‘Temos de acreditar em uma terceira via’, diz Roberto Setubal, do Itaú, sem citar nomes

Roberto Setubal

Setubal critica o Brasil decadente e sem distribuir renda

David Friedlander e Alexandre Calais
Estadão

O banqueiro Roberto Setubal, do conselho de administração do Itaú Unibanco, afirma que o País precisa de um candidato à Presidência da República que possa se contrapor à polarização atual.

Acredita que os favoritos à disputa hoje – o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula – já tiveram sua chance, mas não conseguiram fazer as reformas necessárias para o crescimento sustentado do Brasil. No caso de Bolsonaro, diz que a gestão é decepcionante em relação ao que foi prometido na campanha. Nesta entrevista, ele também fala da situação econômica, sobre a agenda de diversidade nas empresas e as mudanças em curso no Itaú.

Inflação alta de novo, desemprego gigantesco e ainda tem a pandemia. A impressão que temos não é apenas de que o País está parado, mas, pior, que ele está desandando. É possível reverter esse cenário a curto prazo, ainda mais levando em conta que teremos uma eleição que promete ser tensa ano que vem?
Não, não é possível. Na verdade, vejo a economia brasileira em decadência. Estamos há aproximadamente 40 anos sem crescimento da renda per capita. Isso é gravíssimo e, de certa forma, é diferente do que aconteceu no mundo. Vários países eram pobres há 50 anos e, hoje, estão se aproximando da renda dos países desenvolvidos. Nós, nos últimos 40 anos, tivemos momentos de melhora, como quando se controlou a inflação. Mas, de forma geral, continuamos no mesmo nível de renda de 40 anos atrás. Isso é um desastre do ponto de vista social. Não vamos melhorar a renda das pessoas sem crescimento. Eu acho que o País não vem focando no crescimento.

O que o sr. chama de focar no crescimento?
A economia precisa de um choque. Precisamos entrar numa agenda forte de reformas, que precisam focar no aumento da produtividade da economia e no aumento dos investimentos. Penso, por exemplo, em uma reforma trabalhista que aumente a produtividade. Abertura econômica também aumenta a produtividade. Sem falar numa reforma tributária. Temos um sistema tributário muito complexo e repleto de distorções, que foi sendo criado por remendos com objetivo único de aumentar a arrecadação. Não tem qualquer objetivo de justiça social, nem de fazer a economia alocar recursos eficientemente.

Há empresários e executivos importantes vindo a público manifestar o apoio a uma terceira via nas eleições presidenciais do ano que vem, em contraponto ao presidente Bolsonaro e ao ex-presidente Lula. O que o sr. pensa disso?
Eu também gostaria que nós tivéssemos uma terceira via bem mais forte, com reais chances de ganhar a eleição. Acho que os últimos governos, alguns candidatos que estão aí, já tiveram a sua chance e não fizeram a renda per capita brasileira crescer, não fizeram as reformas necessárias. Gostaria de ver um candidato com mais intenções reformistas, mais agenda de crescimento econômico, acho que seria importante para sairmos dessa inércia em que nos encontramos. O mundo anda, e nós estamos ficando para trás.

Mas o sr. acredita que apareça um terceiro candidato para fazer frente aos dois favoritos de hoje?
Tenho de acreditar. Hoje há dois candidatos fortes, e isso, obviamente, torna uma terceira via mais difícil. Mas temos de acreditar. É muito importante que haja uma união do centro para que isso possa ocorrer, para que haja um único candidato mais forte. Eleição é o tipo de coisa que muda rápido, nós já vimos prévias um ano antes mudarem completamente… Eu acho que estamos em um ambiente de mudanças, todo mundo está querendo mudanças, porque tem muita coisa que não está andando como deveria. Acho que esse ambiente favorece uma terceira via, se for bem trabalhada. Então, eu vejo, sim, chances de que ela possa ganhar uma eleição. Tenho a impressão de que, se um candidato da terceira via chegar ao segundo turno, as chances de ganhar são muito grandes.

Como o sr. avalia o governo Jair Bolsonaro?
De certa forma, é uma decepção em relação àquilo que foi prometido na campanha. Ele foi mudando radicalmente ao longo do seu mandato. A gente imaginava muito mais reformas, muito mais mudanças, e elas acabaram não acontecendo. Claro, pode-se dizer que teve pandemia, que teve uma série de coisas, mas o fato é que as coisas não aconteceram como nós gostaríamos.

A agenda ESG (sigla em inglês para as ações ambientais, sociais e de governança) ganhou mais impulso dentro das empresas durante a pandemia. Em que medida o sr. acha que essa agenda veio para ficar?
Veio para ficar, com certeza. A questão ambiental é parte relevante dessas preocupações, mas há também a questão da diversidade e da inclusão social. São demandas muito claras da sociedade, são justas, e você se ajusta para atendê-las ou fica fora da realidade.

Como vocês tratam disso no Itaú?
De forma geral, temos mais mulheres do que homens, embora nas posições mais altas o número de homens ainda seja maior. Temos de 15% a 20% de negros e pardos, e 6% de funcionários que se declaram LGBTQIA+. Estamos trabalhando para aumentar esses números. Nossa ideia é dar mais oportunidade de entrada a essas pessoas nas contratações e ajudá-las a subir na carreira. No caso das mulheres, por exemplo, elas estão muito concentradas no atendimento de clientes.

Como abrir espaço?
Aqui no banco temos um comitê de promoção. De gerente para cima, o chefe já não pode mais decidir sozinho a promoção de uma pessoa que ele gosta. Tem de submeter isso a um comitê, que leva em conta a diversidade. E o que estamos caminhando para fazer é incluir, obrigatoriamente, uma mulher entre as pessoas que vão disputar o cargo.

11 thoughts on “‘Temos de acreditar em uma terceira via’, diz Roberto Setubal, do Itaú, sem citar nomes

  1. BASTA de polarização enganosa, do nada por coisa nenhuma, em termos de mudanças de verdade: sérias, estruturais e profundas. O LEÃO RUGE, PORQUE O TEMPO URGE. Piruá, ou Pipoca ? Continuísmo da mesmice, ou Transformação ? É essa a polarização que deve ser feita porque é a que pode resolver o nosso Brasilzão e a vida da nossa população que não aguenta mais tanta confusão, fake news, mentiras, enganação e empulhação, via golpe e via eleição. O fato é que na democracia da ditadura partidária, detentora do monopólio eleitoral, que proíbe candidaturas avulsas, ninguém pode ser candidato a cargos eletivos senão através de um partido. Em assim sendo, como de fato é, a Revolução Pacífica do Leão, a RPL-PNBC-DD-ME, a Evolução Democrática, a mega-solução para o nosso Brasilzão, pela redenção da política, do país e da população, o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, a Terceira Via de Verdade, antissistema, a Democracia Direta com Meritocracia, a nova política de verdade, o contraponto a tudo isso que ai está, há 131 anos, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, não tem como se apresentar ao distinto público como opção eleitoral e de poder senão através de um partido, ou direto das ruas para os palácios. E na seara partidária, o REDE e a Marina Silva, são o partido e a liderança que, pelo menos no discurso, estão mais próximos da RPL-PNBC-DD-ME, entre os quais rola até um certo flerte explícito há algum tempo, aos quais, face ao adiantado da hora, urge perguntarmos se o bom partido quer namorar e casar com o megaprojeto, já, tendo em 2022, facultando ao partido e à liderança o direito à cabeça da chapa, reservando ao projeto pelo menos a Vice, para caracterizar a união, que é o que estamos propondo ao REDE e à Marina Silva, esperando uma resposta, positiva ou negativa, porém com urgência urgentíssima, porque o tempo urge. https://glo.bo/3lPuGoL #GloboNews

  2. Gente…

    A regra pra não errar, é fazer tudo diferente do que um banqueiro diz pra fazer. Salvo se o banqueiro estiver dissimulando.

    Os interesses de qualquer banqueiro é inconciliável com o Interesse Nacional Brasileiro.

    Simples assim.
    Quem vota com banqueiro e não é banqueiro está votando contra seus próprios interesses.

  3. A mídia brasileira, que de brasileira não tem nada, já que esse mídia trabalha para interesses externos, ajuda na polarização dentro do Brasil, seguindo ordens de governos estrangeiros, agora vem com a tal “terceira via”.

    • Se continuar o país do jeito que está o Brasil vai se chamar Itaú. Manda em tudo e em todos. Sempre quer fazer o presidente e quase sempre consegue. Só não quer o Ciro – por saber fazer e sabe o que quer.

  4. Adoro este tipo de “desapego”, “sinceridade” de bilionário, porque esta gente sabe que sempre vai ganhar dinheiro, ficar ainda mais rica mesmo se a corrupção pestista voltar ao poder. O destino de bilionários como este é ter que fingir o tempo todo, dizer que é a favor de que bilionários como ele paguem mais imposto, mas é só discurso, não passa da mais pura mentira.

  5. FEBRABAN, FIESP ,CNA ,CFM, grande mídia e toda turma burguesa escravocrata do país votaram e apoiaram Bolsonaro, agora querem pular para a ”terceira via” achando que não serão lembrados disso

  6. Setúbal do time banqueiro canalha que deu um ultimato para que o Brasil fizesse reforma da previdência – para cair no colo do Itaú – senão o país quebraria (???)

    Que se dane esse sujeito (!!)

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