais assusta a assustada população brasileira.
    Até o combate a corrupção que parecia firme, foi destruída pelos vírus integrantes do congresso e judiciário e o pior; com aprovação do PR.
    Se houvesse estudo sério, ficaria claro que a corrupção mata varias vezes mais que qualquer vírus ou bactéria.

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