Supremo enfrenta Bolsonaro, cancela reunião e ao presidente da República só resta a renúncia

Fux ressaltou que Bolsonaro tem ‘reiterado ataques de inverdades’

Pedro do Coutto

Foi uma resposta duríssima a que o Supremo Tribunal Federal, através da voz do seu presidente, Luiz Fux, dirigiu ao presidente Jair Bolsonaro, rebatendo frontalmente os ataques que o chefe do Executivo vem dirigindo reiteradamente à Corte Suprema do país. Luiz Fux acentuou que a partir de agora o Supremo só responderá através dos processos judiciais em curso contra Bolsonaro que, conforme destaquei na edição de ontem, voltou a ameaçar as instituições brasileiras, a Constituição do país e a democracia.

É claro que Jair Bolsonaro tentará fechar o STF, mas não encontrando apoio militar para tanto só lhe resta o caminho da renúncia ao Planalto.  A história do Brasil vive assim um momento extremamente grave de crise política e institucional. E o maior culpado é o próprio presidente da República.

SOB AMEAÇA – O Congresso Nacional encontra-se também sob ameaça porque se Bolsonaro concretizar o golpe militar que pretende, o parlamento seria o segundo poder a ser fechado no Brasil. Na paisagem de Brasília de Niemeyer, só restaria a figura de um imperador que demonstrou não conhecer limites que a política e a própria convivência humana impõem aos  que dela participam. Como na arte, a emoção integra o elenco do cenário político, o que distingue medidas isoladas e verificadas daqueles que contam com o apoio e o calor da população do país.

Assisti ao discurso de Luiz Fux pela GloboNews e apreciei os comentários de Ana Flor e Gerson Camarotti, lembrando que o episódio de ontem é inédito na própria história do Brasil. Um presidente investe contra o Poder Judiciário, é rechaçado por ele e não encontra apoio para permanecer no poder. Lembro que a decisão da crise pode vir antes do amanhecer, no momento em que a Tribuna da Internet entrar no ar, acentuando também o belo título do historiador Hélio Silva: “1889: A República não esperou o amanhecer”.

Para mantermos a democracia, a liberdade e as instituições, é o momento de o vice-presidente Hamilton Mourão assumir o poder, restabelecendo um equilíbrio que nunca foi respeitado pelo seu companheiro de chapa nas urnas de 2018. Aguardando a alvorada desta sexta-feira, estamos todos na expectativa de um novo capítulo na história do Brasil.

COMÉDIA CHAPLINIANA – A série de depoimentos de pessoas que integraram o gabinete de Eduardo Pazuello, no Ministério da Saúde, ao passar de uma página para outra, transforma-se  numa comédia chapliniana. Ontem, por exemplo, o depoimento de Airton Soligo, também conhecido como Airton Cascavel, foi uma peça de humor fora da realidade, lembrando a sequência magistral de Chaplin em ” O Grande ditador” quando se decidia num jantar quem perpetraria um atentado contra o opressor.

Cada um tirava a moeda do seu pudim e colocava no prato de sobremesa do outro. Ridículo. Ninguém diz não ter culpa em um processo recheado de intermediários. Nunca se viu um conjunto assim tão alucinado, marcado pelo descontrole que revela o amadorismo dos atores que se apresentaram para interpretar a corrupção em 2021.

O depoimento de Airton Soligo realmente mostra a absoluta incapacidade de uma gestão pública em enfrentar a morte que a cada dia levava para o túmulo milhares de brasileiros. Hoje, somam mais de 550 mil e a morte, do desfecho final da vida, é fotografada pelo governo como um registro em um parque de diversão.

14 thoughts on “Supremo enfrenta Bolsonaro, cancela reunião e ao presidente da República só resta a renúncia

  1. Tudo isso por caussa exclusiva do filhinho mimadinho rachadinho Flávio BolsoChoco.
    Quando começaram a pipocar as denúncias de corrupção o mimado ficou em silêncio.
    Agora o boi está morto….
    Mourão na espera.

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