Supervia e Sérgio Cabral: mais uma vez a grave vergonha se impõe pela força

Pedro Ricardo Maximino

Está cada vez mais difícil conseguir chegar ao trabalho no Rio de Janeiro. Nós moramos no subúrbio e na baixada e trabalhamos no Centro e na Zona Sul porque somente lá é que estão as oportunidades de trabalho com salários que possibilitam a nossa sobrevivência e a de nossa família.

Enfrentamos o martírio de horas em trens fechados, sem circulação de ar, quente e abafados, com portas e janelas emperradas e que param no meio do caminho, quebram no meio da linha sem nenhuma justificativa razoável, sem sequer cumprir minimamente o contrato de transporte, nos levando ao nosso destino, o trabalho que nos desconta diariamente o injustificável atraso causado sempre pela Supervia, concessionária que renovou a falta de vergonha pública com o Sr. Sérgio Cabral.

Hoje fiquei em Deodoro e caminhei até a Avenida Brasil, atrasado e impossibilitado de seguir viagem ou receber meu dinheiro de volta. Além disso, quem se revolta com o banditismo da Supervia é tratado como criminoso.

O que dizer acerca dos direitos humanos, quando somos atingidos diaria e aleatoriamente por cassetetes, armas de choque e gases paralisantes. Os protestos são inevitáveis diante do tratamento absurdo e da deficiência dolosa da Supervia.

Depois da paralisação da circulação dos trens, causada pelo justo protesto de passageiros contra a injustificável quebra de todos os dias, na estação do Engenho Novo, na zona norte do Rio de Janeiro, a estação da Central do Brasil foi palco das cenas de crueldade e de confusão, causadas unicamente pela Supervia, acobertada e ajudada pelas forças de segurança do Estado administrado, locupletado e desviado por Sérgio Cabral Filho.

Passageiros que tentavam retornar do trabalho ou que queriam e precisavam utilizar o transporte público para ir trabalhar encontraram a estação Central do Brasil fechada e, mesmo após efetuar o pagamento e não conseguir usar o transporte, não tinham o seu dinheiro de volta para poder conseguir seguir de ônibus.

Os tumultos são sempre inevitáveis para a Supervia, que nunca respeita os direitos mínimos dos seus humilhados passageiros. Quando inexiste o respeito e falta a informação, começam os protestos que uma minoria manifesta na forma de depredação (pois não enxergam outro meio de ver os seus direitos respeitados, diante da inércia do Ministério Público e da renovação da injustificável concessão).

Homens do Batalhão de Choque foram chamados, assim como agentes da Guarda Municipal. Eles atiraram indiscriminadamente, contra quem sequer participava dos protestos, gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral (sem qualquer moral), spray de pimenta e utilizam pistolas de choque elétrico.

Muitos dos trabalhadores que não tiveram como fugir passaram mal, como a operadora de telemarketing Marla Simone, de 30 anos, que estava em dos trens que pararam e precisou ser atendida por bombeiros.

“- A minha pressão subiu. Foi horrível. Muitas pessoas passando mal; teve até uma senhora que desmaiou. Quando finalmente chegamos na Central, era spray de pimenta, bomba, uma coisa inacreditável. As pessoas queriam pegar o dinheiro da passagem de volta. Como não conseguiram, ficaram revoltadas. ”

O grito dos passageiros refletia a situação de massacre contra uma classe: “Ô ô ô, eu sou trabalhador”.

O pedreiro Antônio Raimundo, de 44 anos, saiu de Realengo às 6h20 e deveria chegar às 8h ao trabalho, em Botafogo. Às 11h, ele ainda estava na Central do Brasil.Ele contou como foi agredido no meio da confusão.

“- Eu levei uma cassetada e um choque. Caí no chão e perdi meu relógio. Um absurdo! É uma vergonha essa Supervia. Todo dia tem problemas no trem. Quando não tem, a gente fica até emocionado.”

Outra passageira que passou mal foi a copeira Maria de Fátima Pereira, de 57 anos. Levada para o hospital Salgado Filho, no Méier, com a pressão alta e diante do descaso e da deficiência semelhante à do transporte, também na saúde pública, ela desistiu de ser atendida.

– Eu tive que descer e andar pela linha. Fiz uma cirurgia na perna e não posso andar muito, sinto dor. Minha pressão subiu e me levaram para o hospital, mas tinha muita gente para ser atendida. Estava demorando muito e vim para o trabalho aqui no centro.

 

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