Suspense em São Paulo: Rose, a companheira de viagens do então presidente Lula, tem de comparecer à 5ª Vara Criminal.

Carlos Newton

A juíza federal Adriana Freisleben de Zanetti, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, determinou o comparecimento quinzenal de Rosemary Noronha em juízo, pessoalmente, para informar e justificar atividades, e esses 15 dias se completam hoje, 7 de janeiro.

O clima é de grande suspense e os jornalistas devem fazer plantão diante da 5ª Vara Federal, tentando entrevistar ou pelo menos fotografar a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, que é íntima de Lula e foi sua acompanhante em 24 viagens internacionais, quando estiveram juntos visitando 32 países, na ausência da primeira-dama, dona Marisa Letícia.

A ex-chefe de gabinete da Presidência continua proibida do exercício de atividade ou função pública e de se ausentar do País sem autorização judicial. Mas a juíza atendeu a um pedido do criminalista Celso Vilardi, um dos advogados de Rose (ela tem três, além do ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, que coordena a defesa), e já liberou a ex-assessora de Lula para que possa circular sem restrições dentro do País, embora ela esteja sem ir às ruas desde a eclosão do escândalo, só tendo saído uma vez, às escondidas, para prestar depoimento.

“Eu aleguei que as medidas impostas à minha cliente eram até mais severas do que aquelas aplicadas a outros investigados que chegaram a ter prisão decretada”, disse o advogado, garantindo: “Rose vai comparecer rigorosamente a todos os atos a que for intimada”.

VAI OU NÃO VAI?

Como se vê, o advogado não esclareceu se sua cliente estará hoje na Vara Federal ou se, “distraidamente”, vai desconhecer que os 15 dias se esgotaram e ficar aguardando intimação, embora a decisão da juíza Adriana Zanetti especifique quando e de que forma suas determinações devem ser cumpridas.

Se a manobra do advogado for nesse sentido de aguardar intimação, não há dúvida de que será muito arriscada, porque a juíza então poderá até decretar a prisão preventiva de Rose, por desobediência à ordem judicial.

Na direção do PT e no Instituto Lula, o clima é de muita apreensão, porque Rose é conhecida por seu temperamento explosivo. Por isso, desde que irrompeu o escândalo da Operação Porto Seguro, desfechada pela Polícia Federal para desbaratar a quadrilha que agia em agências reguladoras e no próprio governo, a cúpula do PT e o comando do Instituto Lula (leia-se: Paulo Okamoto, Luiz Dulci, Paulo Vannuchi, Clara Ant e José de Filippi Júnior) estão mantendo Rose em local incerto e não sabido, onde ela está vivendo numa espécie de cárcere privado, pois não pode sair em hipótese alguma e está impedida até de atender ao telefone.

Mas essa estratégia não poderá durar para sempre, porque Rose está obrigada a comparecer em juízo a cada 15 dias.

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