“Temos de discutir com aqueles que defenderam o Bolsonaro”, avalia Dilma Rousseff

Dilma classificou governo Bolsonaro como “neofascista”

Deu na Folha

Para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a esquerda brasileira tem uma tarefa pela frente: se aproximar do povo e daqueles que apoiaram a eleição de Jair Bolsonaro. “Nós temos de olhar para os evangélicos que votaram no Bolsonaro. Nós temos de discutir com aqueles que o defenderam porque acham e acreditam que a questão da segurança no Brasil é a questão central. E nós temos de tratar essa questão”, afirma.

Em entrevista à DW na Colômbia, onde participou do Hay Festival Cartagena, evento focado em cultura e responsabilidade social, Dilma falou sobre as recentes convulsões sociais na América Latina e a guinada à direita ocorrida no Brasil com Bolsonaro. “No Brasil o que você constata é a existência de um governo neofascista executando um programa neoliberal”, comenta.

“MONSTROS” – Quanto à influência das manifestações de 2013 na eleição de Bolsonaro, Dilma diz não ver uma relação direta entre os dois acontecimentos, mas que os protestos permitiram o desenvolvimento de “alguns monstros”.

“As organizações de direita, de extrema direita, pela primeira vez apareceram claramente no cenário nacional. Além disso, você teve, naquele momento, a visão por parte de alguns, de que seria possível começar a manipular as coisas”, considera.

O ano de 2019 foi um ano de convulsões sociais na América Latina, vimos protestos no Chile, na Bolívia na Colômbia e também no Brasil. Qual é a polarização que existe no continente?
Eu acredito que no continente todo há uma polarização que é sobre o que acontece, em termos de como vivem as pessoas. Acredito que, primeiro, há um aumento brutal da desigualdade. As pessoas percebem que há alguns que têm muito, e outros que têm muito pouco. E você tem então, essa sensação imensa, esse mal-estar imenso. E ao mesmo tempo, como se fez um trabalho muito forte em todo esse período de descrédito nos partidos políticos e nas representações, nem sem canaliza isso, isso surge de uma forma muito forte, espontaneamente, vai para as ruas.

E aí tem algo que eu acho extremamente interessante que vi nas manifestações no Chile: havia uma inércia na população chilena, que não reagia a tudo isso que vinha perdendo há muito tempo. Por que só agora? E aí eu vi uma palavra de ordem que é muito elucidativa: não era conformismo, era silêncio. Não era medo, era silêncio.

O Brasil deu uma guinada brusca à direita, assim como outros países que deram as costas para a esquerda, como a Colômbia há alguns anos, e mais recentemente o Uruguai. Mas também há outros países, como a Argentina, por exemplo, que depois de uma experiência relativamente curta de um governo mais conservador, voltam ao conhecido. Em que situação se encontra a esquerda latino-americana?
No Brasil o que você constata é a existência de um governo neofascista executando um programa neoliberal. Defendem a tortura, os torturadores, dizem que não houve ditadura no Brasil. [O governo] É capaz de utilizar de forma absolutamente clara todos os mecanismos possíveis para perseguir artistas, para desrespeitar educadores, desrespeitar a autonomia universitária, desrespeitar o direito, desrespeitar jornalistas. Eles têm de conviver com isso. Têm de conviver com a defesa da tortura, com a defesa da violência. Têm de conviver com as relações bastante estranhas que existem entre certos segmentos da milícia e setores do governo Bolsonaro.

O que pode fazer a esquerda brasileira para recuperar o eleitorado que optou por esse presidente?
A esquerda vai ter de ter um trabalho junto ao povo. Cada vez mais. Nós temos de olhar para os evangélicos que votaram no Bolsonaro. Nós temos de discutir com aqueles que defenderam o Bolsonaro porque acham e acreditam que a questão da segurança no Brasil é a questão central. E nós temos de tratar a questão da segurança. Nós vamos ter de voltar a todas essas esferas de atuação das pessoas. Onde está o povo brasileiro é onde teremos de estar. Só tem esta forma.

Há que ter uma discussão sobre como construir um novo modelo que de fato seja aquele que atenda aos interesses das pessoas, que não torne as pessoas tão infelizes como estão. Esta forma de economia que leva a essa tamanha desigualdade não é consensual. Porque enquanto você achar que é consensual e agir como tal, não haverá alternativa pela esquerda contra esse processo. E aí tem campo fértil para, por exemplo, um [presidente dos EUA Donald] Trump atribuir todo o processo de concentração de riqueza e renda dos Estados Unidos ao imigrante mexicano.

Em que medida você que crê que a eleição de Jair Bolsonaro foi uma consequência direta dos protestos que estouraram no Brasil em 2013?
Eu não diria uma consequência direta dos protestos de 2013 porque movimentos sociais sempre são mais complexos, mas é certo que naquele movimento de 2013 houve um caldo de cultura no qual se desenvolveram alguns monstros. As organizações de direita, de extrema direita, que pela primeira vez apareceram claramente no cenário nacional. Além disso, você teve, naquele momento, a visão por parte de alguns, de que seria possível começar a manipular as coisas.

Eu, especificamente, nunca quis dar muita importância às teses e teorias a respeito da influência americana nesse processo de golpe. Porque eu achava que a elite brasileira é suficientemente golpista para não precisar dos EUA para dar golpe. Toda a relação entre a Lava Jato e o Departamento de Justiça americano, quando eu descubro que eles fizeram um acordo, e pelo acordo, os procuradores, que são funcionários públicos, e funcionário público não pode receber dinheiro de outro país, criaram uma fundação com R$ 2,5 bilhões, uma fundação para trabalhar a corrupção.

O escândalo foi tão grande que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o próprio Ministério Público os mandaram devolver o dinheiro. E por que o Departamento de Justiça americano tem essa relação tão aberta com eles? Então, alguns fatos me levaram a reconsiderar e achar que pode ter tido uma influência.

Então, eu te digo o seguinte: acredito que ali teve uma pré-estreia. Não acho que a razão está ali. A razão está: temos de reenquadrar o Brasil. O Brasil está saindo de um processo em que ele deve ser enquadrado econômica, social e geopoliticamente. Nunca se esqueça de que nós fomos responsáveis pelo surgimento dos Brics, participamos ativamente do G20 e jamais votamos a favor de nenhuma intervenção militar em todo nosso período de governo.

17 thoughts on ““Temos de discutir com aqueles que defenderam o Bolsonaro”, avalia Dilma Rousseff

  1. A TI perde tempo com esta imbecil.
    Chega o mal que causou, e causa, espalhando pelo mundo um sem número de imbecilidades.
    Há assuntos mais úteis ao Brasil, para serem debatidos.

    • O único espaço que deveriam dar para a ex-presidente na mídia era para ela explicar por que, sabendo-se incompetente e despreocupada, aceitou ser ministra e poste do Lula, tendo perfeita consciência da tragédia que iria provocar.

  2. “Gente falando existe de sobra – falam até os ex-presidentes Lula e Dilma, autores de dois dos mais destrutivos governos que o Brasil já teve.

    Gente dizendo coisa com coisa, porém, já é outra história. Não é preciso, realmente, dizer muita coisa a mais. Empresas, propriedades, bens – enfim, o patrimônio das pessoas – só valem algo dentro de um contexto econômico. É possível, hoje, saber o que você tem. No mundo proposto pela esquerda nacional e pelos que estão tentando viajar de carona com ela, não é.
    Muito simples.

    Romeu Zema, empresário que ocupa pela primeira vez um cargo de ponta na política brasileira, nasceu em 1964. Ele sente que não faz nenhum sentido ficar discutindo política e economia em termos de regime militar e outras realidades do passado.
    A fila anda.
    A conversa é outra.

    Recentemente, numa entrevista na televisão, o governador de Minas, do Partido Novo, resumiu grande parte de tudo o que é necessário saber sobre posturas políticas e econômicas no Brasil atual com um exemplo matador:
    “-Quanto valeria a sua casa, hoje, se ela fosse em Caracas?” ”
    JRGuzzo

  3. Essa vagabunda sem moral essa mula sem cabeça quer é acabar com o resto que sobro do pais, só da pra dizer que essa vagabunda filha de uma vaca tem é de ser presa celerada sem vergonha vagabunda sem vergonha safada

  4. Dilma esquece ou esconde os erros cometidos. Isso é que levou o voto antipetista, o qual se materializou na eleição de Bolsonaro, um candidato sem condições de liderar o Brasil.

    Aliás, essa pauta eterna identidaria, focada em costumes e exageradamente em minorias, está errada para a maioria do povo. Um discurso difuso e desconexo da realidade.

    A economia, a segurança pública, a educação, principalmente básica, deveriam ser o ponto central de qualquer debate.

    Enquanto uma grande parte da esquerda não entender isso, vai ser difícil um discurso que convença a população.

    A direita, centrada numa pauta de costumes, num discurso uno que as soluções econômicas passam pelo sacrifício dos que ganham menos e pelas privatizações e internacionalização está conseguindo levar ampla vantagem.

  5. A fala sério né gente Dilma? Por que perder tempo com essa idiota? Alguém que fala em neofascismo neoliberal não pode ser levada a sério né? Esse blog está descendo o padrão mesmo.

  6. A abjeta criatura poderia explicar-nos o desastre econômico, a roubalheira generalizada e o maior escândalo de corrupção da História da Humanidade…como sempre, entrevista com perguntas combinadas, “é gópi e coisa duzamericanu”.

  7. PALANQUES PRÓ-CIRO: A direção nacional do PDT já decidiu que terá candidatos próprios nas capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores. “As eleições municipais, além de apresentar o projeto da legenda para as cidades, também servirá para levar a candidatura de Ciro em 2022, afirma Carlos Lupi, que aproveitará a Convecção Municipal do PDT, em Paulista nesta sexta-feira (07), às 16h, no Sindicato dos Tecelões, para lançar Fábio Barros a prefeito da cidade. https://folhape.com.br/politica/politica/eleicoes-2020/2020/02/06/BLG,14364,7,1463,POLITICA,2419-PAULISTA-PDT-REALIZA-CONVENCAO-COM-PRESENCA-CARLOS-LUPI.aspx

    AMT FORTALECIDA: A presidente do Instituto de Mulheres Contadoras do Estado do Piauí, doutora Janaína Moura, assinou a ficha de filiação ao PDT e é pré-candidata a vereadora de Teresina nas eleições deste ano. A Ação da Mulher Trabalhista (AMT), movimento que representa as mulheres no PDT, se fortalece com adesões deste porte. https://www.portalr10.com/noticia/42360/janaina-moura-se-filia-ao-pdt-e-e-pre-candidata-a-vereadora-de-teresina

    EM BOTUCATU o PDT confirmou a pré-candidatura da vereadora Rose Ielo à prefeita nas eleições deste ano, tendo um nome de peso na chapa de vereadores: O ex-prefeito Mário Ielo. “Assumir a indicação do Partido a essa pré-candidatura a Prefeita é um ato de muita responsabilidade, na qual aceitei o desafio. Vou representar as mulheres, meu partido e todas as pessoas que confiam em nós e apoiam nosso trabalho”, enfatiza ela. http://tribunadebotucatu.com.br/noticias/politica/273/vereadora-rose-ielo-assume-oficialmente-ser-pre-candidata-a-prefeita-pelo-pdt-em-2020-?fbclid=IwAR2zPAqB_EFr_9NwpZZSx53RPlHWZHfbBQuqvR_JfAC28bUABBFkbNO3kAs

    CAPITAL BAIANA: O vereador e presidente municipal do PDT, Odiosvaldo Vigas, comentou com a equipe do Varela Notícias a chegada do secretário Municipal da Saúde Municipal e deputado estadual (licenciado), Leo Prates (Sem Partido), para a sua legenda. “Hoje estamos na expectativa de contar com Leo Prates no nosso quadro. O partido cresce com a chegada dele, que vem com afinidade ideológica e não pensando em ser prefeito ou vice-prefeito”, disse o vereador. https://varelanoticias.com.br/o-pdt-cresce-com-a-chegada-de-leo-prates-diz-odiosvaldo-vigas/

    CONFIRMADA FILIAÇÃO: O secretário municipal de Saúde da capital baiana e deputado estadual licenciado Leo Prates vai se filiar ao PDT, na próxima terça-feira (11), e lançará também a pré-candidatura a prefeito de Salvador. O ato vai acontecer na União dos Municípios da Bahia (UPB), no Centro Administrativo da Bahia, contando com as presenças dos presidentes do PDT nacional e estadual, Carlos Lupi e Félix Mendonça Júnior, respectivamente. https://www.bahianoticias.com.br/noticia/243826-prates-vai-se-filiar-ao-pdt-na-proxima-terca-e-lancara-pre-candidatura-a-prefeito.html

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