Todas as possibilidades estão abertas, desde que a ‘renovolução’ não seja usurpada.

Pedro Ricardo Maximino

Há, na história humana, inúmeros registros de revoluções, como a Revolução Francesa e os movimentos de libertação do jugo colonial ou imperial nos séculos XIX e XX, que partiram de um ideal jovem e inovador, mas que foram apropriadas por grupos que perseguiam somente os seus próprios interesses e privilégios de dominação.

Assim, a alta burguesia, a seleta burocracia e o distinto clero, nas diversas dominações, sejam elas predominantemente econômicas, racionais legais, tradicionais ou carismáticas (como bem exemplificava Max Weber) assumiram o controle de sistemas que, apesar de apresentarem avanços pontuais, continuaram flagrantemente distantes dos ideais de justiça distributiva que alimentavam a chama da mudança.

A “juventude de pensamento” caracteriza-se pela contínua expansão das redes neurais, pelo desejo de inovação e de aprimoramentodas estruturas que nos são apresentadas como definitivas. Os conceitos de renovação e de progresso ininterrupto mesclam-se e compõem a humanidade “renovolucionária” (expressão criada pelo mestre Helio Fernandes), que dispõe de melhores e mais interativas ferramentas de comunicação e, consequentemente, de mais profundo conhecimento histórico e crítico.

A expansão e a simples revolução já não são os principais inspiradores, mas a gestão contínua, aprimorada e democraticamente deliberada (respeitando sempre o núcleo fundamental de direitos comuns a todos os seres humanos e os valores fundamentalmente agregadores para a coesão social) semeia a revolução contínua no século que se abre com crises financeiras e renascimentos ideológicos de liberdade e de igualdade material.

Os espaços e a linguagem não serão mais barreiras para a humanidade, se ela não desistir de clamar por liberdade, participação e inteligência renovadora e resistir à estúpida dominação que petrifica e mata até a mais promissora das revoluções.

Todas as possibilidades estão abertas para a humanidade, bastando apenas que a “renovolução” não seja usurpada.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *