Sucesso de Lula não é produto só de publicidade

Pedro do Coutto

O êxito extraordinário alcançado pelo presidente Lula junto à opinião pública do país (87% de aprovação, segundo o IBOPE) não está de forma alguma colocado em função dos gastos do governo no setor de publicidade envolvendo jornais, redes de televisão, emissoras de rádio e sites na internet.

Sob o título Bomba Relógio, o jornalista Fernando Rodrigues publicou artigo sobre o que seria o esquema publicitário do Planalto, na edição de 29 de Dezembro da Folha de São Paulo. Equivocou-se no enfoque, esquecendo-se de comparar os números que obteve com o volume total, por ano, da publicidade veiculada no Brasil. Estes índices, relativos aos primeiros cinco meses de 2010, foram publicados pela própria FSP de 28 de julho.
Praticamente 10 bilhões de reais, o que indica que em todo o exercício atingiram mais de 27 bilhões, já que as injeções comerciais aumentam acentuadamente nos meses de novembro e dezembro.

É só conferir o número de ofertas de produtos que lotam cadernos e mais cadernos dos grandes jornais. Cito apenas três: O Globo, a mesma Folha e O Estado de S. Paulo. A média mensal de 2 bilhões duplica nos dois meses finais do ano.

Fernando Rodrigues, um excelente profissional, afirmou que a atual administração teria despendido 1 bilhão de reais. Francamente é muito pouco. Deve ter gasto muito mais. Para um total de 27, a fração 1 representa 0,4%. Com base em informações anteriores, os gastos oficiais publicitários participam com 25% do volume total. Mas neste caso temos que incluir as despesas também dos governos estaduais no bolo. Seja como for, a injeção federal no mercado institucional é muito pequena.

Mesmo que fosse grande, não seria capaz de transformar a impopularidade em popularidade. O próprio Fernando Rodrigues sustenta que a despesa de Lula com publicidade foi a mesma de Fernando Henrique. A diferença estaria no fato de FHC ter aplicado 1 bilhão (em 2002) em menos de 600 veículos e Lula ter investido a mesma importância, porém distribuindo-a por 8 mil órgãos de comunicação, incluindo portanto pequenos jornais e emissoras radiofônicas do interior. Mas se o desembolso foi o mesmo, os índices de aprovação e rejeição não coincidiram.

Luís Inácio deixa o poder com um recorde mundial de aplauso. FHC saiu de Brasília com a imagem negativa. Tanto assim que sua presença nas campanhas eleitorais de José Serra, Geraldo Alckmin e novamente Serra, não encontrou espaço por parte dos candidatos tucanos. Ele próprio reclamou disso logo após encerrada a computação dos votos na madrugada de primeiro de novembro. Afirmou-se inclusive
 disposto a não endossar posições  partidárias que julgou incompletas e inadequadas.

Logo, o diferencial entre Lula e Fernando Henrique  não se encontra na atuação do marketing publicitário. O marketing é um adjetivo. A popularidade resulta de fatos substantivos e concretos. A política salarial, um deles. A não privatização, outro. O nível de emprego um terceiro.

O VOTO E O POVO

Um outro assunto. Leio no site da Tribuna da Imprensa  comentário do leitor Luiz Antônio dizendo que a vitória de Dilma Roussef não foi tão expressiva (56 a 44%) porque 10 milhões votaram em branco ou anularam e 19 milhões não foram votar, abstiveram-se. O eleitorado total é de 135 milhões de pessoas. Muito baixa, portanto, a taxa de brancos e nulos. Quanto à abstenção, temos que considerar o índice de mortalidade anual (0,6%) , o de doenças incapacitantes e internações hospitalares. O último cadastramento (ou re) eleitoral brasileiro foi efetivado em 1986. De lá para cá passaram-se 24 anos.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *