Teilhard de Chardin, genial teólogo francês, previu a socialização da humanidade

Resultado de imagem para teilhard de chardinAntonio Rocha

Era não apenas teólogo jesuíta, mas filósofo, professor de Letras, paleontólogo consagrado, especialista em Geopaleontologia, doutor pela Universidade de Sorbonne, conceituado pensador, pesquisador e escritor. Na Primeira Guerra Mundial, o jovem Teilhard de Chardin foi carregador de maca de feridos e capelão hospitalar. Nascido em 1881 e falecido em 1955, seu pensamento questionador incomodava o clero tradicional, que o considerava herege, enquanto os cientistas acadêmicos diziam que seus conhecimentos científicos estavam misturados com a mística. Só em 1981 o Vaticano aceitou seus escritos.

Chardin era adepto do Panenteísmo, sistema filosófico que vê todos os seres em Deus; não confundir com Panteísmo, doutrina segundo a qual só Deus é real e o mundo representa um conjunto de emanações.

NA ÁSIA – Viveu muitos anos na Ásia, morou na China, na Índia, na Birmânia, realizando escavações no âmbito da Paleontologia. Penso que, por isso, deve ter sido influenciado pelo Budismo, Confucionismo e Taoísmo, em função dos anos que viveu na China. Na Índia, onde o misticismo hindu bramânico é muito forte, e sendo formado em Letras, é natural que tenha lido os milenares clássicos Vedas e Upanishads. Esteve também na Birmânia, hoje Myanmar, é um país quase que 100% budista. Ao pesquisar o pensamento e a vida e na obra de Teilhard de Chardin, percebe-se a presença da cultura asiática.

Em 1916, um ano antes da revolução russa, Chardin utilizou, pela primeira vez, o termo “socialização” em um trabalho seu. Já nessa época ele sustentava que o socialismo era um conjunto de doutrinas que engloba as interdependências econômicas, sociais, políticas, jurídicas e culturais dos seres humanos e das nações. Mas não se filiou a nenhuma corrente. Preferia a independência.

SOCIALIZAÇÃO – E assim, aos invés de socialismo, ele escrevia sobre a “socialização da sociedade”, um patamar que mais cedo ou mais tarde o planeta Terra vai vivenciar…

Em seu livro “Teilhard de Chardin e o Socialismo”, Livraria Morais Editora, Lisboa, 1967, o escritor Robert Coffy afirma: “Pouco se deteve Chardin nas doutrinas socialistas, a não ser para ver nelas as primeiras soluções – ainda hesitantes e imperfeitas – dos problemas postos pela socialização atual, e para denunciar-lhes as insuficiências e os desvios. Interessou-se primeiro, e antes de tudo, pelo fenômeno da socialização que largamente descreveu e analisou” (página 8).

O genial teólogo francês dizia que a socialização não é algo momentâneo na história da humanidade, mas um sinal de Evolução, visto que ele era um evolucionista. Assim, os socialismos estão em evolução e mais adiante é provável que aconteça uma “comunhão”, termo que ele gostava de usar.

Essa comunhão, evolução, socialização é um grande movimento de convergência, “sem transformar as pessoas em autômatos, sem cair no individualismo, sem sacrificar as pessoas de hoje e de amanhã”, dizia ele.

MUNDO DO AMANHÃ – Teilhard de Chardin estava escrevendo no início do século 20 para o homem de sua época, mas também para o homem de hoje, século 21, para a civilização do amanhã. Esta é a sua visão, olhos de águia que enxergavam longe. A socialização, enquanto socialismo, está evoluindo sempre, não pára. Nada de ideologias, racionalismos, laicismos e outros rótulos mais.

No entanto, por motivos de apegos vários a uma série de fatores, o ser humano ainda se encastela em determinadas posturas e tem dificuldade de ver e aceitar a abertura da socialização. Realmente parece mais cômodo continuar com este ou aquele preconceito, tendo em vista os muitos equívocos que Chardin identificou no início da socialização. Mas é assim que ocorre a Evolução do Homem, nunca pronta, nunca terminada.

Evoluindo-se a cada degrau.

3 thoughts on “Teilhard de Chardin, genial teólogo francês, previu a socialização da humanidade

  1. 1) Obrigadíssimo Carlos Newton pela publicação.

    2) Estudiosos espíritas e espiritualistas afirmam que há pontos de convergência entre o pensamento de Chardin e o de Allan Kardec (1804-1869)… ambos franceses…

    3) Por falar em convergência, Theilard dizia: “Tudo o que sobre, converge”.

  2. Tá bom, fica assim: vou acreditar que somos seres espirituais vivendo experiências humana só porque o teólogo francês disse. Fiquem certos de uma coisa: a fé é cega e emburre e o ser HUMANO.

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