Temer à beira de um ataque de nervos

Carlos Chagas

Ontem, a Executiva Nacional do PMDB, presidida por Michel Temer, declarou guerra ao PT e ao governo do qual o vice-presidente da República faz parte. Um rolo dos diabos, com a formalização das candidaturas de Eduardo Cunha à presidência da Câmara e de Renan Calheiros, do Senado. Tratou-se de uma reação do maior partido nacional, depois que o PT, lançando Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara, seguiu instruções da presidente Dilma Rousseff e do núcleo duro do novo governo, rejeitando Eduardo Cunha e até contribuindo para a inclusão do líder do PMDB na suposta lista de envolvidos no escândalo da Petrobrás.

No fundo da questão está o fato de que Dilma e os companheiros não confiam no candidato peemedebista à vaga de Henrique Eduardo Alves na presidência da Câmara, certos de que se eleito ele criará problemas para o governo, colocando em pauta projetos prejudiciais ao palácio do Planalto e, em nome da independência do Legislativo, alimentando dificuldades para as propostas oficiais. Favorito nas preliminares da escolha do novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha é visto como adversário e até inimigo.

Renan Calheiros entra mais ou menos como Pilatos no Credo, ainda que se disponha também a estimular a independência do Congresso diante do Executivo. Ambos, é claro, declaram-se governistas desde criancinhas, mas a pressão que fizeram sobre Michel Temer não deixa dúvidas. O argumento para sua formalização como candidatos oficiais do partido é de que o PMDB precisa recuperar os espaços perdidos na recente reforma do ministério.

SEM PORTEIRA FECHADA

Apesar de passarem a dispor de seis e não de cinco ministros, reclamam da pouca importância das pastas que passaram a dispor, comparadas com as anteriores. No fundo, uma questão de verbas orçamentárias e de recursos a ser mobilizados nas iniciativas do governo. Acresce faltar a garantia da porteira fechada nos seus atuais ministérios, já tendo sido avisados pelo chefe da Casa Civil, Aloisio Mercadante, de que muitos cargos de segundo escalão serão da livre escolha de Dilma, quer dizer, do PT.

É preciso aguardar o desdobramento do entrevero, a se   caracterizar na primeira semana de fevereiro, com as eleições para as presidências da Câmara e do Senado. Sintomática é a presença do senador José Sarney nessa rebelião do PMDB, ele que apesar de ficar sem mandato, mostra-se insatisfeito com o congelamento da nomeação de cargos do segundo escalão. Michel Temer deve estar à beira de um ataque de nervos, mas é sintomática sua decisão de ficar com o partido, mesmo contra o governo.

Em suma, e apesar das declarações de fidelidade de todos ao palácio do Planalto, a conclusão é de que para resolver o impasse, só um valor maior entrando em campo. O problema é que o Lula da sinais de isolamento, como deixou claro em entrevista a ex-ministra e senadora Marta Suplicy.

11 thoughts on “Temer à beira de um ataque de nervos

  1. Não devemos esquecer que o ultimo ato de Guido Mantega e dona Dilma no ano de 2014 foi reajustar em até 135,6% o valor do repasse às instituições financeiras pelo serviço de arrecadação de receitas da União, como a Previdência Social.

    “Banco ganha mais 135% para arrecadar”

    Mais detalhes: http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1652493-banco-ganha-mais-135-para-arrecadar

    Palavras do Lulanóquio, Presidente de Honra do PT:

    “Obviamente que, tendo em vista os lucros que tiveram o Itaú, o Bradesco e os outros bancos, o Fernando Henrique Cardoso não é nem pai: ele é pai, mãe, avô, avó, tio, tia do sistema financeiro, que nunca ganhou tanto dinheiro como está ganhando agora”.
    (Candidato Lula, 2001, Entrevista a Ziraldo)

    Palavra de banqueiro:
    “Quando ele foi eleito, eu tive uma preocupação de que levasse o governo para uma linha de esquerda, mas ele foi mais conservador do que eu esperava”.
    Olavo Egydio Setúbal, presidente do conselho de administração da holding que controla o banco Itaú.
    (12/08/2006)

    Só falta Lula dizer: “Obviamente, a Dilma e o Italiano são os pais dos bancos do Brasil”

    • Bancos como a Caixa e BB são usados para fechar o caixa do governo. Agora que a fiscalização baixou em cima deles, precisam apagar o incêndio. Agora, o BB já é de economia mista e a Caixa vai virar, ou seja, esse dinheiro não sai todo do tesouro para os bancos. Escapa uma parte.

    • sr. David,

      os MAIS DESONESTOS e MAIS PILANTRAS,

      quase todos, no planeta Terra (a Internet está ativa), S-A-B-E-M.

      ‘Quase todos’ porque há a turma safada/calhorda do

      ‘eu não sei’, ‘eu não sabia’!

      Até na Austrália, no Japão, SABEM !!!

  2. A eleição dos seus candidatos para as presidências da Câmara e para o Senado se reveste de importância vital relacionada a sobrevivência do PMDB. Os atuais prováveis candidatos estão a beira de um ataque de nervos.

    O Partido que desde a “Nova República” se transformou na legenda líder do Congresso e sustentadora dos governos do PSDB e do PT, atuando principalmente nos bastidores do PODER, pois bem, agora vive um momento crucial, após alguns de seus mais destacados dirigentes terem se envolvido no Mensalão e na Operação Lava Jato, segundo depoimentos da delação premiada de doleiros, de diretores de estatais e de executivos de empreiteiras.

    O mar não está para peixe na ilha do PMDB. Na legislatura que inicia-se em fevereiro, o Partido de Ulisses Guimarães perdeu espaços importantes na composição partidária. O cenário caminha para a perda do status de maior partido do Brasil. A movimentação de Kassab e de Cid Gomes empenhados na criação de um Partido de Centro-Direita provocará um terremoto na hostes do PMDB. Deputados e senadores de todos os partidos migrarão para a nova legenda em gestação, encantadas pelo canto da sereia que sopra com a promessa de cargos na máquina pública.

    Os Parlamentares são sensíveis em grau máximo, quando a sobrevivência política deles começa a sofrer risco. Por que digo isso? Pela simplória razão dos novos tempos que virão no mês de fevereiro, quando o magistrado do Paraná e a Procuradoria Geral encaminhar ao STF, o nome das autoridades envolvidas na Operação Lava Jato, as quais foram citadas pelos personagens presos na carceragem da PF no Paraná.

    O desgaste das siglas, cujos parlamentares abrigam os parlamentares envolvidos, com certeza perderão cadeiras fruto das prováveis cassações de mandatos como também, na eleições de 2016 e 2018 ficarão menores e caminharão para o fim, destinadas ao mesmo destino dos Partidos nanicos.

    Nesse diapasão, não resta outra alternativa ao presidente do PMDB a não ser cerrar fileiras na defesa de seu reinado, até porque, se agir ao contrário, pode ser apeado da presidência do ainda maior partido do Brasil. Ao perder o controle do PMDB perde influência no núcleo do PODER, por não deter as condições de liderar seus comandados visando a sustentabilidade do governo nas votações das duas casas congressuais.

    Não custa lembrar, o episódio ocorrido no governo Geisel, quando perdeu as eleições no Congresso. Então, ao se deparar com o enfraquecimento da ARENA no Senado, o ocupante do Planalto editou um Pacote discricionário criando a figura dos senadores biônicos, evitando assim, ficar em minoria na casa dos anciões. Na democracia, esse exemplo não pode ser copiado, portanto, só resta criar um novo Partido que abrigará os mesmos de sempre com uma nova roupagem.

    Enquanto isso, vamos vivendo a doce e alegre vida, a moda Felliniana.

  3. Se for mesmo verdade o que disse a Marta, que o lula estaria contrariado com a Dilma, A criatura tem sérios
    motivos para ficar preocupada. Afinal se o criador resolver lança-la aos leões, madame estará perdida.
    O PMDB já esta com a artilharia e infantaria prontas para a guerra, so aguarda um sinal do cacique petista e
    a coisa deslancha.
    Esta lambança da Petrobras é a munição que fará a guerra eclodir. Sem apoio do lula, a Dilma não tem
    poderio para enfrentar a rebordosa.

    • Nenno

      o lula não pode fazer isso porque os principais problemas na Petrobras tem origem na gestão dele frente a presidencia da republica,para Dilma sobra o tempo em que foi presidente do conselho de administração da empresa.Resumindo em miudos o lula ta metido ate o pescoço na corrupção da Petrobras se não fosse por este pequeno detalhe ele ja teria sacrificado a sua gestora eficiente como fez com varios petrlhas, só não vê quem não quer.

  4. O PT é mesmo incrível ! O Bendine, aquele presidente do Banco do Brasil, que não confia no sistema bancário, posto que não usa cheque, paga compra de imóvel em dinheiro vivo, irá presidir o BNDES ….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *