Tendência de “arquivamento” de inquérito por Segóvia foi um tiro pela culatra

Entrevista foi um recado ao delegado Cleyber Malta

Marcelo Copelli

As declarações feitas pelo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, na última sexta-feira, dia 9, em entrevista à agência de notícias Reuters, sobre a possível recomendação pelo arquivamento do inquérito dos portos contra Temer por falta de provas, desencadeou uma enorme crise dentro da corporação e acabou com o aparente sossego do feriado carnavalesco do presidente na Restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro.

INTIMAÇÃO – Após a desastrosa repercussão, delegados do grupo de inquéritos da Lava Jato reagiram imediatamente, uma vez que ninguém da corporação havia sido consultado ou apoiado a insana manifestação de Segóvia. Além disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso o intimou a explicar as declarações que ameaçaram o delegado responsável pelo caso, “que deve ter autonomia para desenvolver o seu trabalho com isenção e livre de pressões”.

Segovia logo tentou consertar o que já estava quebrado. Enviou mensagem para colegas do Sindicato de Delegados da PF do Distrito Federal, negou o tom das declarações, a interferência nas investigações e se desculpou admitindo apenas que deu uma “opinião pessoal” e teve uma “conclusão apressada” sobre o inquérito no qual afirmou não existirem indícios de que a Rodrimar tenha sido beneficiada pelo decreto de Temer.

Não é a primeira vez que Segovia explicita seu papel de frágil defensor de Temer. No fim do ano passado, questionou o ritmo da investigação conduzida pela Procuradoria Geral da República contra o emedebista, declarando que “uma única mala talvez não desse toda a materialidade para apontar se houve ou não crime, e quais os partícipes“, ao se referir ao episódio do “deputado da mala”, em que Rocha Loures foi flagrado recebendo R$ 500 mil que seriam de propina da JBS. E o diretor da PF acrescentou que os resultados da investigação seriam um “ponto de interrogação” no imaginário dos brasileiros.

INDICAÇÃO POLÍTICA – A escolha de Segovia para a Diretoria da PF foi ancorada pela articulação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, do ex-presidente José Sarney e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, com a rubrica final de Temer, mesmo sem ser o nome preferido pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, a quem a Polícia Federal está subordinada. 

Pouco antes de sua posse, Fernando Segovia já registrava visitas ao presidente, mesmo fora da agenda oficial. Após assumir o cargo, continuou a encontrá-lo, inclusive na semana em que Temer entregaria as 50 respostas à Polícia Federal sobre o inquérito dos portos. Tanto o Planalto, quanto Segovia negaram que o assunto do encontro tenha sido esse, mas quem acredita?

PEDRA NO SAPATO – Assim que Segovia assumiu a direção-geral da PF, o foco em Cleyber Malta Lopes, que conduz o inquérito em que Temer é investigado, aumentou. O delegado sempre foi uma das pedras no sapato presidencial e já era desafeto antigo do diretor da PF desde a época em que presidiu um inquérito envolvendo a família Sarney, quando Segoviaera superintendente no Maranhão.

Não foi por acaso que Cleyber Malta teve o nome citado na entrevista dada à Reuters, na qual se destacou que uma investigação interna poderia ser aberta para apurar a conduta do delegado pelos questionamentos enviados a Temer no caso. O discurso inclinado, além de ameaçador, deixa clara a relação próxima e dependente entre Segovia e Michel Temer.

PELA CULATRA – A declaração que provocou essa hecatombe política acabou por se tornar um tiro no pé, dele próprio e, por consequência, do já tão impopular Temer. Com a atrapalhada entrevista, intencionava-se mandar um “sutil” recado público e direto para Cleyber Malta, na tentativa de contê-lo e, em seguida, extirpá-lo das preocupações presidenciais, provocando sua saída das investigações. A ingênua estratégia, entretanto, não durou. Provocou descontentamentos dentro da corporação e questionamentos do Ministério Público e do Supremo.

As previsões do diretor sobre um inquérito em curso, conduzido por outra pessoa, suas garantias e perigosas ligações agora exigirão mudanças nos próximos passos do governo para contornar a questão dos portos que foi reaquecida.  

Se a intenção de Segovia era matar no peito o inquérito da Rodrimar, agora terá que amargar o gol contra marcado. E Temer, que já não sabe mais o que fazer para evitar tantos desgastes, continuará na mira das investigações, buscando desesperadamente uma solução para manter o foro privilegiado e ficar a salvo da Justiça.

19 thoughts on “Tendência de “arquivamento” de inquérito por Segóvia foi um tiro pela culatra

    • Dodge & Segovia Associados: Tem que arquivar isso viu ?!?!

      Raquel Dodge está prevaricando e essa atuação da PGR de Temer é inaceitável !

      Raquel Dodge é a Prevaricadora Geral da República !!!

      Já era pra PGR ter feito a 3ª denúncia contra Temer no caso da MP do porto de Santos faz meses !!!

      Mas Raquel Dodge, a Prevaricadora Geral da República, foi escolhida por Temer justamente pra isso: continuar engavetando essa denúncia !

    • Famigerado
      Tens razão. mas temos de SEMPRE indicar de quem.
      E tudo começa no eleitor.
      Não esqueçamos que, em outubro próximo, eleitores evacuarão nas urnas o conteúdo de suas mentes e corações.
      Depois não digam que não sabiam, que nada muda e que a democracia é uma porcaria.
      Abraço e saúde.
      Fallavena

  1. “A escolha de Segóvia para a Diretoria da PF foi ancorada pela articulação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, do ex-presidente José Sarney e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, com o rubrica final de Temer,…”

    Fala sério! Pode alguém indicado por gente assim ter isenção e impulsos de buscar a verdade?

    Quem gostaria de ocupar algum cargo, importante ou não, se escolhido pelos acima mencionados e, ainda fazer parte de um governo com a marca do atual, além de ser a continuidade do de Dilma?

    Não esqueçamos, pelo menos os que ainda possuem algum senso, que Temer era vice de Dilma, ambos eleitores pelo PR, puxadinhos e agregados de sempre!

    A imagem de tiro no pé é pequena demais para o episódio. estão atirando na própria cabeça.

    Fallavena
    Fallavena

    • O pior, Fallavena, é que tem muita gente que acreditou/acredita na seriedade desse sujeito, assim como na de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luis Roberto Barroso, Carmen Lúcia, Torquato Jardim e Raquel Dodge ….

      • Roberto Marques
        Vivemos, atualmente – fruto das últimas décadas, numa sociedade permissiva, omissa,
        IRRESPONSÁVEL.
        Por vezes sou agredido, não fisicamente, por alguns que justificam tudo que ocorre como produto dos políticos, empresários e falsos lideres.
        Cobro de nós, da sociedade. Nós somos o país, com camadas bem identificadas.
        É preciso responsabilizar os verdadeiros responsáveis. Só assim mudaremos os rumos do país.
        A maioria precisa se manifestar o que desejam que seja feito.
        Abraço e saúde.
        Na democracia, o PRIMEIRO RESPONSÁVEL tem de ser o povo. Do contrário, …

        Fallavena

  2. Cada peça… Como é que esse cara se formou é uma incógnita para mim. O primo da minha vizinha é engenheiro do bom e se orgulha disso pacas. Aposto todas as minhas fichas que ele não se submeteria a uma condição de mordomo do rei como o dotor fez.
    Vamos ter que importar homens de outras plagas.

  3. Na velha e insofismável internet, irretorquível,
    aparece uma criatura, que se diz filha do tal eme.tê, o eme.tê, SOFISMANDO:
    “”” “É triste ver o nome do meu pai na lama” “””.

    É sofismando ou é MENTINDO mesmo ?

  4. ALuís
    Não fiz comentário sobre as declarações da filha de Temer. É filha e filha(o) que ama seu pai/mãe quando opina fala com o coração e não com a razão.
    Veja o caso dos filhos de Lula. nenhum comentário. Não defenderam e nem atacaram.
    Acredito que ela tenha sentimentos bons pelo pai e que sinta o que externou.
    Abraço.
    Fallavena

  5. Boa tarde.

    Prezado Fallavena.

    Corroboro com suas palavras mas muitos como eu e entre muitos outros sabemos que não podemos somente comentar o que a maioria vê, e publica, e sim trazermos soluções e novas pautas e propormos saídas.

    Sei que quando entramos na TRIBUNA DA INTERNET somos identificados como leitores comentando ou não.

    Fica aqui mais uma vez como você bem disse uma tentativa para colaborar para meu país: eles têm que possuir medo do povo, mas diversos comentários criticando uns aos outros não chegaremos a um denominador comum, não possuo este melindre pois sei qual é o meu objetivo e nem Jesus agradou a todos, e posso por que não dizer, o nosso objetivo.

    Vamos ao ponto, vamos filosofar sobre o povo: Você acredita- não precisa me responder, estou filosofando comigo mesmo- que o povo ignorante mesmo assim possa ser sábio para escolher a grosso modo seu melhor presidente para 2018, com este ensino em frangalhos?

    Presenciei fogos em comunidades (antigamente favelas) soltados com a decisão do TRF4, contra o LULA DA SILVA.

    A classe ainda média era o fiel da balança, e para mim ainda é em eleições. Será que em sua maioria já estão contaminadas pela máquina PT. Você concorda comigo?

    E se não mudarmos logo para um bom presidente, amanhã num futuro próximo seremos todos por bem ou por mal massas de manobras.

    O momento é este para o povo. Quanto aos militares, que eu apoio tb., como solução para o povo ignorante e não sábio, ou sábio e ignorante, eis minha dúvida. Fico a pensar os militares possuem um staff de pensadores e estrategistas que não podemos duvidar, porém desculpe-me a arrogância, todavia no lugar deles a pauta tinha que seguir o que tentaria convencer ao ALTO COMANDO caso fosse comandante: ORDEM DADA A TODOS OS 3 PODERES É MISSÃO CUMPRIDA, dizendo: Por favor não estamos esperando nada em contrário cfe. nossas determinações até as eleições, isso se ou não acreditasse no povo para determinação de seu próprio destino.

    A questão é muito difícil, mas nada é para ser fácil, pois do contrário colocaremos o LULA CORRUPTO no poder.

    ” Você estará preparado porque é imperfeito; Você está convicto por causa de suas dúvidas”. Esposa de Winston Churchill no momento crucial da Inglaterra aderir a guerra e salvar 300.000 (trezentos mil soldados encurralados).
    Abs. e saudações cordiais.

    • Douglas
      Aprecio, e muito, comentários como o que fizeste acima.
      Acredite, a primeira coisa que é preciso ser feita é parar e pensar.
      Vivemos num país que tem tudo – já repeti isto uns milhares de vezes durante minha vida. E é a pura verdade.
      O que nos atrapalha?
      Agora estarei “filosofando”.
      Falta educação? Cuida quantos escrevem que os tigres asiáticos e mais alguns outros, em duas décadas investiram em educação e o bum foi legal. Correto, só que educação naqueles países não é educação aqui.
      Por que? Nos falta sociedade (conjunto de valores), nacionalismo e ESCOLARIDADE COM QUALIDADE.
      No Brasil, quando falam em educação, na verdade, querem dizer ESCOLARIDADE, até porque escola não educa. Quem educa? A família. Pergunto: onde andam as famílias no Brasil? Aqui está o nó que precisa ser desatado, desmanchado.
      mas não é só isto. Um dia desses, num debate aberto em rádio de Porto Alegre, quando todos os demais argumentavam e chegavam a conclusão da falta de “educação” de qualidade, perguntei: “vamos educar as crianças e afazer o que com os adultos mail educados? E mais: se os adultos continuarem mal educados, quem educará as crianças?

      Quanto a quem elegeremos/elegerão e se parcela do povo, sem cultura, identidade, responsabilidade escolher errado, fazer o que?
      A democracia não funciona por impulsos. A qualidade do eleitor qualifica a escolha e os escolhidos podem atingir os objetivos.
      Por esta razão, de uns tempos para cá (uns 15/20 anos) defendo, com justificativas fundamentadas, voto aberto, sem obrigação e com restrições para alguns casos. mas isto é um papo para muitas horas!

      Assim, amigo Douglas, enquanto tentarmos corrigir os problemas do país aos pedaços, sem ordem e sem continuidade, derrapamos, escorregamos, caímos de volta.
      A cada recomeço, novas perdas de energias, de valores, de recursos, de toda a ordem.

      E com tudo isto, ainda tem gente que diz que assuntos assim são pesados, entediosos, cansativos e não tem tempo para isto.

      Um dia, quem sabe, possamos debater temas assim.

      Abraço e muita saúde.
      Fallavena

  6. Fallavena.

    Muito bom o início desta nossa conversa, gostei muito, e estou filosofando também. Uma vez postei aqui sobre a Verdade e, quando a encontrarmos ela será uma “lei” não no sentido literal da palavra lei, mas filosoficamente.

    Mas quem dirá estas leis?

    Esta do voto facultativo,e sob condições de cultura na minha cabeça, etc, como será encarada. Uma “lei” autoritária e não democrática?

    Veja hoje concordo contigo, isso seria de enorme importância, voto facultativo, e sob determinadas condições.

    Quanto a família ainda mais com a reportagem de Leonardo Bofe, o que esperar da família. Nem comento um texto deste, acima.

    Vejo necessidade de um “choque” na atual circunstância. Impossível sem ele.

    Abraço, meu amigo Fallavenna.

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