Strauss-Kahn está na pior: Justiça nos EUA não é como no Brasil

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo no final da tarde de quarta-feira, mas com base na reportagem do correspondente de O Estado de São Paulo em Nova Iorque, Gustavo Chacra, relatando que a situação do praticamente ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, é das piores. A juíza Nelissa Jackson, negou a fiança de um milhão de dólares, mas ontem o advogado fez novo pedido e foi aceito. Vale acentuar que a Justiça americana não é a brasileira. Em nosso país, já teria sido concedido habeas corpus para o político francês, que inclusive liderava as pesquisas para a sucessão presidencial de maio de 2012. Este ano ele iria – não vai mais – disputar as prévias do Partido Socialista.

O panorama não está nada bom para Strauss porque seu próprio advogado, Benjamim Brafam, abandonou a tese da negativa de estupro da camareira e cárcere privado e evoluiu para o plano do sexo por consenso, ou seja, a camareira, cuja face até este momento não apareceu na imprensa, teria aderido à intenção revelada por Kahn. Difícil. O ataque ocorreu ao meio-dia de sábado, o diretor do FMI deixou o Hotel Sofitel às 12 horas e 28 minutos.

Imediatamente a camareira procurou a Polícia. Esta agiu rápido e retirou Dominique preso da primeira classe do avião que o levaria a Paris. Mais cinco minutos e ele estaria em pleno vôo. Foi para a cadeia. Sai dela hoje para depor, provavelmente confrontando-se com a camareira que se transformou em personagem como a dama oculta de Hitchcock, e para as grades deverá voltar se depender da vontade de Melissa Jackson. Tem-se a impressão que a juíza não relaxará a prisão muito menos o processo. Pois se fosse esse o caminho na sua consciência, ela teria homologado a fiança de 1 milhão de dólares.

Mas eu disse que o sistema judicial americano é diferente do brasileiro. Vejam só. O deputado Paulo Maluf encontra-se com a prisão decretada pela Justiça de Nova Iorque. Em nosso país ele é deputado federal e convidado pelo governador Geraldo Alckmim a indicar  um representante do PP, de sua confiança, para integrar o governo de São Paulo. Nos Estados Unidos, as decisões são rápidas. No Brasil ameaçam eternizar-se. Outro dia neste site referi aos casos Ademar de Barros-Chagas Freitas (49 anos sem decisão definitiva), testamento de Assis Chateaubriand deserdando os filhos, começou em 69, indenização à Tribuna da Imprensa, ação impetrada em 79, vitoriosa no Supremo, mas até hoje sem consequência concreta.

Nos EUA, o processo Watergate foi totalmente decidido em dezoito meses. Richard Nixon renunciou e seu Secretário de Justiça, John Mitchell, cumpriu pena de três anos na prisão. Não houve protelação alguma. Os responsáveis pelo escândalo da Eron cumprem pena na cadeia, o ex-banqueiro, responsável pelo golpe internacional das pirâmides Bernard Madoff, foi condenado a 157 anos. Na verdade prisão perpétua.

Em nosso país os crimes financeiros ficam impunes. Banqueiros praticam assaltos através dos roteiros da informática e nada acontece. Pelo contrário. São consagrados personagens do society, cujo fascínio, é verdade perdeu a maior parte de seu brilho com o desaparecimento de Ibrahim Sued e Zózimo Barroso do Amaral. Mas esta é outra questão.

Se o espólio torpe em que se envolveu tivesse ocorrido no Brasil, Strauss-Kahn continuaria hospedado no Sofitel, no Copacabana Palace ou no Caesar Park. Mas nos EUA é diferente. Não será nada fácil o quase ex-diretor do FMI e ex-candidato às eleições francesas livrar-se de si mesmo. Pois ele, e mais ninguém, o causador de tudo.

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