Tirar o Senado das páginas policiais

Carlos Chagas
                                                     
Denúncias para valer foram feitas pelo senador Pedro Simon na quarta-feira, durante  sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado que criou uma subcomissão para propor a reforma administrativa da casa. O representante gaúcho informou serem 13 mil os funcionários postos à disposição de 81 senadores, entre concursados, ocupantes de cargos em comissão  e terceirizados.

A TV-Senado, em suas palavras, é mais luxuosa e bem equipada do que a TV-Globo, enquanto  a Polícia Legislativa equipara-se às polícias do Exército, Marinha e Aeronáutica. Para o senador, a hora é de se criar uma nova ordem no Senado, já que deu em nada  a reforma encomendada pelo presidente José Sarney à Fundação Getúlio Vargas.
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Simon desabafou, afirmando que a cada ano o Senado ocupa mais espaços nas páginas policiais do que nas  páginas  políticas   dos jornais, por conta de notícias sobre escândalos e similares. É preciso coragem para a mudança. Importa acabar com a omissão, pela qual todos são culpados, inclusive ele, com quatro mandatos. Apelou aos novos senadores para que liderem a reforma, não se deixando contaminar pela postura dos braços cruzados.
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A subcomissão, se aprovada pelo plenário, terá 90 dias para propor alterações de vulto nas estruturas e  no funcionamento do Senado, a começar pela proibição de senadores viajarem ao exterior com diárias e passagens pagas pelos cofres públicos. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Eunício Oliveira, prometeu total transparência nos trabalhos. Será que desta vez acontece alguma coisa? �

EMPATES AINDA POSSÍVEIS

Terá sido afastada a sombra de novos empates no Supremo Tribunal Federal, com a posse, ontem, do ministro Luiz Fux? Teoricamente, não, porque se durante  determinado julgamento, um dos ministros se der por impedido, a hipótese do 5 a 5 ficará em aberto. Mesmo assim, completado o quorum de onze ministros, torna-se mais difícil o impasse.
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A pergunta que se fazia, ontem, era sobre a decisão que a partir de agora será conhecida, a respeito da vigência da lei da ficha limpa. Caberá ao novo integrante da mais alta corte nacional de justiça definir se as novas regras moralizantes valeram ou não para as eleições de outubro passado. Para uns, infelizmente não, porque a lei não retroage para prejudicar. Outros,  porém, situam a ética acima de filigranas jurídicas. O  novo  ministro, é claro, só se pronunciará  a respeito quando apresentar o seu voto.�

NO PAÍS DA FANTASIA

Importa menos saber se o Banco Central tinha ou não justificativas políticas e financeiras para elevar os juros até 11,75%. Dificilmente haverá acordo entre os que preferem evitar sinais da volta da inflação e os que apostam no crescimento econômico a todo custo.
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O problema dessa nova elevação de juros é outro. Não dá para aceitar que grandes conglomerados nacionais e até multinacionais tomem dinheiro no BNDES a essas taxas, às vezes até  menores, e o infeliz cidadão que entre no cheque especial pague 198% de juros aos bancos. Nem se fala do cartão de crédito, que custa ainda mais caro. A tecnocracia dará mil  e uma explicações mas não dá para convencer.
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Nessa época em que o governo corta na carne suas despesas, da ordem de 50 bilhões de reais, como justificar que os bancos apresentem lucro de 10 ou mais bilhões, incluídos  no rol o Banco do Brasil e a Caixa Econômica?  Junto com o  novo slogan governamental   de que “país rico é país sem pobreza”, bem que as oposições poderiam criar outro: “me engana que eu gosto”…

FANTASIAS (4)�

Há que abrir alas para a Câmara,  nessas especulações sobre as fantasias que os políticos poderão usar no Carnaval.   O desfile seria iniciado  com o “Bloco dos Irmãos Metralha”, composto por quantos se encontram sendo processados por improbidade, formação de quadrilha, fraude, roubo e sucedâneos. Nem vale à pena cita-los nominalmente, mas algum destaque precisaria ser dado aos mensaleiros que conseguiram reeleger-se em outubro passado.
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Maldade seria referir que o Tiririca desfilaria como ele mesmo, mas outros grupos também  fariam sucesso, como o das “Viúvas do Michel Temer”, com Henrique Eduardo Alves de porta-bandeira, liderando 76  peemedebistas ávidos de nomeações para o segundo escalão do governo.  “Faz Escuro Mas Eu Canto” seria o bloco do PDT, com sua dissidência entoando “Saudades do Leonel”.   “Me Dá Um Dinheiro Aí” marcaria a passagem dos deputados dos pequenos partidos do Nordeste, enquanto a bancada do PTB, unida,  se apresentaria com fantasias de “Avatar”.
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O presidente da Câmara, Marco Maia, de bombachas, lenço no pescoço,  punhal e chicote nas mãos,  comandaria os   gaúchos do PT cantando “Rumo ao  Piratini”, samba-enredo completado pelo grupo “Tarso Genro no Planalto”.  A ala dos baianos tumultuaria com o estribilho “A Vez É do  Jacques”.  O diabo é  que saindo da  Praça da Apoteose para a concentração, na contra-mão,  poderia surgir o Lula,  vestido de “Cristo Redentor” e empolgando as arquibancadas.

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