Todas as vitórias são santas: Fluminense é campeão

Pedro do Coutto

Com entusiasmo, brilho, garra, tática e coração, o Fluminense de tantas vitórias em sua existência,  conquistou mais uma, o Brasileirão de 2010. Longa jornada, turno e returno, enfrentando todos os adversários, impulsionado pela torcida, ora em angústia, ora em delírio, o tricolor ressurgiu das cinzas de 2009 para chegar às chamas da consagração de um ano depois. Glória  eterna aos heróis da conquista, reconhecimento, também eterno, a Muricy Ramalho, grande técnico, que em sua coleção de vitórias acrescentou mais uma.

O time praticou um futebol solidário, um atleta cobrindo o outro e assim ocupando todos os espaços do jogo. A movimentação imprimida pelo treinador encurtou os espaços entre uma linha e outra da equipe. O meio campo se aproximando da zaga nas ações  defensivas, a zaga da armação nas ações ofensivas, o meio campo apresentando-se na área adversária e fornecendo alternativas múltiplas para as investidas do ataque.

A torcida, espetacular, chegando às lágrimas da emoção, foi decisiva para a conquista histórica. A imensa torcida tricolor esteve melhor que a equipe, no primeiro tempo. O time não decepcionou, mas não emocionou a legião de corações e mentes que lotaram o Engenhão. Melhoramos no segundo tempo, mas nossa atuação no capítulo da vitória final não foi – falando francamente – igual às que marcaram outras páginas da longa caminhada. Ao sentir isso, ao longo da disputa, me lembrei de frases famosas do meu saudoso amigo Nelson Rodrigues: “todas as vitórias são santas”. É verdade.

Quando se vence, não se olha o placar, não tem importância ter sido um a zero, notável gol de Emerson, cruzamento difícil de Carlinhos. Temos só que agradecer a Deus e aguardar outras que estão pelo caminho. Sou testemunha do bicampeonato de 41, o do FlaXFlu da Lagoa, do supercampeonato de 46, da conquista de 51, das vitórias de 59 e 64, a de 69, as da década de 70. Da conquista do Brasileiro de 84. São vitórias mil, como diz o belo verso de nosso hino, composto por Lamartine Babo, que, por ironia, era América doente.

Vivemos agora mais um momento de festa. Como disse Emerson ao repórter de campo da Rede Globo, no final, a torcida merece ser filmada. Foi um fator decisivo na vitória. Por isso lembremos também Nelson Rodrigues que interpretou  como ninguém em suas teclas mágicas a história do torcedor, sua alma, sua paixão pelo futebol. Brilham no alto da gávea as três cores que completaram 108 anos de existência.

Muricy Ramalho merece um capítulo à parte. Soube armar e estimular o time. Mostrou que vence aquele que melhor ocupa os espaços do jogo. Uma lição para Mano Menezes que, contra a Argentina, recentemente, montou uma equipe só com jogadores excepcionais, porém todos tocando a bola de trás para chegar na área adversária. Nenhum homem de frente. O Fluminense botou dois na frente, pois tal esquema contribui para prender os zagueiros e obter mais espaço no meio. Ontem, por exemplo, a equipe melhorou com Washington, um guerreiro. Não marcou gol, mas sua presença na área assegurou o espaço para o chute de Emerson. Um chute inesperado e fatal, como um provérbio. Glória eterna ao Fluminense. Vencemos.

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