Surgida depois da Segunda Guerra Mundial, a ONU se transformou na fortaleza das grandes potências. Desinteressadas da coletividade, agora se hostilizam no Conselho de Segurança.

Helio Fernandes

O fim da Primeira Grande Guerra produziu a Liga das Nações, anunciada como sendo o auge do entendimento entre os países, o fim das guerras não só mundiais, como as chamadas “guerras localizadas”. Foi uma negação de todos os objetivos propagados e divulgados, nunca se combateu tanto.

Fracasso total. Apesar da Primeira Guerra não ter sido completa quanto a Segunda, ela surgiu da mesma incompatibilidade e da defesa pelas grandes potências de seus colossais interesses.

(Começava a Era do Petróleo. Embora já fosse importante, não tinha a força extraordinária que acumularia com o início do Século XX).

Os EUA praticamente não participaram dessa Primeira Guerra, mandaram apenas 13 mil homens. E enviaram combustível, atendendo ao apelo desesperado do primeiro-ministro Clemenceau (França, 1917), e mais nada. A China não existia, só começou a sair do Século X a partir da “Grande Marcha” de Mao Tse Tung. E a União Soviética apareceria depois do fim da Segunda Guerra, se consolidando em cima dos 300 anos de fracasso dos Romanoff.

Portanto, foi exagero chamar de total a Primeira Guerra. A Segunda, sim, catastrófica. Com os coadjuvantes de sempre, e as potências, EUA, União Soviética,China, Japão e quase toda a Ásia e África, durou quase o dobro do tempo, e com 5 vezes mais mortos. Até hoje não conseguem chegar a um  número que represente a realidade.

Mas se há um fato que ninguém discute é este: não aprenderam nada. Apesar da rendição incondicional da Alemanha em 8 de maio de 1945 (repetindo o 11 de novembro de 1918, completando 92 anos amanhã), EUA e União Soviética continuaram a devastação.

Terminada a guerra explícita, mais 20 anos da implícita, que denominaram de “guerra fria”. A União Soviética explodindo seus orçamentos com material militar (incluindo submarinos nucleares), os EUA esbanjando fortunas para destruir e liquidar a União Soviética (com o riquíssimo Plano Marshall), o que conseguiram 45 anos depois.

Como se tratava de repetir os erros do passado, não hesitaram: recriaram a Liga das Nações, naturalmente com um nome novo, Organização das Nações Unidas. O arcabouço, popularizado como ONU, valia pouco, o importante era o Conselho de Segurança, reservado para as maiores potências.

Tanto isso é verdade, que entregaram a presidência dessa ONU a um brasileiro. Não importa que fosse um estadista chamado Osvaldo Aranha, que já fora embaixador lá mesmo na Matriz, tendo ocupado quase todos os ministérios aqui na Filial. Valia tão pouco esse plenário da ONU, que em 1948 criaram os Estados de Israel e da Palestina. Até hoje, 62 anos decorridos, só existe um desses Estados, o outro não sairá jamais. (Ou pelo menos, no horizonte, só obstáculos e hostilidades).

Agora, essa hostilidade EUA-China se transfere para o Conselho de Segurança, a verdadeira potência da comunidade-rivalidade. Os EUA desafiam a China defendendo a Índia nesse Conselho. É que a Índia, apesar dos seus 900 milhões de habitantes, não ameaça os EUA. E melhor, serve como provocação à China, que não aceitará de maneira alguma o fato.

Os EUA sabem que sem o apoio da China não introduzem ninguém no Conselho de Segurança. Alguns analistas principiantes dizem que os EUA “frustraram e decepcionaram o Brasil”, que muito antes da Índia, pretendeu fazer parte desse Conselho de Segurança. É exatamente o contrário. Obama quis preservar o Brasil de “uma derrota pública”, usou a Índia para manobra até elogiável.

A China, com o apoio possível (talvez) da Rússia, não aceita a Índia como parceira no Conselho, apresentará então a modificação para aumentar esse núcleo para 20 membros. Levará algum tempo, (todos querem negociar) e sem a menor dúvida, o Brasil estará incluído. Não é nem será possível criar um Conselho (clube), com 20 membros, e deixar o Brasil de fora.

 ***

PS – Isso dificilmente deixará de acontecer.  Obama foi pessoalmente à Índia (está lá), para mostrar e demonstrar à China o seu interesse. Da China já surgiram declarações autorizadas, a respeito do assunto.

PS2 – É de boa conveniência não se adiantarem na análise dos fatos. China e EUA estão mais interessados no comércio pacífico e cada vez maior, do que num relacionamento hostil e cada vez mais guerreiro.

PS3 – A China, hoje, é desejada pelo mundo inteiro. Tendo atingido no dia 1º de novembro, população de 1 bilhão, 350 milhões de habitantes (número referendado pela própria ONU), tem que COMPRAR e VENDER em todos os países. Só conseguirá isso em paz.

PS4 – Os EUA estão encurralados com a queda do consumo interno, precisam restabelecer esse consumo, ou ficarão estagnados. O lançamento de 600 BILHÕES DE DÓLARES no mercado interno, é medida de salvação e não de intervenção.

PS5 – A China protestou, isso faz parte do jogo. Como o mundo inteiro COMPRAVENDE dela, gostou muito dessa emissão, uma parte desses 600 BILHÕES, serão gastos lá mesmo na China.

PS6 – E o Brasil nisso tudo? Não foi atingido de maneira alguma. E até teve o caminho aplainado pela concretização de um fato muito noticiado antes da eleição de Dona Dilma: a ida de Lula para embaixador na ONU.

PS7 – Agora o cargo ganha importância ainda maior. Como a reformulação do Conselho de Segurança se dará entre 2011 e 2012, ótimo que Lula esteja lá. Dois anos depois poderá voltar como vitorioso. Qualquer que seja o futuro de Dilma e Lula, não estarão prejudicados.

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