Thor Batista é igualzinho ao pai, que o incentiva a ser como ele

Carlos Newton

O caso de Thor Batista é lamentável por todos os aspectos: o atropelamento e morte do ciclista, que estaria meio embriagado ( se estivesse mesmo bêbado, é claro que não conseguiria andar de bicicleta), e as mentiras do rapaz sobre o acidente, agora desmentidas pela eficiência da perícia, que até trabalha bem, quando está com disposição para tanto.

O mais lamentável, porém, é que o próprio pai incentiva Thor a dirigir em alta velocidade, entregando-lhe a direção de um McLaren e de uma Ferrari. Depois de um acidente fatal como o que ocorreu com o rapaz, qualquer pai sensato o deixaria de molho, sem dirigir nem mesmo um Fiat Uno. Mas o pai Eike não é assim.

Hoje, poucos se recordam, mas Eike Batista, quando jovem, já estava montado na incomensurável fortuna que o pai Eliezer acumulara – sabe-se lá como – na presidência da Vale do Rio Doce. Era um playboy internacional que vivia pelo mundo e se dedicava ao esporte que é exclusivo dos miliardários – as corridas de motonáutica. Tanto fez que acabou se sagrando campeão mundial off shore.

O filho é igual ao pai, que é igual ao avô, porque estamos numa grande família, que se deixa embriagar pela riqueza (e consequente impunidade, num país como o Brasil). E a embriaguez do dinheiro é muito pior do que a alegada embriaguez daquele descuidado ciclista que andou por onde não devia.

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