Temer atua como ‘primeiro-ministro’, diz The Economist

Fernando Nakagawa
Estadão

O PMDB é a estrela da principal reportagem da editoria “Américas” da revista britânica The Economist que chega às bancas neste fim de semana. Com o título “O poder por trás do trono”, a reportagem diz que o “sócio menor do governo está tocando o País”. Para a revista, o vice-presidente Michel Temer tem exercido parcialmente o papel de “primeiro-ministro” e Dilma Rousseff “precisará do PMDB mais do que nunca se ela sobreviver até 2018”.

A reportagem explica aos leitores estrangeiros a presença do PMDB nos diversos governos brasileiros desde a redemocratização. “Uma máxima da política brasileira é que ninguém governa sem o PMDB”, diz a revista, ao comentar a composição do partido com diversos governos e a força do grupo nos governos locais. A presença do partido na base governista, porém, nem sempre é fácil. A reportagem lembra da recente ruptura do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o governo.

Mesmo com o esforço do partido de correr para avisar que a decisão do deputado “era pessoal e não do partido”, a Economist diz que o gesto de Cunha preocupa a presidente Dilma Rousseff. “A senhora Rousseff precisará do PMDB mais do que nunca se ela sobreviver até o fim de seu mandato em 2018. Cada vez mais, eles têm tocado o show”, diz a revista.

TEMER E LEVY

A Economist cita especialmente Michel Temer, que estaria exercendo parcialmente o papel de “primeiro-ministro”. “Joaquim Levy, o ministro da Fazenda do corte de gastos, encontra-se com ele mais frequentemente do que com a presidente, dizem assessores de Levy”, cita a reportagem, ao lembrar que lideranças do partido prometeram candidato próprio nas eleições de 2018.

Apesar de reconhecer o papel crescente do PMDB, a Economist não comprou a ideia de que o partido concorrerá efetivamente nas próximas eleições presidenciais. “Isso pode ser conversa fiada”. A revista nota que o partido não tem candidato próprio desde 1994 e que, desde então, o ocupante do Palácio do Planalto procura o PMDB “para apoio, mas não para orientação sobre como governar o País”.

Uma das razões pode ser a falta de uma linha ideológica mais marcada, diz a revista. “O programa (do partido) transborda platitudes: sua única posição firme é contra a pena de morte. É mais pró-negócios que pró-mercado, mas muitas vezes faz lobby para benefícios locais e específicos da indústria”, diz a reportagem. Essa falta de força do discurso ideológico faz com que o partido tenha a imagem de um “guardião da governabilidade”, diz a revista. “Um banqueiro (pró-PSDB) diz que o PMDB é uma razão pela qual o Brasil nunca será a Venezuela.”

4 thoughts on “Temer atua como ‘primeiro-ministro’, diz The Economist

  1. Fora do texto.
    Depois de espinafrar a oposição na campanha eleitoral, Dilma quer dialogar com a mesma.É muta cara-de-pau dessa vaga….Por que ela não dialogou com a oposição quanto tinha 70%? Mas aí pra que,né? Navegava em céu de brigadeiro.

  2. de Madrid: Nas sessões do Parlamento Espanhol, alguns deputados no plenário vestem camisas sociais, poucos usam gravata e terno completo, a maioria camisa e paletó, sem a gravata. É verão. E no Brasil, qdo vão tornar a gravata opcional? Na Grécia idem. Falando nisso, já li reclamações contra um deputado paulista que anda fardado no Congresso Nacional, ora é a profissão dele, nada contra. Fidel a vida toda vestiu farda, outros dirigentes internacional tb. Só na aposentadoria Castro passou a usar um moletom e tênis… TI tb é moda… estilo…

  3. “Um banqueiro (pró-PSDB) diz que o PMDB é uma razão pela qual o Brasil nunca será a Venezuela.”

    E o banqueiro está corretíssimo. A República brasileira está nas mãos do PMDB. Sem ele, invariavelmente, o PT derrubaria o Congresso e refundaria o país dentro da sua ideologia – um país comunista – e passaria já ao processo de integrá-lo aos outros países já dominados pelo Foro de São Paulo.

    Sem qualquer chance das instituições esboçarem reação, aparelhado que estamos pelo PT e base aliada.

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