Temer insiste com as reformas, deputados se rebelam e brigam no plenário

Plenário entrou em clima de temperatura máxima

Cristiane Jungblut e Catarina Alencastro
O Globo

A Câmara viveu na tarde desta quarta-feira momentos de briga física entre os deputados, empurra-empurra e xingamentos. O tumulto ocorreu no meio do plenário, com vários deputados trocando empurrões e socos no ar. Os mais exaltados eram o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que cobrava o encerramento da sessão. De um lado, oposicionistas como o líder do PSOL, Glauber Braga (RJ), Reginaldo Lopes (PT-MG), e outros começaram a gritar para a sessão ser encerrada e acabaram se enfrentando com deputados como Major Olímpio (SD-SP). O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) também ficou no meio da confusão.

Os ânimos estavam acirrados desde o início da tarde, quando deputados do PSOL, PT e PCdoB ocuparam a Mesa dos trabalhos e cercaram os presidentes que comandavam a sessão na ocasião, gritando “Fora Temer”, criticando a ação policial na Esplanada dos Ministérios e cobrando o encerramento da sessão. Os parlamentares do governo insistiam em tentar votar algo. A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) era uma das mais exaltadas e se recusava a descer da Mesa.

RENÚNCIA COLETIVA – O clima esquentou mesmo quando os discursos passaram a falar em “renúncia coletiva”. O embrolgio envolveu ainda os deputados Alessandro Molon (Rede-RJ), Valmir Prascidelli (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS), Marco Maia (PT-RS) e outros.

— Encerra! Encerra! — gritavam deputados da oposição, começando a se engalfinhar com os governistas. O deputado André Fucuca (PP-MA), que comandava a sessão, pedia: — Calma! Calma!

— Não façam isso! — complementou outro parlamentar.

Enquanto os colegas se engalfinhava, Molon atravessava o bolo e olhava para Fucuca, gritando, aflito. — Encerra (a sessão)! — pedia Molon, desesperado.

— A sessão está suspensa por dez minutos porque não há a menor condição — disse Fucuca, assustado e recebendo conselhos do experiente Nelson Marquezelli (PTB-SP).

MAIA TINHA SAÍDO – A confusão começou enquanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia se ausentado da sessão para ir ao seu gabinete, acompanhado do líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A convocação das Forças Armadas tinha sido atribuída a Maia pelo ministro Raul Jungmann, da Defesa, mas o presidente da Câmara desmentiu e disse que ia interpelar Jungmann. Quando voltou ao plenário e a confusão recomeçou.

— Diz que foi tu (Rodrigo Maia) — gritava Paulo Pimenta.

— Eu já disse! — respondeu Maia.

— Mas ninguém acredita! Está no documento do Palácio — rebateu Pimenta.

— Calma! Calma! — pedia Maia e outros parlamentares.

Foi neste momento que Maia suspendeu a sessão de forma definitiva.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Clima de guerra dentro e fora do Congresso. A insistência de Temer continuar comandando um governo que não tem mais a menor legitimidade propicia esse acirramento dos ânimos. Mas Temer insiste em pedir a aprovação das reformas e os áulicos Rodrigo Maia e Eunício Oliveira tentam atendê-lo, provocando esse clima que ameaça a democracia. As reformas podem e devem esperar um momento mais propício.  (C.N.)

17 thoughts on “Temer insiste com as reformas, deputados se rebelam e brigam no plenário

  1. Jobim (sócio do BTG)? Maia (com o papai a tiracolo)? Meireles (JBS e Banco Original)?Carmen Lucia (o Bial gostou dela; a Globo também)? FHC? Ah!, esse eu deixo para os demais…Estamos “F”!

  2. Isso é inaceitável. A atual oposição desalojada do poder, agora quer fazer tudo na marra.
    Tem que haver enfrentamento, deixar minoria truculenta deitar e rolar e a maioria se acovardar, não é possível.
    Não querem sessão nem votação porque sabem que perdem, então o negócio é ganhar no grito.
    Isto não é democracia.

  3. Concordo com sua nota CN,
    As reformas independem de vinculação partidária.
    Não sou favorável ao governo Temer e não penso que houve Golpe no impeachment, nem por isso sou favorável às reformas.
    Está um clima insuportável de intolerância no país.
    Alguns tentam forçar tendências partidarias de modo agressivo.
    É de dar medo!
    Precisamos manter ao menos a sanidade mental neste momento!

    • Acompanho sempre alguns blogs específicos e percebo que depois da delação da JBS o enfrentamento na internet se acirrou. Há uma participação maior de tendências mais agressivas e que defendem o confronto entre A e B. Isso não é saudável neste momento.

    • Infelizmente acho que estamos mesmo nos aproximando da realidade da Venezuela ao modo brasileiro, Luis Fernando.
      E a responsabilidade é de todos.
      Veja, por exemplo, quando invertem valores criminalizando a Lava Jato e defendendo corruptos em nome da economia brasileira!

    • A Dualidade do CAOS:

      Ao que que o Ministro Jungman disse:

      Maia solicita, levando em conta a violência, o vandalismo, o desrespeito, a agressão ao patrimonio publico, a ameaça a pessoas, os servidores aterrorizados

      O brasileiro descontente com esse governo diria:

      Nós, Brasileiros solicitamos, levando em conta a violência (descaso), o vandalismo (petrolão, corrupção), o desrespeito (nenhum retorno social), a agressão ao patrimonio publico (propinas), a ameaça a pessoas(insegurança social), os servidores aterrorizados (desemprego)

      ….

      Triste, mas a oposição no Brasil é pior que o pior governo, este do Temer…
      Onde estão os Brasileiros que nada tem a ver com esses grupos de sindicatos? Sumidos? A que ponto chegamos?

      Temer tem que pagar essa conta, tremendo incompetente, inconsequente, um miserável, no trono que não merece…

      FORA Temer!

      • corrigindo: “Ao que* o Ministro disse”

        PS: quanto de dinheiro publico se gasta numa diária em Brasilia desses prestadores de serviço, funcionarios publicos transvestidos de estrelas politicas de maior ou menor projeção??? Esses BADERNEIROS dentro do Congresso?
        Hoje ouvimos um lá do RibaMaranhão, deputado Fucuca, pedndo calma aos deputados, quando a sessão já tinha “ido pras fucucas”

        POVO BRASILEIRO, MOSTRE A SUA CARA, não e hora de se omitir.

        Não permitam que a mídia discrimine nosso povo brasileiro, um contingente de mais de 200 milhões de pessoas normais, caracterizando-nos como um bando de vândalos, vermelhos sindicalizados, boia fria, de sem teto sem terra…

  4. Não é só imposto sindical que está causando essa turbulência política.PT e assemelhados não se conformam em ter saído do poder.

    Além disso o Brasil tem um judiciário podre, sem moral e algumas mídias irresponsável.

    Globo, Fachin e Janot têm lá suas culpas.

  5. Bravo. Todos os comentários fazem sentido com a matéria e a nota do Moderador.

    No ar, paira entre suas excelências, o pavor de perder suas mamatas com o sacrossanto fora privilegiado, e terem de cair na vala comum, que será procurar um novo emprego, se é que vão encontrar…

    Isso, para os não forem trancafiados, vendo o sol nascer quadrado…

    • O mundo, as pessoas, a realidade é bem maior e mais complexa , não se resume a petistas e antipetistas, governistas e antigovernistas, militares e antimilitares. Nem todos que aqui escrevem reduzem seu mundo a essé pensamento indigente!
      Graças a Deus!

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