Sonhos perdidos e frases guardadas, segundo Carlos Fernando e Geraldo Azevedo

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Carlos Fernando, um grande compositor pernambucano

Paulo Peres
Site Poemas & Canções


O compositor pernambucano Carlos Fernando (1938-2013), na letra de “Elo Partido”, em parceria com Geraldo Azevedo, retrata que para o casal é melhor expor a verdade na hora da separação ao invés de sofrer em silêncio. A música foi gravada por Geraldo Azevedo no LP Bossa Tropical, em 1989, pela RCA.

ELO PARTIDO
Geraldo Azevedo e Carlos Fernando

Sonhos perdidos
Frases guardadas
Elo partido, vidas
Partem do nada

Foi melhor assim
Do que acumular no peito
Tanta dor e mágoa
Fazer do coração
Que ensina as coisas claras
Um simples objeto
À margem da questão

Sonhos perdidos
Frases guardadas
Elo partido, vidas
Partem do nada

Bebemos nossas fontes
Com nossas palavras
Ao mirar teus olhos
Destilei em lágrimas

2 thoughts on “Sonhos perdidos e frases guardadas, segundo Carlos Fernando e Geraldo Azevedo

  1. Separação é sempre dolorosa. Só quando “não dá mais pra segurar/explode coraçao”
    Hoje não há mais tolerância que é preciso em qualquer relação entre marido e mulher, entre familias – ninguém se tolera. Todos exigem perfeição.
    Não precisa guardar no peito tantas mágoas.

    “Sonhos perdidos
    Frases guardadas
    Elo partido, vidas
    Partem do nada”

  2. A separação dói e como dói. Vejam esta separação na poesia de Affonso Romano de Sant’Anna

    Desmontar a casa
    e o amor. Despregar
    os sentimentos das paredes e lençóis.
    Recolher as cortinas
    após a tempestade
    das conversas.
    O amor não resistiu
    às balas, pragas, flores
    e corpos de intermeio.

    Empilhar livros, quadros,
    discos e remorsos.
    Esperar o infernal
    juizo final do desamor.

    Vizinhos se assustam de manhã
    ante os destroços junto à porta:
    -pareciam se amar tanto!

    Houve um tempo:
    uma casa de campo,
    fotos em Veneza,
    um tempo em que sorridente
    o amor aglutinava festas e jantares.

    Amou-se um certo modo de despir-se
    de pentear-se.
    Amou-se um sorriso e um certo
    modo de botar a mesa. Amou-se
    um certo modo de amar.

    No entanto, o amor bate em retirada
    com suas roupas amassadas, tropas de insultos
    malas desesperadas, soluços embargados.

    Faltou amor no amor?
    Gastou-se o amor no amor?
    Fartou-se o amor?

    No quarto dos filhos
    outra derrota à vista:
    bonecos e brinquedos pendem
    numa colagem de afetos natimortos.

    O amor ruiu e tem pressa de ir embora
    envergonhado.

    Erguerá outra casa, o amor?
    Escolherá objetos, morará na praia?
    Viajará na neve e na neblina?

    Tonto, perplexo, sem rumo
    um corpo sai porta afora
    com pedaços de passado na cabeça
    e um impreciso futuro.
    No peito o coração pesa
    mais que uma mala de chumbo.

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