Termina hoje o prazo para o ministro Fernando Pimentel se explicar na Comissão de Ética do Planalto

Carlos Newton

Como dizia o genial publicitário e compositor Miguel Gustavo, “o suspense é de matar o Hitchcock”. Acaba hoje o prazo concedido pela Comissão de Ética Pública da Presidência para que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, explique o faturamento recebido com consultorias a empresas e entidades, entre 2009 e 2010.

Como se sabe, essas “consultorias” podem configurar tráfico de influência, no melhor estilo do também “consultor” Antonio Palocci, que perdeu o cargo de ministro e a dignidade, por conta de determinadas “consultorias” mal explicadas.

A diferença entre os dois casos de tráfico de influência, é que Palocci sempre se recusou terminantemente a revelar quais eram as empresas às quais prestava a tal “consultoria”, enquanto Pimentel de pronto liberou essas informações, julgando que iria se livrar de investigações, mas se enganou redondamente, como se dizia tempos atrás.

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A DENÚNCIA

Em dezembro do ano passado, O Globo revelou que entre 2009 e 2010 Pimentel faturou R$ 2 milhões, com consultorias. Metade desse dinheiro foi pago pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por serviços de consultoria na elaboração de projetos na área tributária e palestras nas dez regionais da entidade. As palestras nunca ocorreram. Pimentel simplesmente mentiu. E as demais consultorias jamais foram bem explicadas.

De lá para cá, o ministro vem fugindo da imprensa para tentar se manter no cargo, beneficiado pela estranha e questionável decisão da presidente Dilma Rousseff, que na época do escândalo resolveu preservá-lo, alegando que o governo não teria a ver com o procedimento de Pimentel antes de assumir o ministério, vejam a que ponto de desfaçatez chegamos.

Assim, tudo aparentemente corria bem para Pimentel, que vive pelo mundo participando de eventos relacionados ao comércio exterior. Até que na terça-feira da semana passada, surpreendentemente, a Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu não somente investigar o caso de Pimentel, mas também pedir esclarecimentos diretamente ao ministro, a respeito de consultorias supostamente prestadas antes dele integrar o governo Dilma Rousseff.

A decisão da comissão foi apertada, com três conselheiros votando contra o pedido de esclarecimento – Américo Lacombe, Roberto Caldas e Padre Ernanne – e três a favor: Marília Murici, Fábio Coutinho e o presidente do colegiado, Sepúlveda Pertence. Diante do empate, Sepúlveda deu o voto de minerva, dando prosseguimento ao processo contra Pimentel.

A decisão de investigar Pimentel foi um espanto. Afinal, o que mudou nessa Comissão, que em decisões anteriores inocentou o então ministro Antonio Palocci e aplicou punição apenas simbólica à ex-ministra Erenice Guerra, que pode inclusive exercer cargo público?

“Decidiu-se, pelo meu voto de minerva, encaminhar pedido de informações e esclarecimentos ao ministro. Em síntese, embora correto, ao meu ver, o voto do conselheiro Roberto Caldas, de que em linha de princípio atos anteriores à investidura do ministério não são competência da Comissão de Ética, alude o próprio voto a situações excepcionalíssimas, em que atos anteriores possam comprometer a autoridade e exigir providências da Comissão de Ética, pelo menos no papel de conselheira da presidente da República”, explicou o presidente da Comissão, Sepulveda Pertence, que ao que parece está pretendo resgatar sua biografia.

Segundo Sepúlveda, a comissão ainda não entrou no mérito se as denúncias são procedentes ou não. O ministro Pimentel ganhou dez dias para dar explicações à Comissão, e o prazo termina hoje, Mas como diz a canção de Marino Pinto e Zé da Silva, Brasília tem razões que a própria razão desconhece, e hoje é véspera de feriado prolongado na Semana Santa.

Portanto, pode ser que Pimentel ganhe tempo até segunda-feira, aproveitando para rezar bastante e se preparando para depois pedir perdão ao Papa por esse pecado capital chamado Cobiça.

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