Teses da campanha de Bolsonaro exibem características de retórica populista

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Hélio Schwartsman
Folha

Jair Bolsonaro conseguiu a façanha de ser eleito presidente sem ter dito o que pretende fazer depois de 1º de janeiro. Ou melhor, sua campanha soltou tantas e tão contraditórias declarações que qualquer proposta que o governo venha a apresentar será compatível com alguma das sinalizações emitidas.

Podemos tanto esperar uma reforma da Previdência vigorosa, quanto uma versão ultra-aguada daquela que foi proposta na gestão Temer. Para os que gostam de marcar “nenhuma das anteriores”, outra possibilidade é a mudança do regime de repartição para um de capitalização, que a maioria dos técnicos considera pouco viável.

PRIVATIZAÇÕES – Também não sabemos se veremos um programa de privatizações tão ousado que inclua praias e parques nacionais —seria a única forma de chegar ao R$ 1 trilhão desejado por Paulo Guedes—, ou um tão tímido que deixe de fora estatais “estratégicas” como Petrobras, BB, CEF e Eletrobras, que são as que valem dinheiro grosso. Em algum momento, tudo isso foi vocalizado ou ao menos insinuado por algum membro do núcleo duro bolsonariano.

Tal ambiguidade não chega a ser uma surpresa; ao contrário, é uma característica da retórica populista, que evita definições que possam alijar eleitores ou converter-se em cobranças no futuro. O próprio discurso da vitória de Bolsonaro teve uma versão mais institucional para o grande público, que não foi ruim, e outra, com mais provocações, para a turma das redes sociais.

RELATIVAÇÃO – É interessante notar que mesmo as falas mais veementes e ultrajantes do clã Bolsonaro costumam depois, caso provoquem comoção, ser relativizadas como se não passassem de brincadeira ou tivessem sido descontextualizadas. É uma forma de tentar normalizar a intimidação.

O problema com a ambiguidade é que ela funciona melhor na campanha do que no governo. Para fazer as coisas acontecerem, Bolsonaro precisará tomar decisões, isto é, arbitrar perdedores.

32 thoughts on “Teses da campanha de Bolsonaro exibem características de retórica populista

    • “Jair Bolsonaro conseguiu a façanha de ser eleito presidente sem ter dito o que pretende fazer depois de 1º de janeiro”.
      É claro, Bolsonaro só tinha tempo de se defender das ofensas, agressões do Radddadde.
      Tá na fôia? Só podia.

  1. Isto é o jornalismo tupiniquim. Estamos inseridos na América Latina, o jornalismo aqui é isto aí, não pode exigir mais. Igual a esquerda, tem gente que acredita que a esquerda no Brasil é igual na Europa. A esquerda na América Latina é sinônimo de ditadura bolivariana com poder único.

  2. Não somos melhor que Equador, Venezuela, Paraguai,etc. Temos que tomar muito cuidado para que uma ditadura de esquerda se instale. A reação fascista dos estudantes universitários é o que pode se transformar o país no futuro. Tenebroso os tempos que vivemos que este fascismo de esquerda. Também o líder está na jaula, o que esperar?

  3. Tem gente que não fica falando, mas faz.

    Tem gente que fala, fala, fala, e só faz lambança, pra não dizer outra coisa.

    E tem gente que fala, fala, fala, e só fica falando.

    Bolsonaro no primeiro caso;
    Petistas no segundo;
    Jornalistas (quase todos) no terceiro.

      • Ao qual o presidente da maior potência do mundo, vergou-se ao chama-lo de “o Cara”, em meio a lideranças do mundo inteiro. Eu que que essa esquerda que sacaneou a Democracia Direta vá à merda, junto com o direita e o centro que tb fizeram a mesma coisa, e impuseram os bagulhos do $istema apodrecido outra vez como escudeiros do velho continuísmo da mesmice, mas há que se reconhecer que os governos de FHC e Lula não foram só corrupção não, como a extrema direita tenta diariamente nos fazer crer. Pelo contrário, fizeram muita coisa boa sim, faltou apenas se apegarem ao projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, foi aí que ambos se perderam, continuaram na rota errada do velho continuísmo da mesmice, e deu no que deu: um impostor político temporal oportunista de extrema direita, um charlatão na seara do novo de verdade, à moda dinossauro escondido atrás de pé de alface.

        • Também acho, FHC e Lula foram os melhores governos,tempos bons de fartura em todos os sentidos.
          Foi uma pena que se perderam mesmo, mas foi a Dilma que ferrou com tudo com suas pedaladas fiscais.

          • Se ele tivesse posto no início do seu governo, uma liderança forte dos movimentos sociais num super ministério, que saiu às ruas em Junho de 2013, a história teria sido outra. Congresso e forças armadas teriam se rendido à vontade das ruas, mas, infelizmente, ele preferiu entrar tudo ao Temer, até a articulação política do governo , e de danou toda. Com uma liderança social apartidária forte do lado dela, os bandidos do congresso e afim não ousariam fazer o que fizerem, seria a guerra total, e ela seria mantida no poder, até o fim do mandato. Dilma escolheu o seu algoz.

    • Carioca, com todo carinho eu lhe peço que me ouça. Eu sei que você se porta assim porque quer firmar uma posição intectualmente. Mas não precisa, amigo ou amiga, você é único, é importante como qualquer outra pessoa. Rejubile-se em ser normal e shoot to the Moon; if you miss it, you will be among the stars. Vá por mim. Que Zeus te abençoe.

  4. O problema dos jornalistas comentaristas- políticos neste país é que a maioria esmagadora deles são desinformados e isso se deve à nossa péssima educação-ensino que apenas forma crentes e não céticos. Se julgam com competência para abordar tudo e pior, com afirmações, que, com essa arrogância, confirma a condição em que se encontram .

  5. É impressionante como esses jornalistas estão acostumados ao fascismo de esquerda, que não conseguem viver mais em um ambiente democrático. Essa Folha é enfadonha. Piores textos da imprensa nacional.

  6. E o PT não muda. O lula, da sua “prisão especial”, lá em Curitiba, já expediu um SALVE GERAL, conclamando a sua militância, que o coordenador da oposição ao Bolsonaro, enquanto ele estiver, “impossibilitado”, sera o glorioso ANDRADE.
    Qualquer objeção a “nomeação”, sera tratada como “insubordinação” e ao “insurreto” sera aplicado os rigores da vontade luliana, ou seja, expulso da “briosa” corporação petista.
    O salve vale também para partidos penduricalhos.

  7. É preciso dar tempo ao tempo. Vamos esperar, o homem levou uma facada, fez campanha com 8 segundo e uma merreca de gastos. Calma.
    Quanto ao Lula, esperei cem dias para começar a fazer um juízo.
    Então, ele deu uma entrevista embriagado, dizendo que os juros iriam baixar rápido. Pra mim foi o começo da tragédia.

  8. Realmente, dois bicudos não se beijam Um populista, personalista, de extrema direita, em oposição ao populista , personalista que se diz de esquerda, Lula da Silva. Trocando em miúdos, Bolsonaro é tudo que condenou no Lula, porém à direita, que, segundo reza a liturgia, é mais apaixonada por dinheiro do que a tal esquerda, no mundo inteiro. Extrema direita que não hesitou em pespegar em Lula a pecha da corrupção, malandramente, como se o seu governo fosse só corrupção, e mais nada. Reservas internacionais como nunca antes visto na história deste país, crescimento expressivo, pagamento total ao FMI, e até empréstimo a este, grau de investimento, superávit, contas públicas sob controle, dinheiro no bolso do povo, ruas cheias de carros, miseráveis e pobres rindo à , montadoras, banqueiros e rentistas dando gargalhadas…, tudo sem vender o patrimônio público à moda vendilhões do templo. Se o governo Bolsonaro conseguir fazer pelo menos 1% do que o governo Lula fez, sem corrupção, já será alguma coisa útil.

      • Vc fala nas obras da refinaria Abreu e Lima , que foi orçada em 2 bi e já passou dos 20 ? e na transposição do São Francisco que não funciona , pela sua má construção e corrupção? Dos bilhões que poderiam ser empregados aqui e foram repassados à ditaduras alinhadas com o PT?
        Chega?

    • Se a China resolver comprar commoditie do Brasil hoje igual fez na época do Lula, já será mt coisa.

      Com a política de expansão de crédito do Lula, provavelmente n conseguiria fazer quase nada do que fez. Lembrando que quem entregou a faca e o queijo foi FHC com a estabilização da moeda, com entrada do Real. Lembrando que o PT, como oposição em 94, foi contra o Real.
      PT não criou nd, apenas melhorou alguns programas criados por FHC após a estabilização do Real e facilitou o crédito (facilitar o crédito parece ser algo bom, mas engana muita gente. Não adianta expandir crédito, sem uma base sólida de política fiscal, de investimento, tributária e assim por diante). Da pra escrever um livro aqui apontando tudo que o Lula pegou carona (eu ia usar a palavra “fez”, mas ele não criou nd; criou apenas uma corrupção vergonhosa para o país).

      • Pelo visto, a capação ainda não foi curada até hoje, e não será curada nunca. Enfim, essa discussão não interessa mais. Agora é Bolsonaro que está na berlinda, por incapacidade do tucanismo e do petismo, em abrir espaço para uma corrente política mais avançada do que eles, calcada em tudo de bom de eles fizer, descartando a corrupção, á qual tb se renderam infelizmente, a exemplo de todos os seus antecessores (tirante talvez o Itamar), inclusive a famigerada ditadura militar armada até os dentes. Agora é tarde, FHC-PT, “Inês é Morta”. Reis mortos, rei posto. Fiquemos de olhos vivos e bem abertos no que vem por aí, que poder ser o apocalipse.

  9. Na verdade, o ódio de Bolsonaro e FHC em relação a Lula é sintomático, Freud explica. Na verdade, Bolsonaro e FHC nutrem um fetichismo incontrolável em relação a Lula, na mesma linha, ambos gostariam muito de ser o Lula, ter o prestígio de Lula junto à população, e como não podem sê-lo e nem tê-lo são capazes de tudo para eliminá-lo. Assim como um menino sente-se castrado pela mãe, Bolsonaro e FHC, transferem os valores do Lula para eles, e não hesitam em matá-lo, politicamente falando, para absorverem para eles os valores de Lula, ao que parece.

    • Para com isso, Luiz Felipe!

      Que raciocínio mais ridículo, sem nexo, absurdo, que postaste sobre Lula e quem o admira, na tua ótica.

      Exageras ao máximo a tua ojeriza por Bolsonaro, ocasionado que pensemos exatamente o que escreveste, porém a teu respeito!

      Ficaste obcecado por Bolsonaro, e isto que o cara ainda não assumiu!

      Muda o disco, pois cansou e está inevitavelmente arranhado.

      Não adianta comentares a respeito do que pode acontecer, pois aleatório, dando asas à tua imaginação que, respeitosamente, não nos interessa!

    • O resultado da eleição deixou mais que claro que Lula e o PT já não estão com essa bola toda. As derrotas de Haddad, Dilma, Lindhberg, Suplicy e tantos figurões petistas e coligados, desmoralizaram as insistentes narrativas do golpe e das condenações ‘sem provas’ dos líderes petistas. Intelectuais de esquerda podem insistir nessas fantasias, mas a maioria da população brasileira já desembarcou disso.

  10. A maior façanha, sem dúvida, foi demonstrar a inutilidade do fundo eleitoral e até do partidário. Gastou, diz, cerca de R$ 1,5 mi, 200 vezes menos que os 330 mi declarados por Dilma ao TSE na reeleição, ou mais de 533 vezes menos que o valor real, 800 mi segundo Palocci, coordenador, confirmado por Mônica a marqueteira e o dono da JBS, a maior financiadora. Fenômeno repetido Brasil afora, como aqui no RN o senador Capitão Stevenson, que não fez campanha e cedeu até seu pouco tempo na TV, desbancando figurões como Garibaldi Alves, Agripino Maia e Geraldo Melo, todos senadores (ou ex) e ex-governadores.

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