Tempo na TV, complicador para Ciro e Marina

Pedro do Coutto

Na edição de 28 de setembro de O Estado de São Paulo, a repórter Cristiane Samarco revela que Ciro Gomes pretende convidar o ministro Carlos Lupi para ser candidato a vice presidente em sua chapa, visando com isso ampliar o tempo a que tem direito o PSB nos horários de propaganda gratuita da Justiça Eleitoral. Carlos Lupi, claro, titular do trabalho, portanto integrante do governo, só poderá decidir tal rumo depois de consultar o presidente Lula. Afinal de contas, pertence ao PDT e o Partido Democrático Trabalhista faz parte da base aliada. Entretanto, a matéria conduz o debate a um aspecto essencial, sobretudo nos dias de hoje em que a comunicação de massa adquire caráter essencial nas campanhas políticas. Trata-se do tempo que cabe a cada partido ou coligação nos horários de propaganda política. Gratuita, aliás, a única admitida pela Lei Eleitoral. É importante observar-se o que diz a lei 9504 de setembro de 97. Os horários de propaganda, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 47, são estabelecidos com base em três pontos.

Primeiro: um terço da quase meia hora diária dividido em partes iguais pelos partidos que apresentarem candidatos à presidência.

Segundo: dois terços distribuídos de acordo com a proporcionalidade das bancadas na Câmara Federal.

Terceiro: divisão em partes iguais do tempo que caberia aos partidos que resolverem não apresentar candidatos.

Para se ter uma idéia, são 25 minutos diários à tarde e à noite. Vantagem enorme para o PT, PMDB e PSDB, vindo o DEM logo atrás.Espaço muito pequeno para o Partido Socialista Brasileiro. Teria um minuto e dez segundos, quatro por cento do total. Muito pouco. Daí a necessidade de Ciro formar alianças para romper o teto extremamente baixo. Mas com que partidos? Com os que estão com José Serra e com Dilma Roussef não será possível. Tampouco com o PPS de Roberto Freire, ao qual se filiou o ex presidente Itamar Franco. Torna-se difícil o caminho de Ciro.

Sua luta em tentar ultrapassar a chefe da Casa Civil e rumar para um segundo turno fica extremamente dificultada. Não é possível, pois toda a campanha depende do desempenho do candidato. Mas isso em condições de equilíbrio e divisão aproximada de espaços. Não é o caso. O problema de Ciro estende-se à senadora Marina Silva, pelo PV. Fração igualmente muito reduzida. O problema de tempo não é apenas dos candidatos à presidência. Atinge os candidatos aos governos estaduais exatamente na mesma proporção. Se Fernando Gabeira, do Partido Verde, correligionário de Marina, obtivesse o apoio do PSDB, seria uma coisa. Mas com a candidatura da senadora pelo Acre não poderá apoiar José Serra, pois a lei impede este tipo de composição. Gabeira passará a ter espaço extremamente reduzido no Rio de Janeiro. Espaço bom terá o governador Sergio Cabral, que é do PMDB, ainda que o PT não o apóie nas urnas. Enfim, o destino das candidaturas depende muito da presença que puderem obter em suas campanhas. Mesmo que as mensagens sejam produzidas com elevada competência, o tempo de exposição influi sensivelmente.

É impossível que espaços amplos sejam mal utilizados. Esta é outra questão. Não se pode analisar hoje o que somente será produzido amanhã. Por isso, tem que se falar em tese, analisar sob o ângulo da teoria, não da prática. Milagres acontecem, pois o talento humano possui importância decisiva. Mas tem limites, uma vez que, no caso, não se trata de arte, da criação, mas sim dos períodos de exposição. Os tempos longos, às vezes, saturam. Este é outro caso. Mas para se avaliar bem a questão pergunte-se aos próprios candidatos se4 desejam possuir espaços amplos ou curtos na televisão.Ninguém vai preferir o mínimo.

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