Sucessão 2010 acabou com os votos em São Paulo

Pedro do Coutto

Com a vantagem de Dilma Rousseff em São Paulo, alcançando 41 pontos contra 36 de José Serra, registrada pelo Datafolha, além de sua liderança nas quatro regiões do país em matéria de intenção de voto, pode-se dar como liquidada a sucessão presidencial de 2010. Disputa pelo Palácio do Planalto, agora, só em 2014. A diferença na terra paulista torna-se definitiva, não somente por ela em si, mas sobretudo comparando-se as posições de Dilma, Serra, Alckmim e Aloísio Mercadante.

São dois levantamentos quase simultâneos, publicados respectivamente nas edições de 26 e 27 de agosto da Folha de São Paulo. O que se evidencia? Enquanto a ex-chefe da Casa Civil avançou de 34 para 41, Serra caiu de 41 para 36. O círculo crítico em torno  do ex-governador se fecha comparando-se as intenções de voto para Geraldo Alckmin e Aloísio Mercadante rumo ao Palácio Bandeirantes. Alckmin permaneceu na escala de 54 e Mercadante subiu de 16 para 20%. Vantagem  portanto muito grande para o candidato do PSDB. Mas que não é acompanhada pelo desempenho de Serra.

Logo, deduz-se claramente que uma parcela bastante expressiva do eleitorado estadual vota tanto em Alckmin quanto em Dilma. Os pólos refletem tendências que se cristalizam e mesmo se ampliam. Há, assim, uma resistência ao tucano exatamente no estado do qual foi governador e que deixou em seu lugar o vice Alberto Goldman. Ocorre um desabamento na estrada do candidato. E uma construção de votos, passo a passo, no sentido da candidata. Os quadros federal e estadual parecem difíceis de reverter. Geraldo Alckmin retorna ao governo de São Paulo. Rousseff alça vôo para descer no Planalto em janeiro do próximo ano. Falta pouco mais de um mês para as urnas de outubro.

Mas não são apenas as sucessões de Lula e Alberto Goldman que se encontram praticamente decididas, ostentando quadros irreversíveis à primeira vista. No mesmo caso estão também as do Rio de Janeiro, com Sérgio Cabral permanecendo no Palácio Guanabara, Jaques Wagner na Bahia, Eduardo Campos em Pernambuco. No Rio, Sérgio Cabral lidera com 56 pontos contra apenas 17 de Fernando Gabeira. No Rio Grande do Sul, Tarso Genro amplia vantagem distanciando-se de José Fogaça e mais ainda da governadora Ieda Crusius, cuja derrota, nesta altura dos acontecimentos, é mais do que certa. No Paraná, até o momento cômoda a posição de Beto Richa, com 47, batendo Osmar Dias que tem 34%. Os demais candidatos somados têm um ponto. Se Osmar Dias não subir, termina no primeiro turno a eleição.

O mesmo não se pode dizer de Minas Gerais. Uma surpresa na pesquisa Datafolha publicada a 27 na Folha de São Paulo, Antonio Anastasia avançou nada menos que 12 pontos, começando uma arrancada para se aproximar de Hélio Costa que tem 43. Mas na espontânea, aí a surpresa, Anastasia lidera: 17 a 14. Incrível. O levantamento necessita ser testado com atenção, pois tal divergência é incomum. Os números, aliás como aconteceu em recente pesquisa nacional que comentei, podem divergir entre estimulados e espontâneos. Porém as colocações não. Temos que esperar as próximas pesquisas para avaliar mais nitidamente o peso de Aécio Neves na disputa. Anastasia foi seu vice-governador. Um claro indicativo de que a atropelada é forte e está no fato de Helio Costa ter pedido a Lula que vá a Minas para reforçá-lo. Sinal de alerta portanto no convés da aliança mineira entre PMDB e PT. José Fernando Aparecido de Oliveira aparece com um ponto. Não sensibiliza o foco central da luta pelo Palácio da Liberdade.

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