Toda a legislação federal chamada antifumo é hipócrita. Esta nova, em vigor a partir de amanhã, é outra hipocrisia.

Jorge Béja

Vem aí mais uma chamada “Lei Antifumo”. Entra em vigor em todo o país amanhã, 4a. feira, dia 3 de dezembro de 2014. Na verdade, trata-se de uma lei (nº 12.546, de 2011), agora regulamentada, que cuida de impostos, sua incidência, redução, contribuição previdenciária e outros assuntos mais. Somente lá no finalzinho dela é que apenas dois artigos (49 e 50) proíbem fumar nos lugares que a lei menciona. Antes dela houve outras leis federais sobre o assunto. Também tem-se a existência de leis estaduais e municipais repressiva contra o fumo.

HIPOCRISIA

Toda essa legislação antifumo, fundamentalmente a federal, é hipócrita, por externar virtude e sentimento que a legislação não tem. Enquanto a União (governo federal) proíbe fumar aqui, ali e acolá, e obriga a indústria do fumo a estampar nos maços de cigarro as mais chocantes fotos dos estragos que o fumo causa à saúde, com frases-alertas sobre essa desgraça que é o fumo, a própria União (governo federal) aufere expressivo lucro com a cobrança e recebimento dos impostos sobre o fabrico e venda do tabaco. Nada mais hipócrita. Por que, então, não proibir o fabrico e venda do tabaco em todo o país? Dispensável, do articulista, maiores considerações sobre essa acachapante e criminosa contradição. Os diletos leitores enviarão os comentários pertinentes.

O MAIS RUMOROSO PROCESSO
CONTRA A INDÚSTRIA TABAGISTA DO BRASIL

Esta foi a chamada de capa de uma edição da Revista Veja do ano de 1997. Referia-se à ação de indenização que pai, esposa e filhas de Nelson Cabral Alves moviam contra a Souza Cruz na Justiça do Rio de Janeiro. Nelson faleceu em 15.4.1995 vítima de “infarto do miocárdio e cardiopatia hipertensiva”. E o médico que atestou o óbito acrescentou, corajosamente, que o infarto e a cardiopatia hipertensiva “tiveram como causa decisiva o tabagismo pesado”. Verdade mesmo. Nelson fumava 4 maços de cigarro por dia. Invariavelmente marcas Hollywood e Ritz, fabricados pela Souza Cruz.

Com essa importante e inédita prova em minhas mãos e a pedido da família, dei entrada com a ação indenizatória contra a Souza Cruz. A prova de que os cigarros que Nelson fumava eram daquela fabricante foi feita através de testemunhas, ouvidas em juízo. O perito-médico nomeado pelo juiz confirmou o atestado de óbito em seu laudo.

A VITÓRIA

Em 8 de Setembro de 1997 o juiz titular da 38a. Vara Cível, José Samuel Marques, entregou a sentença de mais de 30 páginas responsabilizando e condenando a Souza Cruz. A repercussão chegou ao exterior. Defendi o que defendo até hoje: a hipocrisia da legislação, a responsabilidade do governo por lucrar em cima daquilo que anuncia ser “venenoso o seu uso”, mas não proíbe o fabrico e a venda, e também me armei com o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, cujo artigo 10 é claríssimo e não admite outra interpretãção: “O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança”.

 

Precisava mais? Claro que não. Daí o êxito do processo da família do vitimado Nelson, vitimado não só ele mas todos nós, nossos antepassados, que nascemos, crescemos e morremos impregnados na maciça publicidade de que “fumar é bacana”, “fumar é charmoso” “Hollywood, ao Sucesso”, bordão que jamais esqueceremos.

A DERROTA

A Souza Cruz apelou e a Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio reformou a sentença e julgou a ação improcedente. Na sessão de julgamento, previamente anunciada pela mídia, o plenário estava superlotado. Primeiro, pela Souza Cruz e brilhantemente, como sempre, falou seu advogado, Doutor Luis Roberto Barroso, hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal. Como a Souza Cruz foi a apelante, seu advogado foi o primeiro a fazer a sustentação oral. O Dr. Barrroso defendeu e pediu a reforma da sentença. Depois falei eu, defendendo a sentença do Dr. Samuel Marques.

Encerrados os debates, os 3 desembargadores votaram pela reforma da sentença. O Dr. Luis Fux, desembargador à epoca e hoje também Ministro do Supremo Tribunal Federal, proferiu seu voto oralmente, de improviso e deixou registrado que entregaria depois o voto por escrito, o que efetivamente fez. Foram votos históricos. Tudo foi histórico, como ressaltou o Desembargador Sócrates Castenheira, que formava e integrava a Câmara, mas que não compunha o trio de desembargadores que decidiriam a sorte do recurso da Souza Cruz.

Agora, passados perto de 20 anos, digo que não guardo nenhuma saudade daquele processo. Guardo melancolia. As legislações federais chamadas “antifumo” são hipócritas. Todas hipócritas.

 

29 thoughts on “Toda a legislação federal chamada antifumo é hipócrita. Esta nova, em vigor a partir de amanhã, é outra hipocrisia.

  1. Mais um artigo para a coleção!
    As leis “para inglês ver”, inócuas, sem sentido, contraditórias em si mesmas.
    Da mema forma, o brilhante Dr. Béja poderia abordar como tema amanhã ou depois sobre a bebida alcoólica, que além de prejudicar seu consumidor, igualmente tem arrasado com famílias, gerado violência, exclusão social.
    Por que não são proibidos tais produtos, se mais males ocasionam que bem-estar?
    Como frisou o eminente advogado, o governo, por acaso, iria querer perder as suas maiores fontes de arrecadação de impostos?
    A lei e feita pata dar uma satisfação à sociedade, mas não para que seja executada efetivamente, então delimita-se os locais para fumantes, como se tal medida fosse amenizar o consumo e diminuir as doenças, em consequência.
    Agora, não se vê o mesmo para as bebidas com álcool, onde qualquer lugar pode-se beber livremente, com exceção para menores, que também sequer é fiscalizado este detalhe.
    Se é para arrecadar impostos através de vícios, das fraquezas dos seres humanos, de suas dependências químicas, então que parte do arrecadado seja destinado à saude pública, mas não para que o governo delibere para onde esses impostos serão locados, ou seja, que o governo não pudesse lançar mãos desses recursos porque absolutamente dirigidos aos pacientes vítimas do álcool e fumo, inclusive a fantástica e igualmente HIPÓCRITA, as propagandas em profusão de cervejas e vinho nas TVs brasileiras!
    E não me digam que o álcool é mais brando que o cigarro em se tratando de prejudicar seriamente o seu consumidor, por favor!
    Meus agradecimentos ao Dr.Béja por mais este artigo elucidativo e pontual a respeito de leis e seus “espíritos” não iluminados.

  2. Engraçado, querem proibir o cida~dao fumar nos ‘cantos” e os “intelectuais” supostamente de esquerda caviar como o Grão-Mestre geraldo efeaagacê querem “liberar” as drogas pesadas.
    Com certeza mais uma para o País da Piada Pronta.
    Os patrícios Além-Mar estão mais do que vingados…..

  3. O governo é hipócrita! Essa população, que votou nessa “organização criminosa” ,também é hipócrita! Esse país é digno de melancolia… Dois pesos…Duas medidas… E o álcool? E o “craque”? E a cocaína? Somente “embusteiros”, que defendem essa gleba, aparecem por aqui. Sabe por quê? Porque são vagabundos acostumados com uma mísera propina… Vivemos em uma “merda” de país… Estelionato eleitoral; MPF fraco e aparelhado; OAB omissa; STF um verdadeiro “P” e esse Congresso… Ah!, é uma inenarrável piada de mau gosto… Amanhã, vou limpar o meu rabo com a “constituição”! Não gostou? TENHA BOA VIAGEM!

    PS.: Desculpem-me, por favor, Dr. Béja e meu honorável amigo Bendl. É tanta coisa errada acontecendo…fico com um momentâneo, porém verdadeiro, “desabafo”. .. Fazer o quê? O pior ainda está por vir, infelizmente.

    • Caríssimo Souzza,
      Pelo menos, graças ao trabalho elogiável do nosso Mediador, temos onde desabafar.
      Agora, de desabafo em desabafo, pode ser que algo seja extraído dessas insatisfações, e se faça algo útil à sociedade.
      Por outro lado, artigos dessa profundidade trazidos à baila pelo Dr. Béja, também nos dão uma visão mais nítida sobre a conduta de nossos governantes com relação à população ser protegida de explorações as mais diversas.
      Neste sentido, fumo e bebida, as piores em dependência química e psicológica, seguem livres para consumo, apenas com uma ou outra medida falsa de combate, dando a entender que o governo faz o que pode, mas deixa de fazer exatamente o que deve!
      Um abraço, honorável amigo Souzza.

  4. Dr. Béja, mais um magnífico texto, que retrata, se isso é possível, o quadro hipócrita em que vive a sociedade brasileira com o tabaco, uma das mais diversas espécies de drogas.

    Senhor Bendl, saudações.
    O seu comentário, veemente repúdio a tanta e sofisticada enganação. Foi direto e definitivo no pivô da encenação governamental.

    Por sua vez, o senhor Nelson Souzza, não poupou adjetivos que dão conta da sua indignação. O seu desabafo, elencando diversos de diversos matizes que vicejam na sociedade, mostram o olhar corrupto governamental, que é eminentemente vesgo… valeu!

    Minha opinião: o vício vive e propicia altos ganhos, pois envolve fortunas por trás da sua produção e distribuição. Envolve desde bagrinhos, miseráveis, até altas autoridades que em tese, deveriam coibir sua proliferação. Daí, vai que algumas iniciativas tenham curso, para valorizar o comércio maldito que, na prática, rende para todos os interessados, cúmplices…

  5. O Dr. Jorge Béja, está certíssimo em sua análise. Nos anos 40, havia uma forte propaganda
    nas rádios, nos filmes, onde artistas famosos sempre fumavam, havia incentivos de todo tipo
    e nenhum tipo de proibição, podia-se fumar em qualquer lugar, o que levou grande
    parte da juventude a fumar, inclusive eu que fumei durante 51 anos, deixei em 1998.
    Agora vem o governo na marra arrochar os viciados, porque não proibir a fabricação de
    de cigarros, conforme sugere o Dr Jorge Béja.
    Algum tempo atrás li, que uma mulher no EUA morreu de câncer no pulmão porque o marido
    fumava e ele continuava vivo sem câncer, ora, ele ingeria em cada tragada no mínimo 90% da
    fumaça e ela aspirava uma quantidade mínima pelas narinas.
    A meu ver o monóxido de carbono que sai das descargas do veículos, é mais nocivo do que a fumaça
    do cigarro.

    • Nélio, meu caro,
      O Planeta que o homem está construindo é nocivo!
      O progresso cobra o seu ônus de forma implacável, cara, muitas vezes além de nossa capacidade em saldar as dívidas provenientes desse desenvolvimento.
      Carros, bebidas, cigarros, a poluição sonora, visual, a pornografia, os crimes cometidos e impunes, a miséria humana, a pobreza, a injustiça, o desnível social acentuado, o preconceito racial, a fome, a doença, a falta d’água, o abandono de pessoas, os juros escorchantes, os impostos em demasia … compõem um quadro nada alvissareiro para o futuro.
      A busca incessante pelo dinheiro, conforto, posição social, status, ocasionam mais males que aqueles que viciam, pois causam frustrações, decepções, desgraças e infelicidades.
      Se somarmos os doentes originários do tabaco, álcool e jogos, aos estressados e perturbados emocionalmente pela vida que levam, a humanidade está doente, Jacob, de uma forma leve ou grave.
      O ódio, a ira, os desejos de vingança, as torcidas de tiimes de futebol(!?) quebrando o pau entre elas, a ganância, a corrupção, a violência desmedida no trânsito, os crimes impiedosos, latrocínios, a violência doméstica, a desonestidade, a exploração do ser humano pelo próprio ser humano … indiscutivelmente a raça humana deveria estar toda ela deitada em divãs de psicanalistas ou de psiquiatras!
      Se, as religiões, que deveriam ser sinônimos de tolerância, caridade, solidariedade, mais ainda acirram os ânimos contra aquelas pessoas que elas julgam ser infiéis, os sintomas de instabilidades emocionais e mentais são muitos para diagnosticar com absoluta precisão que precisamos de tratamento!
      Não sou pessimista, Jacob, mas basta perambular pelas grandes cidades e observar mais detidamente o comportamento das pessoas.
      O que tem de gente falando sozinha, gesticulando, conversando alegre ou tristemente com as “caixinhas eletrônicas”,
      xingando, ofendendo, reclamando, empurrando quem está à sua frente, não obedecendo filas … uma interminável prática de condutas antissociais, certamente a população está fora de si, combalida por ela mesma, fraca, prostrada, vivendo por viver.
      Um abraço, caro Jacob.

  6. Andrade, meu guri,
    As fortunas geradas às industrias de tabaco e álcool, elaboram exatamente legislações hipócritas a respeito, como bem escreveu o advogado Dr.Béja.
    Qualquer governo está à mercê do poder econômico, mesmo que admita e aceite colocar o povo como alvo das garras das dependências que tais produtos ocasionam.
    A questão que deveria ser analisada mais profundamente – e faço uma sugestão -, é de que verifiquemos para onde a fábula de impostos arrecadados com essas duas indústrias específicas têm sido canalizados.
    Tanto a produção de cigarros e bebidas quanto à propaganda gasta em suas divulgações.
    Evidente que nosso eminente Dr.Béja definiu exemplarmente a lei que estabelele locais “permitidos” aos fumantes, denominando-a de “hipócrita”, na razão direta que o governo fecha os olhos à permissividade dos anúncios na mídia sobre as marcas de cerveja e vinhos, além da cachaça e licores.
    Por outro lado, há outro vício terrível que aflige milhões de lares brasileiros: o jogo!
    Por que será que o governo proíbe o retorno dos cassinos, que daria emprego a milhares de pessoas, turismo, comércio, indústria, porém centraliza a jogatina bancada pela Caixa Federal nas várias modalidades de apostas à disposição?!
    Qual é a diferença de uma Loto, Mega Sena … para um Black Jack?
    Para uma roleta?
    Pois eu digo:
    Há muito mais chances de se ganhar nos jogos denominados de “azar”, que nas loterias federais!
    Ora, um cartão da Mega Sena, de seis números, concorre com mais de CINQUENTA E DOIS MILHÕES DE OUTROS, enquanto que, na Roleta, para trinta e seis vezes, somente!
    Entretanto, a arrecadação do dinheiro fantástico arrecadado pelos cassinos, iria para o governo como impostos, e não na sua totalidade como acontece hoje, que fica com dois terços das apostas e distribui apenas uma terça parte do volume apostado.
    Eis mais uma HIPOCRISIA governamental, que estabelece a proibição em território nacional de salas de jogos mesmo fiscalizadas, tipo as americanas, francesas, argentinas, uruguaias … e toma conta de maneira absoluta dos jogos que ele mesmo cria, inventa, explora a vontade alheia em ganhar uma bolada e ficar rica!
    Posso deduzir sem erro que, em se tratando de governantes, TODOS, indistintamente, são absolutamente cínicos e hipócritas, e na mesma medida que os legisladores que fazem as leis inócuas e sem sentido no falso combate ao vício e à dependência do jogo, tabaco e álcool.
    Um abraço, Andrade.

  7. Prezado Francisco Bendl, concordo em tudo que você disse.
    A evolução material da sociedade faz com que haja o atraso
    moral e espiritual. A busca da riqueza para usufruir os bens
    materiais, torna o ser humano, materialista e desumano.
    Abraços e muita saúde.

  8. A todos, articulista e comentaristas, meus sinceros cumprimentos pela excelência do texto e de todos os comentários, mesmo sendo uns mais, outros menos, indignados. Mas poucas vezes li aqui um artigo e seus comentários que fossem tão visivelmente convergentes, como este, na ideia central colocada e suas derivadas.

    Então, pela beleza obtida no conjunto, meu elogio a todos: Gente fina é, mesmo, outra coisa!
    Parabéns, portanto!
    Abraços.

  9. Prezados Jacob e Limongi Netto,
    Eis o novo caminho da Humanidade:
    A busca pelos valores e princípios de outrora!
    O progresso nos favoreceu o conforto, o transporte, as comunicações, a Medicina, a eletrônica, a cibernética, as embarcações, a luz elétrica, encurtou as distâncias, ficamos reduzidos a uma aldeia global. No entanto, a mentalidade dos homens não acompanhou este desenvolvimento de forma paralela, fomos ultrapassados pela rapidez dos avanços científicos e tecnológicos. E mudamos, sim, alteramos nossos conceitos, padrões, paradigmas com relação à moral, aos bons costumes, com referência às relações pessoais, ao casamento, ao sexo, aos filhos, nada escapou das mudanças que os avanços materiais ocasionaram, nada!
    Resultado:
    Regredimos.
    Fomos substituídos pelo pragmatismo; fomos trocados pela utilidade; deixamos de lado nossa vida para buscar dinheiro, o novo deus da época, aquele que tudo dá, que tudo proporciona mas, o seu preço, somos nós mesmos!
    Mais ou menos estaríamos interpretando o enredo do livro Fausto, de Goethe, um dos maiores escritores do mundo em todos os tempos, que trata da história do homem que fez um pacto como diabo. Ele começa com o personagem principal lamentando-se sobre o vazio que carrega dentro de si, apesar do vasto conhecimento que ele tem. Por isso, Fausto procura o lado espiritual como os mistérios da vida e magia.
    Claro, após aventuras pelo caminho, Fausto é salvo, há a redenção.
    Entretanto, paralelamente é condenado a ser um eterno insatisfeito, exatamente o destino do homem moderno, o nosso destino, Jacob!
    De certa forma, a resposta ao nosso martírio está na pergunta que não para de ser feita:
    A vida só adquire sentido no movimento constante, onde criação é ação.
    Muito bem, então o que estamos criando, Jacob?!
    FRUSTRAÇÃO, INFELICIDADE, DECEPÇÃO.
    A questão não é material, o que vemos, o que sentimos, o que tocamos, mas espiritual, exatamente o contrário do que vemos, sentimos e tocamos.
    Não está no carro, nas drogas, na bebida, no cigarro, no sexo irresponsável e promíscuo, nos imóveis, no dinheiro acumulado, nas viagens, nos romances, no poder, o que acalmará o espírito do homem, mas ele entender que é agente de felicidade de outrem!

    “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim (entenda-se pelo amor de outras pessoas) achá-la-á.
    Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?”
    Mateus 16:25-26

    Um abraço forte a ambos.

  10. Um comentarista aí em cima aprecia um bom charuto. Já o vi saboreando na região do Planalto. Só não sei se é Montecristo, Partagas, Hoyo de Monterrey, Romeo y Julieta, Dannerman Artline robusto, especial ou Dona Flor. Só sei que Suerdieck Havana Supremo não é mais, porque a fábrica na Bahia faliu. Desconheço também se acompanhado de licor dos bons tipo, Amaretto di Saronno, de café expresso ou a seco. Se não molesta ninguém, problema dele. Outro, ai mais acima, pelo jeito é partidário de cigarros. Desconheço a marca. Só tenho certeza que não é Praça XV, Columbia, Continental sem filtro, Beverly ou Douradinho Extra Liso, do tempo de garoto do Carlos Newton, porque saíram de circulação. Só espero que não sejam esses falsificados made in Paraguay que fedem paca. A propósito, o Oscar Niemeyer fumou cigarrilha “se me dão” made in Cuba por ocasião de seu centenário.

  11. Iaco, se a questão é marcas antigas de cigarros, vamos lá, e isto que jamais fui fumante, mas colecionava as embalagens:
    Tufuma
    Colúmbia
    Mistura Fina
    Hudson
    Belmonte
    Douradinho Extra
    Presidente
    Derby
    L&M
    Free
    Galaxy
    GreNal
    Sudan
    Luis XV (uma das mais bonitas embalagens)
    Elmo
    Plaza
    Istambul
    Coimbra
    Beverly
    Lancaster
    Mentol
    Barão
    Minister (o fino que satisfaz)
    Hilton (100mm)
    Charm
    Te lembras de outros?

    • Não sei se você conhece, Bendl, mas o primeiro cigarro que fumei chamava-se “Petit Londrinos” Lisos (porque havia outro tipo com ponta de cortiça, para não grudar nos lábios). Sem filtro, era um caporal da melhor qualidade, que exigia muitos fósforos, pois apagava a cada tragada por não levar pólvora, substância hoje praticamente obrigatória em todos os cigarros e que tem duas funções: a de evitar que a brasa se apague e a de acelerar a queima do fumo, o que, obviamente, aumenta o consumo.

      Foto do maço: http://www.reocities.com/paris/musee/5929/ps76.jpg

      • Froes,
        Jamais ouvi falar dessa marca de cigarros!
        E olha que cheguei a ter mais de duzentas carteiras na minha coleção, inclusive as marcas americanas que não citei.
        Aliás, a coleção não era apenas a embalagem do cigarro, que eram embrulhadas meticulosamente, mas também o “ourinho”, o papel prateado que ficava entre a embalagem e o cigarro.
        Apesar de eu nunca ter fumado (sempre detestei o cigarro porque meus pais fumavam Continental e, à época, era sem filtro, um fedor insuportável), quando eu era guri havia aquela ânsia de se colecionar alguma coisa.
        Caixas de fósforo, então, era comum. Selos não era para o meu bolso. Quanto às carteiras de cigarro, elas valiam pela procura nos cordões de calçadas, nas latas de lixo, e solicitadas aos fumantes que compravam cigarros diferentes.
        O Hudson, por exemplo, havia a embalagem marrom e verde.
        O Douradinho Extra era muito difícil, assim como o Tufuma.
        O importante era ter algo guardado.
        Bons tempos aqueles.

    • Errei. É LUiS XV ao invés de Praça XV. Mas a questão de fundo é a tutela cada vez mais excessiva do Estado contra o cidadão. Antes era a Igreja a tutelar o sexo das pessoas. Agora é o Estado a tutelar até a grana no bolso das pessoas que embarcam em viagens interestaduais, como naqueles repressivos postos de controles que haviam nas estradas da França antes da Revolução Francesa e no Brasil Colônia, que obrigavam a burguesia francesa e os colonos brasileiros, respectivamente, a se embrenharem por florestas para escaparem do fisco escorchante e repressor. Se a cidadania continuar dócil como carneiro, dia desses introduzem legislação para multar, sob pretexto de poluição atrmosférica, o peido silencioso em praça pública.

      • Ô Vicente,
        Americanos não vale.
        Mustang e Negritos, sim.
        Mustang era um cigarro comum e, o Hilton, o primeiro com 10 cm de comprimento. A carteira era dourada.
        A estampa do Mustang eram os cavalos selvagens, muito bonita.
        O Capri eu me recordo a marca, não me lembro a estampa.
        Caporal Amarelinho não conheço nem o nome!
        Valeu, Vicente, obrigado.

  12. Parabéns pelo artigo, Beja. No entanto, para o leigo, soa maior a hipocrisia dessa campanha pró-maconha, inversamente proporcional à que se faz com o tabaco, principalmente depois que o porralouca do Mujica resolveu liberar a liamba no Uruguai.

    Qualquer dia vamos chegar ao nível de imbecilidade de Amsterdam onde, em certos cafés, a maconha é liberada e o tabaco proibido.

  13. Posso até concordar com tudo. Fumei dos 14 anos, para dizer que era bacana, até a beira dos 45, para continuar vivo – faltavam 3 dias para completar essa idade. Mas nunca mais que um maço por dia. Parei de repente, porque passei a achar o cigarro chato. O sabor não era mais como antigamente. Então vim reduzindo, até chegar a fumar 2 ou e cigarros por dia. Mas, parar foi o melhor negócio. Fumei por culpa da Souza Cruz? Fumei por culpa do sistema? Não, fumei porque quis. Nem sequer me arrependo. Foi bom enquanto durou. Fez parte da minha juventude.

    Me desculpe o Dr. Béja, a quem muito prezo e admiro, mas vejo uma simples razão para o fumante não ganhar qualquer ação judicial desse tipo contra a indústria do fumo: salvo o mentecapto, quem é que fuma “por causa” da propaganda de cigarros? Fuma-se por que se quer. Simples. Ou alguém, apesar da intensa informação que circula nos meios de divulgação, é capaz de crer em benefícios do fumo. Só um louco.

    Aliás, creio que esse excesso de propagandas sempre serviu como meio de lavagem de dinheiro de diversos setores. O endeusamento da marca, de qualquer marca, é um troço muito ridículo, por mais apego que se tenha ao capitalismo. De vez em quando perco tempo assistindo a um programa de paulista – com mil perdões aos que se sentirem ofendidos – que leva na RedeTV! ou na Band, nem sei. Um tal de João Dória Jr., um almofadinha de São Paulo, entrevista empresários que vivem naquela ex-próspera capital – que enxerga a nós, cariocas, como um bando de vagabundos que passa o dia todo na praia. Tudo inveja! Nesse programeco, o que mais se ouve falar é em marca. Como valorizam esse troço!

    Faço campanha contra a excessiva publicidade, seja de que ramo for. Já imaginaram como o preço dos produtos poderia cair se não houvesse esse excesso? A quem interessa essa invasão constante, além dos meios de comunicação? As marcas viram escravas do sistema publicitário, como se “quem não anuncia não está no mundo”. Mais ou menos como se dá nos shoppings: as marcas que não estão nos shoppings não existem. E a turba ignara paga um preço desmedido por artigos de qualidade duvidosa, tudo em busca de estar na moda com o uso de produtos de marca.

    Essa publicidade exagerada é um dos maiores males dos séculos XX e XXI. É ela quem leva o socialmente desigual a matar para possuir um tênis de marca, porque incute na cabeça dos sem-cabeça que ou tem um produto de marca ou você é um merda!

  14. Erro de digitação: onde “Então vim reduzindo, até chegar a fumar 2 ou e cigarros por dia. “, leia-se “Então vim reduzindo, até chegar a fumar 2 ou três cigarros por dia.” Perdão, mas não foi culpa do cigarro nem do uísque,

  15. Caro Oigres (Sérgio),
    Evidente que temos o poder de decisão quanto ao que comemos, bebemos, compramos …
    Para todo o consumo existente existem leis de proteção ao consumidor, que guarnecem seu estado físico, mental, patrimonial e moral.
    O básico do nosso código específico, assim como os demais, proíbem a venda de produtos que possam nos fazer mal, claro, razão pela qual mesmo os remédios – alguns – precisam de receita médica pelos seus efeitos colateriais ou dependência química e psicológica.
    Desta forma, o cigarro, a bebida e o jogo, se ajustam às leis existentes ou, então, salve-se quem puder!
    Bastava colocar no mercado qualquer porcaria sem fiscalização e teríamos graves problemas de saúde pública, além de danos morais.
    Assim, sou daqueles que entende que a indústria do tabaco, especificamente, é aquela que causa comprovadamente mal à saúde do cidadão, sujeita a processos por conta desta produção prejudicial ao cidadão.
    Ora, muita gente inicia a fumar para ser do grupo de amigos; porque é nervosa; porque não sabe onde bota as mãos; porque se julga superior às demais pessoas; porque foi empurrada a tomar a decisão de outros por vários motivos.
    A cada cigarro tragado, o vício aumentando, a dependência química se manifestando.
    Pergunto:
    Independente de fazer mal à saúde e ter sido a tua decisão, onde o direito da indústria, nas leis existentes, de vender veneno para consumo pessoal?!
    Pelos impostos arrecadados?
    Ora, então a determinação de diminuir mais ainda os espaços para os fumantes é mesmo HIPÓCRITA, haja vista que os males continuarão a ser cometidos sem qualquer controle à saúde do cidadão e sua consequente proteção.
    Então, que se liberem remédios com tarja preta da obrigatoriedade da receita do médico.
    Os lança-perfume, as drogas, o Absinto, e assim por diante.
    Que sejam permitidas as instalações de cassinos, e não somente o jogo centralizado pelo governo, outra medida hipócrita e cínica!
    Não, Oigres, nem tudo está na decisão que tomamos, mas na sua oferta e tentação de se experimentar a sensação disto ou daquilo.
    E sucumbimos, sim, à propaganda, à divulgação de um produto que nos ocasione curiosidade.[
    A meu ver, se querem mesmo permitir a venda de mercadorias com efeitos ruins sobre a saúde da população, que essas indústrias depositassem um percentual destinado exclusivamente à saúde, de obrigação e controle sobre o governo que, de fato, utilizaria esta arrecadação para esta finalidade, mas não misturada a milhares de outros produtos, que vão para a vala comum.
    Saudações, Oigres.

  16. Caríssimo francisco Bendl, não discordo de nenhuma vírgula das que colocou. Não vejo é conexão entre o pedido judicial de indenização por males causados pela indústria fumífera e a produção dessa mesma indústria. O fumo vendido pela indústria é um produto lícito.

    Por que não processar, então, o Estado, que permite a fabricação e o consumo dessa droga?

    A propaganda (ah!, a propaganda!) é esse veneno que conhecemos. Que faz com que alguns (muitos, a maioria ligeiramente descerebrados) gastem mais que necessitam para comprar a felicidade. Que cria necessidades, que estimula o consumo desenfreado, etc. etc. Mas, como eu disse, qual o inocente que crê que fumando alcançará o sucesso? Por que culpar a Souza Cruz pelas suas próprias fraquezas? Eu fumei por 40 anos por culpa minha! Mas não fumei por causa da propaganda. Fumei por que sentia prazer. E fumei até o prazer acabar. Felizmente, acabou. Não fumo nem sinto falta do cigarro, sem tratamento, sem traumas, basta redirecionar a mente para outras atividades.

    Acho injusto culpar a indústria fumífera pelo vício do cidadão. É lógico que se não existisse a Souza Cruz o viciado não teria fumado os cigarros que ela produz. Teria fumado outros. Se o Estado proibisse a produção de cigarros, haveria contrabando, produção clandestina e outras coisas mais.

    Por falar nisso, existe algum lugar do mundo moderno onde seja proibido o fumo? No primeiro mundo é que não é!

    Acho hipocrisia, sim, vender cigarros com fotos horrorosas na carteira. De péssimo mau gosto. Só no Brasil? Talvez.

  17. Oigres,
    Se o fumo é permitido, e ele o é, então para que os espaços limitados para fumantes?
    Como escreveu o Dr.Béja, hipocrisia.
    Por outro lado, foste um fumante consciente, que sabia dos riscos do cigarro.
    Mas, quantos têm esta tua percepção?
    Quantas pessoas sabem o que fazem?
    Quantos cidadãos têm o discernimento da escolha e suas consequências?
    Pois é em nome desse analfabetismo funcional que o Estado precisa se preocupar, dessas pessoas que são levadas pelos formadores de opinião, pelas notícias, pelos boatos, que não conseguem confrontar suas idéias com os pensamentos alheios.
    Não te esqueces:
    Existe a tradição. Pai e mãe que fumaram, a familia que “pitava” junta e que deve permanecer no vício …
    Tu és uma exceção, mas o povo vai conforme o movimento, ele não se equilibra, não oferece o contrapeso, pende para o lado que o modismo determina ou os amigos ou o grupo.
    Agora, que os ministros do STJ e STF não pensam no cidadão é uma verdade estocástica, axiomático.
    Muito antes de julgarem a favor do consumidor, pensarão no Estado, na sua Economia, na repercussão de suas sentenças prolatadas.
    E, vamos e venhamos:
    Dar guarida ao pleito indenizatório de fumantes que contraíram câncer, e haver uma demanda enorme de casos neste sentido, certamente as indústrias irão embora, ocasionado perda de empregos, impostos e problemas socias.
    Evidente que o governo pensa em si mesmo, na sua sustentação, no dinheiro que tem em profusão advindo do vício, da dependência, e daqueles que são conscientes quanto aos males do tabaco, portanto, azar dos que adoeceram!
    E salve a hipocrisia!
    Um abraço, Oigres.

  18. O cigarro é uma droga, como muitas outras , como o álcool, a maconha, a cocaína, etc. As drogas sempre fizeram parte da vida humana.O ópio foi usado como remédio desde a idade da pedra. As drogas propiciam prazer e satisfação aos usuários, ainda que causem danos à saúde.
    Quem deve decidir sobre os seus desejos, a sua vida, é a própria pessoa. Numa sociedade livre, os homens deveriam ter o direito de fazer qualquer escolha, exceto aquelas que cause danos aos outros. Quem deve decidir pelo uso correto ou incorreto do seu corpo é o próprio individuo.
    Usuários de drogas com Baudelaire, Poe, Vinicius de Morais, Maupassant, produziram maravilhas literárias, o que prova que as drogas não causam só males.
    Não existe confirmação científica de que fumantes em ambientes abertos possam causar malefícios aos transeuntes que circulam pelo lugar, no entanto, foi proibido em New York o uso de tabaco em parques e jardins.
    No Brasil, como sempre começaram a macaquear normas vindas de fora, visando impor o politicamente correto, a engenharia social.
    Como sempre, prevalece a hipocrisia, o controle sobre a vida privada de forma violenta, totalitária.
    Eu não bebo, não fumo, não uso drogas, mas respeito aqueles que optaram por seus vícios.
    O mais primário direito é o direito de errar. Como alguém já disse: não seria a condição humana, o erro?

  19. Vamos lá, caro Bendl. Espaços limitados para fumantes têm plena razão de existir. Além de o fumo e/ou a fumaça poderem perturbar a paz alheia, causam mal a terceiros, que podem ter optado por não fumar. É a velha história do direito de um terminar onde começa o do outro. Não há hipocrisia na limitação do espaço. Pior se ela não existisse, penso eu.

    Quanto aos riscos do cigarro, será que a essa altura existe alguém tão desinformado que não sabe dos malefícios do fumo? É inacreditável, venhamos e convenhamos. Os fumantes fumam por sua conta e risco. E devem assumi-los.

    Eu, por exemplo, não ando de para-quedas, parapente, asa delta etc., mas encaro um avião numa boa. É tudo questão de risco, da probabilidade matemática de ocorrência de um sinistro. Terá sucesso a causa de um aventureiro desses, pego por um vendaval inesperado, que foge ao controle, que vem a reclamar, judicialmente, por conta de um evento nefasto, contra o instrutor ou a empresa que patrocina esses voos? Não terá o autor dessa causa fictícia assumido o risco do salto?

    A mesma coisa é quem fuma. Poderá sair ileso da empreitada ou com uma doença fatal. Querer culpar o fabricante de produtos fumíferos porque acreditou nos anúncios, me parece uma tentativa sem tamanho de forçar a barra .

  20. Oigres, meu caro,
    Sem querer estender o assunto e a gente monopolizar o blog, eis outra discussão que julgo interessante porque absolutamente dialética!
    O espaço para fumantes em ambientes públicos.
    Se, hipoteticamente, eu, fumante, entro em um restaurante ou bar e tenho um espaço reservado para fumar, legal, ótimo.
    Agora, como proibirem que eu fume, se o tal resrvado não existir, se pagarei pela minha despesa, se pela própria Constituição somos iguais perante a Lei?!
    Ora, na razão direta que o direito meu cessa onde inicia o do outro, a recíproca é verdadeira, ou seja, se eu quero fumar pela liberdade intrínseca como cidadão que vive em pleno estado de direito, a discussão está estabelecida, a meu ver, partindo do princípio QUE A VENDA DE CIGARRO NÃO É PROIBIDA!!!
    E agora?
    Um abraço, Oigres.

    • Amigos,

      minha filha tem rinite. Rinite vira asma e o principal fator é o tabagismo de outros
      Então essa lei por mais hipócrita que seja foi um grande avanço para a saúde dela.

      Mas essa lei ainda tem buracos como:
      – o patrão que fuma dentro do ambiente de trabalho e que usa sua posição para inibir os funcionários de delata-lo.
      – A avó que fuma perto dos netos alérgicos e que usa a filha para submissa para protege-la do genro

      Entre outros

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