Temer diz que se for eleito em 2018 manterá Joaquim Levy

Pedro do Coutto

Durante almoço palestra com representantes de potências financeiras como o Goldman Sachs, J.B. Morgan, Nomura e Pinco, em New York, pela primeira vez Temer admitiu vir a ser o candidato do PMDB à sucessão de Dilma Rousseff em 2018. Se for eleito, acrescentou, mantenho o ministro Joaquim Levy na Fazenda. Reportagens de Thais Bilenky, Bragon e Daniela Lima, Folha de São Paulo, e de Isabel de Luca, Maria Lima e Junia Gama, O Globo, edições de quarta-feira, destacam bem o episódio.

Condicionada à vitória nas urnas, a disposição de manter o ministro Joaquim Levy foi recebida com aplausos pelos banqueiros ao vice-presidente, mas, sem dúvida, deixou no ar uma outra interpretação projetada num futuro tão distante. Claro. É sinal de que, entre as brumas que estão envolvendo o Palácio do Planalto, surgem pelo menos perspectivas antecipadas de transferência do poder. Caso contrário, Temer não anunciaria antecipadamente a hipótese de ser candidato do PMDB contra provavelmente Lula e Aécio Neves em 2018, e, se vitorioso, manter o atual titular da fazenda em sua equipe de governo.

Dificilmente um político enigmático e cauteloso como Michel Temer revelaria um projeto pessoal com tanta antecedência. Por coincidência, sobretudo, no momento em que considerou a hipótese de o PMDB, seu partido, deixar o governo quando da sucessão presidencial, ou antes – reconheceu – se as instâncias internas da legenda assim o decidirem. Como em matéria de certeza, como diz o velho ditado, não há como o talvez, fica desenhada uma alternativa de vir ele a assumir o governo, digamos, a qualquer momento.

SINAL VERDE 

O almoço em New York, assim, tornou-se uma espécie de sinal ao mundo financeiro internacional, sobretudo porque – como revelaram neste site os companheiros Flávio Bortolotto e Wagner Pires – vinte por cento da dívida interna brasileira de 3 trilhões de reais encontram-se em mãos de estrangeiros, personagens portanto dos mais poderosos aglomerados do universo das cifras, dos depósitos, das aplicações de risco e também das aplicações sem risco e de juros reais altos, como é o caso das Notas do Tesouro Nacional,as NTNS. Taxa Selic de 13,75% diante de uma inflação oficial de 8,2% ao longo dos últimos doze meses. Taxa líquida de 5%, sem risco algum com tendência a subir mais.

Na realidade, as declarações de Temer foram tranquilizadoras para Wall Street. Eis a verdadeira síntese do episódio de terça-feira, traduzido pela FSP e O Globo do dia seguinte, 22 de julho. Isso porque em política a coincidência quase nunca é mera coincidência.

AUMENTA A REJEIÇÃO

E foi divulgada pela Rede Bandeirantes, telejornal apresentado por Ricardo Boechat, noite de 21, o resultado de pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, revelando que a aprovação do governo Dilma caiu de 10 pontos para a percentagem de apenas 7,7%. A rejeição, que já era grande, passou a ser ainda maior. A fragilidade aumenta. A estabilidade diminui. A crise se faz sentir com intensidade cada vez mais forte. Como se poderá sair dela? A pergunta torna-se inevitável. Como romper o ciclo e o cerco?

O Planalto não dá sinais nesse sentido. Pelo contrário. Parece não ter capacidade para uma ruptura com um sistema de apoio que, para lembrar Antônio Maria, vem de fracasso em fracasso. Não existe equipe competente, em consequência faltam eficiência e criatividade. E sem criatividade não se superam obstáculos difíceis. O assalto à Petrobrás por bandos de ladrões de casaca constitui um exemplo marcante de uma imobilidade e falta de percepção para com o mundo da realidade. Que não pode ser substituído pelo da fantasia. Falta, ainda, adicionar a contradição da candidata afirmar uma coisa na campanha e a presidente fazer outra no governo.

10 thoughts on “Temer diz que se for eleito em 2018 manterá Joaquim Levy

  1. Excelente análise do grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO, a respeito das estratégicas declarações de nosso Vice-Presidente MICHEL TEMER dadas em Nova York, quando admitiu ser Candidato pelo maior Partido Político do Brasil ( PMDB) à Presidência da República em 2018, e: “que manteria o atual Ministro da Fazenda JOAQUIM LEVY no cargo”
    O arguto Jornalista, com mais de 60 anos de experiência na Política e Economia, logo entendeu que, como dizia o saudoso Barão de ITARARÉ: “Há no ar, mais do que simples aviões de carreira”.
    De qualquer maneira, não é boa notícia para a Presidenta DILMA ROUSSEFF, principalmente para o PT e o Presidente LULA. Abrs.

  2. Esse é um dos maiores malandros dapolítica brasileira, nos doissentidos,
    Fez vários cursos com oMestre orestes quércia……
    Mais liso que quiabo, igualmente ao mestre nunca tocou os dedos na ficha criminal….
    Vamosde mal a pior neste Páis.

  3. O que para o leitor da TI tem de ficar bem claro é que quanto mais tempo levar para fazer o reajuste fiscal – que deveria hoje ser de no mínimo 2,5% do PIB -, maior será o tempo demandado para recuperação da economia.

    E por que isso?

    Porque o ajuste fiscal, além de atender o compromisso dos serviços da dívida (pagamento do principal e dos juros), se faz necessário para incorrer no devido enxugamento de liquidez (excesso de dinheiro em circulação), fato necessário para domar a inflação.

    Sem domar a inflação, isto é, sem que se consiga convergi-la para o centro da meta, nenhuma outra medida de recuperação econômica poderá ser tomada uma vez que a taxa selic – mantida no patamar atual – inviabiliza qualquer ação de crescimento econômico, como ampliação da Formação Bruta de Capital Fixo (investimento), retomada de expansão do crédito e de expansão da massa de rendimento real dos trabalhadores.

    Por enquanto a inflação encontra-se em expansão e tanto será mais difícil de controlá-la, quanto Dilma “ensebar” no ajuste fiscal.

    Tabela de variação agrupada da inflação anualizada, isto é, acumulada em doze meses:

    Grupo de despesa………….Variação Individual x Peso…………Variação Agrupada
    ——————————————————————————————————————————–
    Itens de preços livres………………………6,95% x 76,23%………….5,30%
    Itens de preços monitorados………….15,10% x 23,77%………….3,59%
    ——————————————————————————————————————————–
    Variação total……………………………………………………………………..8,89% (inflação acumulada)

    Fonte: IBGE e BACEN.
    Elaboração: própria.

    Obs.: 40,38% da inflação estão nos preços monitorados, enquanto 59,62% estão nos preços livres. Dentro dos preços livres está o setor de serviços, a inflação anualizada específica dos serviços é de 7,90% . Como se vê toda o conjunto inflacionário está acima da banda superior de controle do Banco Central sofrendo inércia dada pelo excesso de demanda (ocasionada pelo excesso de crédito), pela correção dos itens de despesa com preços monitorados que foram represados outrora pelo governo e por fim, pela correção de preços de itens importados que sofrem o efeito da desvalorização cambial.

  4. É muito fácil retirar dinheiro do mercado, basta o BC aumentar a captação sobre os depósitos dos banco até ao estrangulamento, mas preferem estrangular o povo com essa paralisação imensa. Isto tem nome: injustiça.

    • É preciso lembrar, Sr. Pedro, que até o depósito compulsório feito pelos bancos ao BACEN é remunerado pela taxa Selic. Não há como correr do aumento da taxa básica de juros.

      O depósito compulsório hoje está em 45% da média diária dos saldos dos depósitos à vista.

  5. Bem lembrado Sr. Wagner e o problema é exatamente este, a remuneração pela SELIC. isto precisa de acabar. Faz-se necessário buscar outro parâmetro como, por exemplo, a taxa média dos juros praticada no mercado mundial. O país não tem condições nenhuma de bancar uma “rentabilidade” para os banqueiros em detrimento do sofrido e injustiçado povo brasileiro. obrigado pelo seu comentário.

  6. Prezado Sr. PEDRO RIOS,
    O senhor tem razão em dizer que o Banco Central pode retirar Dinheiro do Mercado via aumento do Depósito Compulsório, Ex., dos atuais 45% para 60%, pode usar um “IOF especial”, etc.
    Só que para atrair +- R$ 1,2 Trilhões/ANO e manter um Câmbio razoável, a SELIC no momento tem que ser a atual de 13,75%aa, ainda com viés de alta.
    O DEVEDOR, mesmo o Governo Federal, é sempre REFÉM do CREDOR.
    Quando nossa Moeda é um Título de Dívida ( Nota Promissória do Governo Federal ), que GERA JUROS, a melhor Política é o Governo NÃO SE ENDIVIDAR MUITO. Abrs.

  7. Srs. Wagner Pires e Flávio J. Bortolotto, obrigado pelos comentários. Vou estudar um pouco de política monetária e assim farei sugestões mais consistentes. Obrigado. Sei que somos movidos pelo mesmo ideal. Abraços.

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