Todas as pesquisas levam a Dilma

Pedro do Coutto

Da mesma forma que – como se costuma dizer – todos os caminhos levam a Roma, todas as pesquisas eleitorais convergem em favor de Dilma Roussef, através de índices de intenção de votos que hoje a levariam à vitória nas urnas. A vantagem da candidata do PT foi exposta pelo Ibope, Vox Populi, Sensus, e no sábado também pelo Datafolha. O Datafolha apontou 41 a 33; o Ibope 39 a 34; o Sensus também 41 a 33 e finalmente o Vox Populi 40 a 34.

Não se pode contestar todas as pesquisas e a tendência uniforme que elas apresentam: queda de Serra, subida de Dilma. No sábado, o levantamento do Datafolha foi analisado por Fernando Rodrigues. No domingo por Sílvio Navarro e Breno Costa. As duas matérias publicadas na Folha de São Paulo.

A campanha do ex-governador paulista não está tendo êxito. A da ex-chefe da Casa Civil, ao contrário, funciona bem. Serra, ao longo das últimas quatro semanas, perdeu 3 pontos em São Paulo, 4 em Minas, 6 no Rio de Janeiro. O recuo no Sudeste – 41% do eleitorado – acendeu o sinal de alarme no convés do PSDB, do DEM e do PPS. Algum fator da campanha da oposição encontra-se funcionando muito mal. Não há inclusive conexão entre o empenho em torno de Serra e os candidatos da sua coligação nos estados.

Tanto assim que Geraldo Alckmim cresceu em São Paulo, saltando de 49 para 54 pontos, e ele, Serra, recuou de 44 para 41. Logo, chega-se à conclusão inevitável de que uma parte do eleitorado paulista pretende votar ao mesmo tempo em Dilma e Alckmim. A diferença de Alckmim para Serra é de 10 pontos. A base paulista de Serra está desabando. O mesmo processo está acontecendo em Minas: Anastasia sobe, Serra desce.

No Rio de Janeiro, quase não vale a pena falar, já que Sérgio Cabral, que apóia Dilma, está disparado na frente, e Fernando Gabeira, a rigor, não pode ser considerado uma base de Serra, já que ele, como a peça de Goldoni, apóia tanto Serra quanto Marina Silva. Aliás, contradição absoluta. Pois Gabeira pertence ao Partido Verde. Cria até uma dúvida se a Lei Eleitoral permite ou não tal dualidade.

A súmula do TSE, publicada também pela Folha de São Paulo, aboliu a exigência de verticalização, desde que não haja conflito de candidatos entre os planos estaduais e o federal. Não focalizou a horizontalidade do apoio duplo de um candidato estadual, simultaneamente, a dois candidatos à presidência da República. Esta possibilidade poderia ocorrer só no segundo turno que reúne os dois mais votados no primeiro. Não no primeiro. Além disso, oscila sobre os números do Datafolha se haverá ou não segundo turno. Isso porque, hoje, – destacou o Instituto – Roussef encontra-se a três pontos da maioria absoluta.

Se José Serra não contiver a descida e Marina Silva cair do patamar de 10% no qual se encontra, não haverá desfecho no final de outubro. A sucessão 2010 será decidida no dia 3, início daquele mês. No momento, Serra lidera por 41 a 34 somente no Sul, que reúne os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Estes estados, reunidos, pesam apenas em torno de 15% do eleitorado. Há, portanto, uma tendência evidente de vitória para Dilma.

Escrevo este artigo segunda-feira à tarde, antes da nova pesquisa do Ibope cuja divulgação pela Rede Globo está sendo esperada à noite. Sejam quais forem seus números, José Serra não está conseguindo enfrentar o peso de Lula. Tem que mudar de estratégia. Caso mantenha a que vem adotando, a sucessão para ele estará perdida.

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