Supertécnicos justificam a mediocridade

Tostão (O Tempo)

Aos poucos, o estilo do futebol brasileiro, orgulho nacional, foi modificado e dilapidado. Criaram outro futebol.

Muitas equipes passaram a jogar com três zagueiros (três autênticos ou dois e mais um volante-zagueiro) a fazer marcação individual, como a de Adriano sobre Ronaldinho, no jogo entre Santos e Atlético, a jogar com dois ou três volantes brucutus, para proteger os zagueiros e fazer a cobertura dos laterais, a ter um único meia responsável por toda a criação de jogadas, a dar chutões, a privilegiar jogadas aéreas, a cometer um absurdo número de faltas e a tumultuar as partidas. Tudo programado e compartimentado.

Os técnicos criaram verdades e dogmas para justificar essa mediocridade coletiva, com o apoio de parte da imprensa. Todas as partidas passaram a ser analisadas a partir da conduta dos técnicos. Havia até um programa na TV, o “Super Técnico”. Era duro assistir a tanta prepotência.

O futebol feio, ineficiente e violento atingiu níveis insuportáveis. Até a turma do oba-oba tem reclamado. Muitas coisas começam a mudar, timidamente. São ilhas de esperança. Algumas partidas são excelentes, como a entre Fluminense e Grêmio, dois times organizados, que colocam a bola no chão. O jogo foi do mesmo nível técnico dos grandes clássicos europeus.

A mediocridade convive com alguns excelentes jogadores, geralmente veteranos, e com Neymar, um fenômeno. Ele, se tiver, com frequência, as mesmas atuações contra as melhores equipes do mundo, seja atuando pelo Santos, pela Seleção ou por um dos grandes times da Europa, se tornará um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Acho que isso é questão de tempo.

Um clube que tem um Neymar não possui um rápido e bom atendimento a atletas com graves problemas na partida. Muito mais importante que a entrada da ambulância é ter condições técnicas, tecnológicas e médicos capacitados para atender os jogadores, conduzi-lo à ambulância bem equipada e, em seguida, ao hospital. Na Inglaterra, exemplo de organização, as ambulâncias não entram no gramado. Todos os estádios brasileiros têm de ser, com frequência, vistoriados.

Quando a seleção, mesmo contra adversários medianos, como o Japão, mostra dois zagueiros que têm bons passes, volantes que marcam e atacam com qualidade, e quatro jogadores adiantados que são meias e atacantes, cria-se uma esperança de que o Brasil possa ter um ótimo time na Copa e que isso provoque mudanças nas equipes brasileiras.

Outros acham que, para reagir, a única solução é jogar mais e perder o Mundial. Cresce também o número de indiferentes. Penso que, depois da Copa, independentemente do que ocorrer, nosso futebol nunca mais será o mesmo, para melhor ou para pior.

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