Temer usou Ives Gandra Filho como descartável, só para esconder o jogo

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“Preferência” por Gandra era uma manobra diversionista

Carlos Newton

Na política (e na vida) as aparências quase sempre enganam. No caso da escolha do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga de Teori Zavascki, não deu outra. O mais cotado era o ministro Ives Gandra Martins Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, a Assessoria de Imprensa do Planalto inflou o nome dele, distribuindo “informes” a valer, mas que na verdade eram mesmo para não valer. O próprio presidente Michel Temer participou da  manobra diversionista, conforme se dizia antigamente.

Na última sexta-feira, dia 3, ao dar posse a seus três novos ministros (Moreira Franco, Antonio Imbassahy e Luislinda Valois), o chefe do governo participou da encenação, ao confirmar Gandra Filho para se sentar próximo a ele, na tribuna da honra da cerimônia, e no discurso citou duas vezes o nome do presidente do TST. Mas era tudo um engodo.

TUDO COMBINADO – Desde o início já se sabia que Alexandre de Moraes era um dos nomes mais cotados. O fato de ser do PSDB até ajudou, porque Temer também parece tucano e era amigo íntimo de Moraes. Só havia dúvidas quanto à indicação porque pesavam contra ele as múltiplas mancadas que deu no Ministério da Justiça, inclusive mentiu ao dar entrevista coletiva sobre a rebelião no presídio de Roraima e foi desmentido no Jornal Nacional ao vivo e a cores, uma verdadeira desmoralização.

Mesmo assim, Temer preferiu Alexandre de Moraes, porque julga ser um voto certo a favor de seus interesses presentes e futuros. Justamente por isso, jamais cogitou de nomear Ives Gandra Martins Filho, que sempre iria votar na forma de lei e de sua consciência, sem se importar com os interesses de nenhum grupo político.

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PS –
É preciso ressalvar que nem sempre os ministros votam a favor dos interesses de quem os indicou, embora Ricardo Lewandowski costume agir assim, sempre. Até Dias Toffoli já se posicionou contra interesses dos políticos do PT, ao votar a favor da prisão de condenados em segunda instância. Mas depois teve uma recaída, mandou libertar o ex-ministro Paulo Bernardo, mudou o voto sobre a segunda instância e agora está sob suspeita por ter atendido a um pedido de outro amigo petista, o ex-ministro Carlos Gabas, aquele que mentiu ao dizer que dava caronas a Dilma Rousseff em sua motocicleta, sem que jamais isso tivesse ocorrido. Bem, depois de nomeado, nada garante que Moraes vá se comportar como Lewandowski, embora isso possa acontecer. Como diz Pepeu Gomes, em noite de lua cheia tudo é possível. (C.N.)

 

18 thoughts on “Temer usou Ives Gandra Filho como descartável, só para esconder o jogo

  1. “Mesmo assim, Temer preferiu Alexandre de Moraes, porque julga ser um voto certo a favor de seus interesses presentes e futuros.”

    -Ora, tem sido assim desde ontem! Se todos os presidentes elegeram ministros testa-de-ferro, o Temer seria considerado um idiota se não fizesse o mesmo.
    -A imoralidade não está na escolha do ministro, mas no poder que o presidente tem para escolher um ministro que poderá julgar o presidente e as suas autoridades!

    Se o foro privilegiado acabasse, o peso dos ministros do Supremo na corrupção e no fisiologismo não acabaria, mas pelo menos diminuiria.

  2. C.N.
    Talvez as mancadas quando no Ministério da Justiça tenham servido para sedimentar sua indicação para o cargo. Nem PT, nem PMDB, nem PSDB… Nenhum presidente está preocupado em termos um STF composto de Juízes de ilibada conduta e notório saber jurídico. Querem marionetes. Alguns aceitam.
    Nessa linha, Temer jamais iria indicar alguém que ele soubesse, de antemão, ser totalmente independente, e que seguiria estritamente a Constituição.
    Se o Ministro Alexandre de Moraes vai seguir o mesmo caminho de Lewandowski (marionete e serviçal de Lulla) e ceder a todas as ordens de Temer, não sabemos ainda.
    Espero que ele honre a toga que irá vestir.

  3. Nesse contexto não há espaço para a ingenuidade.
    As decisões de encontro à Lava Jato são tomadas à luz do dia.
    Senão vejamos:
    Qual seria o interesse do governo em nomear para o STF um ministro de sua confiança quando a população clama por um nome isento, ao tempo que Temer, Jucá, Sarney, Aécio, Renan e Cia são citados pelos delatores?
    O mais preocupante é que atualmente, o desespero desses poderosos é tanto que sequer usam de táticas ocultas ou manobras; os “mandatários do poder” não mais usam máscaras ou disfarces, resolveram agir naturalmente, como se atos imorais não fossem ilegais. As mensagens subliminares passadas por eles são: vamos para o tudo ou nada! Ou livramos a nossa cara, ou, não temos limite algum para isso!
    É assustador!!!

    • MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

      JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

      MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

      JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

      MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

      JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

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