Sucessão no RJ começa a se desenhar, mas há dúvidas

Pedro do Coutto

Com o lançamento da candidatura de Fernando Gabeira ao governo do estado, marcado em princípio para o próximo dia 15, o quadro da sucessão no Rio de Janeiro começa a se desenhar com um pouco mais de nitidez, mas há dúvidas no horizonte.

O governador Sergio Cabral claro é o candidato do PMDB. Lidera as pesquisas do Ibope e do Datafolha. Mas o deputado Wagner Montes, que é o segundo em intenção de votos, não vai disputar. Para quais candidatos irão as tendências que assinala? O ex governador Anthony Garotinho, terceiro nos levantamentos, mantém a candidatura. Agora surge Fernando Gabeira, pelo PV, e também indicado pelo diretório estadual do PPS que, nesse sentido, aprovou proposta apresentada pelo economista Filipe Campelo, em de seus integrantes.

A iniciativa foi vitoriosa por 17 votos a 11 que preferiam apoiar Sergio Cabral. Lidberg Farias, antigo cara pintada do movimento contra Collor, em 92, atual prefeito de Nova Iguaçu, é candidato, mas depende do que decidir convenção estadual do PT. Esta, basicamente, divide-se entre ele e Sergio. Vai depender do que for decidido no plano federal.

O destino de Fernando Gabeira, que deve contar com a participação da juíza Denise Frossard em sua campanha, como candidata ao senado, é o nome de preferência do PSDB, como ocorreu nas eleições para prefeito do Rio no ano passado. Mas aí surge um problema.
Pertencendo ao Partido Verde, e Marina Silva sendo candidata à sucessão presidencial pela legenda à qual se filiou há poucos dias, torna-se impossível, pela Lei Eleitoral, Gabeira obter o apoio dos tucanos numa aliança. Isso porque Gabeira não poderá se desvincular da senadora pelo Acre e assim bloquear o apoio do PSDB que, no plano federal, tem José Serra como candidato à sucessão de Lula.

Exatamente por este motivo, o prefeito da cidade de Caxias, Camilo Zito, revelou sua intenção de ser candidato, uma vez que sua adesão à candidatura Serra é declarada. Nem poderia ser de outra forma: Zito é do PSDB.O problema se desloca assim para a formação das bases e dos palanques estaduais no sentido das candidaturas já colocadas do governador de São Paulo e da ministra Dilma Roussef no plano federal.

No panorama atualmente visto da ponte para 2010, em princípio, Sergio Cabral, Anthony Garotinho e Lindberg apóiam a chefe da Casa Civil. Sobra pouco espaço de manobra. Zito apóia Serra e Fernando Gabeira, de início, estava naturalmente propenso a escolher também Serra.Mas com Marina Silva passa a viver um dilema. Até porque Marina Silva retira votos de Dilma, mas pessoalmente apresenta pouca densidade eleitoral.

O PV sozinho, vendo-se a questão por outro prisma, tem direito a muito pouco tempo nos horários de propaganda eleitoral gratuita. Uma aliança com o PSDB forneceria um campo aberto para Gabeira em sua nova aventura verde. Sem o PSDB, os espaços, acrescidos somente pelo PPS, serão muito pequenos.

Este é o quadro,porém sujeito a chuvas e mudanças como é próprio da política.Gabeira logicamente terá o apoio do PSOL de Heloisa Helena, apoio politicamente importante mas que não lhe acrescentará abertura maior na propaganda eleitoral.

São dilemas, certezas, caminhos e descaminhos. Política é assim mesmo.

Hoje, certas, de fato, só existem as candidaturas de Sergio Cabral e de garotinho. Aliados em 2006, adversários e quase inimigos hoje. É a vida.

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