Subida de Jair Bolsonaro foi habilmente construída por seus apoiadores

Charge do Sponholz (sponhoz.arq.br)

Vera Magalhães
Estadão

Uma profecia autorrealizável é um prognóstico que, ao ser tomado como crença por quem o repete, acaba por provocar sua realização. O crescimento de Jair Bolsonaro, a despeito de muitas circunstâncias adversas, foi construído de maneira engenhosa por seus apoiadores muito com base nesse mecanismo simples, mas que foi usado com brilhantismo.

Começou com a construção da mitologia em torno de um deputado saído diretamente do folclore do baixo clero politicamente incorreto, ganhou alicerces nas redes sociais antes mesmo de ter um partido, tão fundados que prescindiram da antes poderosa propaganda em rede nacional de TV, e mostrou ser uma máquina muito bem azeitada, na verdade, depois do atentado a Bolsonaro.

FALSO MAMBEMBE – Ali a estrutura que muitos – incluídos aí nós, jornalistas – julgavam mambembe se mostrou sofisticada no que tinha de organicidade, mas também de cálculo político.

Diante do início da pregação de candidatos como Geraldo Alckmin de que Bolsonaro perderia para o PT num eventual segundo turno, seus apoiadores retrucaram (ele próprio estava incapacitado de fazê-lo, por estar no hospital) imediatamente com a forte pregação para que lhe fosse, então, dada a vitória já no primeiro turno, como forma de se precaver para a volta do petismo.

A eficiente rede de propagação da profecia, via WhatsApp e redes sociais, muitas vezes operando no limite da irresponsabilidade, com a disseminação da versão segundo a qual uma não vitória seria fraude, ajudou a engrossar o caldo.

#ELESIM – Por fim, a reação também imediata ao #EleNão, com um #EleSim no dia seguinte, acabou por cristalizar os votos que Bolsonaro já tinha e trazer outros entre relutantes e antes envergonhados, mas que foram saindo do armário com o álibi virtuoso de que tudo é melhor que a volta do PT.

Os últimos quatro dias serão de carga total para realizar a profecia já no domingo. Os adversários, por ora, se mostram como baratas tontas diante do bonde do capitão. Discursos de apelo à racionalidade ou ao voto útil, críticas ao histórico de declarações e votos de Bolsonaro, nada cola nele. E a rejeição a Fernando Haddad, que galopa na mesma velocidade da transferência de votos de Lula, pode ajudar com os pontos que faltam.

MERCADO APOIA – Agentes do mercado financeiro diziam ontem que a euforia que se abateu sobre o setor, com alta da Bolsa e queda do dólar, foi impulsionada, além da pesquisa Ibope que mostra uma possibilidade de vitória do candidato do PSL já no primeiro turno, pela declaração que ele deu na segunda-feira nas redes sociais favorável a privatizações. Tanto que as ações de estatais puxaram a alta.

Bolsonaro já havia dito isso antes, desde que começou seu namoro liberal com Paulo Guedes, mas ter reforçado às vésperas do pleito, depois de alguns ruídos em matéria econômica causados por integrantes da campanha, foi como música para os ouvidos dos bancos, fundos e corretoras. O mercado está tão “comprado” em Bolsonaro que já projeta o dólar abaixo de R$ 3,70 na semana que vem caso se concretize a profecia de vitória já. A torcida reflete o medo da capacidade do PT de se fortalecer no segundo turno, como ocorreu com Dilma Rousseff mesmo desgastada em 2014.

14 thoughts on “Subida de Jair Bolsonaro foi habilmente construída por seus apoiadores

  1. Dilma se fortaleceu no segundo turno? Ela teve uma diferença para o Aécio de 8 pontos no primeiro e de somente 3 no segundo. Essa mulher pesquisa o que fala? E ignora que o tsunami Bolsonaro não teve nenhuma tática assim tão espetacular, mas sim o apoio de PESSOAS de carne e osso que estão de saco cheio de serem doutrinadas pelo governo, acadêmicos, artistas e mídia. Liberdade para pensar por si mesmo. É isso que as pessoas querem. Chega de evacuadores de regras.
    Este vídeo mostra a diferença entre o que esta senhora vive e o mundo real:
    https://www.facebook.com/alertadenoticiasdabaixada/videos/309511266501469/?t=1

  2. Bolsa é manipulação e o dólar também.
    A imprensa e os desavisados listam “n” motivos para a bolsa e o dólar subirem ou descerem mas no funda a coisa se resume em ganho de dinheiro de alguns e perda de dinheiro de muitos através de grupos que possuem “bala na agulha” para fazer o mercado subir ou descer à luz de seus interesses.
    Em relação à subida do boçal eu credito o fato à quarentena que ele fez depois da facada que o “impediu” de participar dos debates e falar o mínimo de besteiras possíveis.
    O boçal calado é um poeta!
    Já está se borrando de medo de participar do último debate pois sabe que será massacrado e a colinha na mão não vai dar para buscar argumentos para toda a pugna.
    Desta vez vai se esconder atrás da bolsinha de fezes!!!

  3. Ao Ciro falta o controle emocional;
    à Marina, a competência;
    Ao Alckimin, falta a confiança do eleitor;
    Ao Alvaro Dias e ao Amoedo, faltam os votos;
    ao Haddad, falta a honestidade;
    e ao Bolsonaro, faltam 4 dias.

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