Tempo na TV deveria ser igual para todos os candidatos a presidente

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Charge do Glauco (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Em artigo publicado ontem na Folha de São Paulo, a jornalista Eliana Passarelli analisa as limitações e permissões estabelecidas pelo TSE para as eleições deste ano para Presidente da República. De fato, digo eu, a articulista aponta a existência de contradições, como é o caso do tempo de rádio e televisão ser acessível aos candidatos, com base na dimensão das bancadas que os partidos que apoiem este ou aquele tenham na Câmara Federal. Vejam só a contradição entre o objetivo da Lei Eleitoral de igualar todos os candidatos e o que acontece na prática na luta pelas urnas.

O horário eleitoral gratuito inicia-se a 31 de agosto e vai até 4 de outubro. Não existe, na realidade, oportunidades iguais a todos os que postulam chegar ao Palácio do Planalto. Tanto assim que o partido com direito ao maior espaço é o MDB. Logo seu candidato o ex-ministro Henrique Meirelles será o mais beneficiado. Nada a ver com a percentagem mínima que seu nome registra nas pesquisas eleitorais. 

CASO COLLOR – Mas o que tem a ver a posição dos candidatos com as bancadas do Legislativo? Nada. Em 1989, o espaço de Collor era muito pequeno em relação aos demais. Venceu a eleição. E no primeiro turno Lula assegurou o direito de disputar com ele, superando Brizola pela diferença de apenas 1% dos votos válidos, em 16 a 15%.

Por isso, o aproveitamento do tempo é algo diferente do que seu preenchimento. Isso leva à conclusão de que o enigma da exposição pode ser superado pela má qualidade das mensagens de um e a qualidade positiva de outros, com menor tempo no vídeo. Mas esta é outra questão.

O fato é que o objetivo é a igualdade, mas a legislação consagra a desigualdade. Porém, a política é plena de contradições e não adianta apontá-las como algo negativo, uma vez que abrangem tanto a direita quanto a esquerda com a predominância do centro. Até porque o centro é uma faixa, não é um ponto.

MENOS RECURSOS – Dito isso, as urnas de outubro serão aquelas com menor injeção de recursos financeiros. A propaganda nos jornais e nas emissoras de TV está proibida. O mesmo acontece em relação as redes sociais na Internet. A diferença entre as mensagens gratuitas e as postagens pagas é difícil estabelecer.

Está aberta a colocação de textos e imagens, mas desde que não ocupem espaços publicitários remunerados. Nessa situação, os canais eletrônicos estão abertos a todos os candidatos. O acesso aos respectivos espaços é problema de cada um. Porque, como nos próprios jornais os leitores e telespectadores são livres para assistir as mensagens, razão pela qual é difícil distinguir o que foi pago e o que não foi nas redes sociais.

PAGOS E GRATUITOS – Nos jornais e emissoras de televisão, a publicidade é editada com esta colocação. Porém, este ano não poderá haver comparação entre destaques pagos e gratuitos, porque a lei eleitoral proíbe a publicidade individual das candidaturas.

Em 2018 haverá a campanha eleitoral mais barata em termos relativos, em relação àquelas que passaram no tempo desde a redemocratização de 1945, ano em que o ditador Getúlio Vargas foi afastado do poder que exercia por 15 longos anos. Também este ano, os gastos serão infinitamente menores que aqueles das eleições de 1988 para cá.

É consequência direta da operação Lava Jato.

3 thoughts on “Tempo na TV deveria ser igual para todos os candidatos a presidente

  1. Nada errado tudo certo Pedro do Couto. O errado é essa montanha de partidos criados para servirem as quadrilhas que tomaram conta do Congresso. É só lembrar quantos partidecos (que fazem diferença), foram financiados por Cunha (naturalmente com concordância de Temer). Só um exemplo: Paulinho da Força soltou até ratos dentro da Câmara para agradar Cunha em troca de ter recebido 400 mil reais para criar um partido (SD) com documentos fraudados. A mídia noticia e não acontece nada.

  2. Deveria ser, não somos democráticos, mas esta justiça eleitoral é impressionante, a lei dá mais tempo a coligações, partidos se coligam para ter mais tempo de tv e distribuir cargos públicos, ou seja, o interesse não é pelo país, mas para comandar ministérios, secretarias, diretorias de estatais, aí a roubalheira como solta.

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