Submisso ao imprio latrogenocida, por Adriano Benayon

Adriano Benayon

Em reunies nas quais se canta o Hino Nacional, vemos comoventes sentimentos de solidariedade, embora as pessoas ignorem que o Brasil est perdendo as ltimas expresses de independncia. A partemais consciente do povo desaprova a submisso dos poderes da Repblica ao imprio mundial, mas predomina a passividade no grosso da populao, anestesiada pelas redes de televiso e demais fontes da alienao. Pior: muitos percebem a submisso e a aceitam como natural.

A Nao recentemente assistiu, com grande cobertura dos meios de comunicao de massa, ao espetculo deprimente da visita de Obama ao Brasil. Com medo de incidentes e demonstraes contrrias, ele desistiu de falar na Cinelndia diante do povo, no obstante os servios de segurana dos EUA terem obtido carta branca, em todos os lugares do Brasil por onde passou o relaes-pblicas do imprio, para ocupar e controlar esses lugares durante o tempo que quisessem.

Entre os copiosos vexames e pisoteios dignidade nacional, ministros e outras autoridades brasileiras foram revistados por policiais dos EUA.

Passando para os assuntos substantivos, o governo brasileiro firmou uma dezena de acordos com o governo norte-americano, como se o Brasil j no estivesse amarrado a acordos bilaterais e multilaterais grandemente lesivos aos seus interesses.

Apressou-se, ainda, com a colaborao no menos subserviente do Congresso, em fazer com que este ratificasse acordos assinados h mais tempo, como o de transporte martimo entre o Brasil e os Estados Unidos, assinado em Washington em setembro de 2005.

Esse tratado permite que navios norte-americanos transportem cargas reservadas brasileiras, ao excluir da reserva de mercado as cargas a granel e as transportadas entre portos ou pontos do territrio de um dos dois pases. Ele fora aprovado na Cmara dos Deputados e estava pendente na Comisso de Relaes Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

Ali a relatora, Gleisi Hoffmann (PT-PR), recomendou a aprovao, louvando-se na contraditria opinio da Agncia Nacional de Transportes Aquavirios ANTAQ – (mais uma agncia criada sob o modelo Washington-FHC), segundo a qual o pacto no acarretar perdas de fretes para as empresas brasileiras de navegao.

Em suma, uma visita oficial em que o Estado-cliente, saqueado em seus recursos naturais, humanos e financeiros, presta vassalagens ao Estado-imperial. Por toda parte, tapetes vermelhos em homenagem ao estafeta dos banqueiros de Wall Street e do complexo industrial-militar.

No caso, pode-se dizer que os tapetes vermelhos simbolizam o sangue de milhes de seres humanos massacrados, mundo afora, pelo imprio e seus coadjuvantes.

No mesmo instante, vtimas de mais um latrogenocdio estavam sendo atingidas na Lbia pelos msseis das foras do imprio formado pelos EUA e Reino Unido, com a ajuda de um satlite, a Frana, como foram antes as vtimas imoladas com as bombas de urnio e outras armas de destruio em massa na Srvia, no Iraque, no Afeganisto e em noutros pases.

Por aqui, por enquanto, trata-se do sangue de martirizados sem agresso militar, mas por meio da poltica econmica do governo e do Banco Central, que outra coisa no faz seno desnacionalizar, desindustrializar a economia e favorecer os bancos e empresas oligopolistas e monopolistas.

Essa poltica, entre os danos que causa ao Pas no interesse das transnacionais financeiras e industriais estrangeiras, no controla nem preos nem quantidades dos minrios e outros recursos naturais estratgicos e preciosos que saem do Pas.

Atravs desse esquema, o Brasil acumula saldos negativos nas transaes correntes com o exterior e paga conta anual de juros cada vez mais pesada na dvida externa, bem como a dos juros mais altos do Mundo na dvida interna.

insensatez justificar os rapaps aos agentes imperiais em nome de acenos destes, ao dizer que vem com bons olhos a pretenso de o Brasil tornar-se membro permanente do Conselho de Segurana da ONU.

Primeiro, so meros acenos. Segundo, de nada vale o suposto prmio maior subservincia. Seria s pretenso prestgio para um governo que tributa seu povo em favor do estrangeiro. Seria honra vazia, enquanto o Pas se desindustrializa e est destitudo de poder militar num mundo em que s a fora assegura direitos.

Adriano Benayon, doutor em economia, autor de
Globalizao versus Desenvolvimento. O texto foi
publicado originalmente em A Nova Democracia

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