Temer não é vice, é vice-versa. Por causa desse cargo, a eleição presidencial pode mudar. Requião não está morto, o PP quer a vice, Serra naufraga em terra firme

Política e eleitoralmente, ninguém consegue entender a insistência do PMDB indicando Temer, e a inconsequência de Dilma em aceitá-lo. Primeiro, isso representa submissão e subserviência explícita ao PMDB.

Segundo, Temer não tem voto pessoal, e coletivamente divide o partido. Em suma, não há suma. Quem está orientando a campanha de dentro do Planalto-Alvorada?

Isso revelei anteontem, ao saber que Dona Dilma convidara o presidente da Câmara para um jantar, quando confirmaria o convite para que fosse vice de sua chapa. Minha intuição foi alertada para o fato do encontro entre eles ser exclusivo, sem mais ninguém.

Fiquei imaginando, surpreendido: como é que uma candidata certa convida um candidato incerto e quase inimaginável para vice, e ninguém da cúpula do PT e do PMDB pode aparecer? Digamos que essas cúpulas não foram vetadas, apenas desconhecidas e desconsideradas.

Do ponto de vista político e eleitoral, isso não existe, contraria a lógica política. E do ponto de vista eleitoral, deviam fazer uma festa colossal, em vez de promoverem um diálogo de surdos, que acontecerá sempre que Dilma e o “jurista” Michel Temer se encontrarem.

Como houve o jantar e mais nada, (frugal e silencioso, não conversaram sobre a Copa, não citaram Neymar e Ganso, não se interessam por futebol, no país que tem esse esporte como paixão nacional) se desentenderam e foram embora. Não perderam tempo, apesar de tempo ser o que têm de sobra, se despediram, eu fui trabalhar para saber o que houve.

Explicação que me deram. Como era e é extraoficial, e respeitadas as fontes, e como considerei também que estava rigorosamente de acordo com a minha análise, aceitei. É o seguinte, sumarizado: 1 – A cúpula do PT não está mais incondicional com Dona Dilma. 2 – Não podendo retirá-la, pretende pelo menos condicioná-la.

3 – E um dos caminhos para “reconquistá-la”, é indicando o vice, ou vetando alguém como Temer, em quem não têm a menor confiança. 4 – Alguns líderes importantes do PT, que não são parlamentares, não têm nem tiveram o menor contato com o presidente da Câmara.

5 – Dessa forma, como referendá-lo? Assim, tiveram um momento de bom sendo e “pediram” à candidata que “retardasse” (textual) o convite a Temer. 6 – Como o encontro já estava marcado, o “jurista” com uniforme de candidato oficial, passou a “candidato B”, não precisaria nem haver prato principal. Temer foi mastigado e devorado, apesar de não constar do menu.

7 – Como um adolescente que dissesse aos pais, “faltei à aula”, Temer tentou dizer que não houve convite e que não era vice. Acrescentou na frase o “ainda não sou”, todos riram, sabiam antes dele que os ventos estavam mudando. O “jurista” não percebeu.

8 – Como já disse várias vezes nos últimos dois meses, apesar de não ter havido nenhuma convenção, Dilma, Serra e Marina estão firmíssimos, não como pré e sim como candidatos “serenos e belos”.

9 – Outro possível candidato, Ciro Gomes, foi abatido com arma de longo alcance com mira telescópica, exatamente igual à que assassinou Martin Luther King com apenas um tiro. E essa arma foi manobrada por Lula, um “atirador de escol”, como dizem no Exército.

10 – Lula foi azeitando a arma, se familiarizando com ela, acariciando-a dia e noite. Como Lula gosta muito de futebol, não é despropositado citar (adaptando-o ligeiramente), o filósofo do futebol, Neném Prancha: “O artilheiro deve dormir com a bola. Se for casado, dormir com as duas”.

11 – Lula fez isso com imponente competência. Foi acariciando Ciro, como autor da mudança do domicílio eleitoral, o criador da fórmula BILATERAL, (royalties para os 7 ministros do Supremo) na qual Ciro acreditou.

12 – Quer dizer: fingia de candidato a governador de São Paulo, mas acreditava extremadamente que na hora certa sairia candidato a presidente, com a bênção papal, sindical e eleitoral do próprio Lula.

13 – Não perceberam, acreditavam que fosse acaso ou coincidência, o fato de Lula ter sido derrotado três vezes para presidente e depois ter sido vencedor nas duas seguintes, e continuando como a verdadeira atração desse Cirq du Soleil, Ele é o espetáculo, o grande malabarista, os espectadores só olham para ele.

***

PS – Mais importante de tudo, sensacional e até agora sem o menor destaque feito por qualquer analista ou “especialista”, o prestígio de Lula. Nada a ver com as derrotas e vitórias, nessa incansável guerra presidencial.

PS2 – O notável na carreira triunfal de Lula, (isto não é elogio nem entusiasmo) foi o fato de obter 5 vezes a legenda do PT. Impressionante, pois já houve um tempo, longo tempo, em que o domínio de Lula sobre o PT não era tão categórico ou esmagador. (Esta segunda palavra, muito mais bem aplicada).

PS3 – Ainda escreverei muito sobre essa fundamental escolha dos vices. Não só o da Dilma, também o de Serra. Curioso: existem nomes que tanto podem se completar com Dilma ou com Serra.

PS4 – Só para mostrar a importância desse vice incógnita. O de Serra não é mais exclusivo de Minas ou do próprio PSDB. O de Dilma, também não é privativo do PMDB ou localizado estruturalmente em um estado.

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