Toffoli confunde investigação com julgamento e se junta a Aras na caça a SérgioMoro

Aras diz ter recebido com tranquilidade decisão de Toffoli de ...

Aras e Toffoli tentam impedir a candidatura de Moro em 2022

Pedro do Coutto

O presidente do STF, Dias Toffoli, suspendeu as investigações que se voltam contra o senador José Serra, na minha opinião confundindo investigação com julgamento. O foro para o julgamento do ex-governador de São Paulo pode até ser especial, ou seja, pela própria Corte Suprema. Mas as investigações são outra coisa. O STF não tem uma equipe capaz de, reunindo magistrados, apurar responsabilidades de qualquer tipo, tendo portanto, que acionar a Polícia Federal. A PF investiga Serra em dois processos. Um deslocado para TSE; outro na 6ª Vara Criminal da própria Justiça Federal de São Paulo.

No primeiro caso Dias Toffoli atribuiu ao ministro Gilmar Mendes a tarefa de relatar o processo tão logo termine o recesso do Poder Judiciário. No segundo caso, a tarefa de redigir o relatório encontra-se – como já se encontrava – nas mãos do ministro Edson Fachin.

PAI E FILHA – O despacho de Toffoli suspendeu ainda as investigações contra Verônica Serra, filha do senador. Ela é acusada de ter recebido recursos da Odebrecht depositados em conta na Suiça. Ela não possui, é claro, foro especial. Reportagem de Aguirre Talento e Guilherme Caetano, O Globo de hoje, destaca bem o assunto.

Dias Toffoli, reportagem de Bruno Goes e André de Souza, também em O Globo, destaca um outro tema. O presidente do Supremo apresentou proposta ao Conselho Nacional de Justiça estabelecendo para os magistrados uma quarentena de 8 anos para que possam concorrer a cargos eletivos. No momento a lei eleitoral determina um espaço de seis meses para liberação da possibilidade.

O objetivo, nem tanto oculto, é o de bloquear a perspectiva de que Sérgio Moro vir a ser candidato em 2022. O presidente Bolsonaro já revelou que se opõe a qualquer pessoa que obtenha destaque na imprensa e na mídia em geral.

CAÇA A MORO – Falei no título que o alvo de Augusto Aras é atingir com uma seta legal o ex-ministro Sérgio Moro, talvez colocando uma de suas decisões sob reserva. Aquela que liberou o conteúdo do telefonema da então presidente Dilma Rousseff para o ex-presidente Lula. Sérgio Moro, entretanto, deve estar preparado para rebater acusações que venham a surgir.

Mas não é esta a questão somente. Augusto Aras estabeleceu que a força-tarefa de Curitiba remeta para a PGR todo o processo da operação Lava Jato, não levando em conta a existência de delações autorizadas pela Justiça e a confissão e prisão de Marcelo Odebrecht, então responsável pelo repasse de recursos financeiros a administradores públicos.

NO COMPUTADOR – Desnecessário, a meu ver, a ordem. Isso porque todas as peças da Operação Lava Jato de Sérgio Moro têm que se encontrar obrigatoriamente no computador da Procuradoria Geral da República. Para Aras, portanto, bastava acionar uma tecla no universo eletrônico, para obter toda a torrente de informações e depoimentos do processo, sem tanto espalhafato.

Ao agir assim, o procurador aparenta ter como alvo torpedear mais o ex-juiz Moro do que o resultado da Lava Jato que denunciou a maior corrupção da história do Brasil.

 

 

12 thoughts on “Toffoli confunde investigação com julgamento e se junta a Aras na caça a SérgioMoro

  1. Os defensores carniceiros da corrupção com fundamento da política e do Estado aproveitam a inércia forçada dos que vâo às ruas em protesto, por causa do isolamento, para protegerem bandidos, corruptos e criminosos que, organizados em gangues, operam o Estado Cleptocrático e a corolária Indústria da Miséria.
    Anotem aí: logo após a pandemia teremos manifestações gigantescas contra a corrupção e pelo impichamento do chefete de plantão.
    Impressiona-me a solidariedade entre os bandidos, que esquecem até as ideologias que dizem professar para darem-se as mãos pelo enriquecimento ilícito e fácil, à custa do sofrimento de parte considerável da população.

    • Senhor Délcio, claro e objetivo seu comentário, mas não vamos esperar a volta às ruas, me temo que vai demorar. Vamos às redes, a comunicação cibernética é poderosa, a prova está aí, um descebrado mandando em 210 milhões de cidadãos normais. “Todos contra a corrupção” ou qualquer outro bordão similar, pode ser o grito de mobilização.

  2. Que país desgraçado é o nosso. O cara é incompetente todos sabem que sim, o cara é propineiro todos sabem que sim, o cara é mensaleiro todos sabem que sim, o cara tem codinome na planilha da Odebrech todos sabem que sim. Ainda é Presidente do STF.
    Um canalha desse na iniciativa privada já teria sido demitido, já estaria respondendo processo.
    Aqui os jornalistas não dizem absolutamente nada. O EDITOR do país ainda recebe bajulações, proteções.
    Eu devia ter nascido burro não sofria tanto.
    Quando quem mais deveria lutar por liberdade de expressão, a imprensa, não dar uma palavra pro CENSOR pro EDITOR é porque a coisa é muito pior do que se imagina.
    Ah país vagabundo.

  3. O fim da Lava Jato veio na esteira das eleições de 2018.
    A operação de Curitiba tinha como principal objetivo tirar o PT do Poder. Os petistas vacilaram, abriram a guarda, chafurdaram na lama. Têm uma participação enorme na eleição de Bolsonaro.
    Erraram na condução do país e abriram caminhão para o Obscurantismo. No fundo, não passavam de um bando de amadores. Se tornaram arrogantes, enriqueceram e agora não adianta reclamar. O povo é que está se ferrando nas mãos impuras do ultraliberalismo do Imposto Ipiranga.
    Moro se aliou a esse projeto indecoroso, contra o país, contra a natureza, que despreza a Ciência. Também, um juiz bobão, imaturo, ambicioso, seletivo, que está tendo seu castigo, que veio a cavalo. Aras, Toffoli, o presidente estão massacrando o ex- juiz, que vai dormir e acorda pensando na jogada arriscada e errada de abandonar a magistratura.
    Até a direita, que o idolatrava pelo combate a corrupção da esquerda, está abandonando o seu projeto de poder. Talvez, nem se eleja deputado, presidente é sonho de uma noite de verão. Não tem Partido, não tem apoio no Congresso, nem no Judiciário. Todos fogem dele e o vêem como traidor e inimigo, insuflado como perigoso pelas redes bolsonaristas.
    O homem faz seus planos, nas, o Imponderável os destrói, sem dó nem piedade.

    • Meu caro Roberto Nascimento,

      Acato a tua opinião sobre Moro, mas discordo veementemente da qualificação que fazes do ex-juiz, “bobão, imaturo, ambicioso, seletivo, que está tendo o seu castigo … ”

      Castigo por que julgou e condenou os envolvidos em roubos contra o país e povo?
      Castigo por que teve a coragem de enfrentar os poderosos ladrões?
      Castigo por que botou na cadeia o chefe da máfia e genocida, Lula?
      Castigo por que não se deixou corromper, como muitos ex-colegas que vendiam sentenças favoráveis ao réu?

      Quanto a Moro não ter partido e apoio do congresso, também discordo, pois atrelado a uma organização criminosa e incentivo de venais, Moro será derrotado!

      E, comprovo, que partido e apoio político no Brasil não são determinantes, lembro a eleição de Collor.
      Um ilustre desconhecido, que através do slogan “caçador de marajás” foi eleito, vencendo Lula.

      Por que Moro não pode fazer o mesmo?
      Afinal das contas, quem o elegerá será o povo, menos o congresso ou o partido que ele se inscrever.

      E, convenhamos, Moro não se aliou ao “projeto indecoroso” de Bolsonaro.
      Tanto ele quanto nós fomos iludidos, enganados, ao imaginarmos que o ex-capitão faria um governo no mínimo razoável.
      Moro pulou fora.
      Outros escolhidos também deixaram o staff do Planalto.

      Moro errou ao acreditar numa pessoa que jurou de pés juntos que combateria a corrupção, mas, pelo contrário, o presidente quer manter e proteger o sistema nocivo e nefasto que domina o Brasil, e tem a população à sua mercê.

      Portanto, denominar Moro como aliado de Bolsonaro, o meu amigo e guru na TI em termos políticos, se engana, a meu ver.
      No entanto, essa é a minha opinião a respeito de Moro, que contrasta com a tua respeitosamente.

      Acho que não deveríamos execrar um dos homens mais sérios e corretos que tivemos nas últimas décadas!
      Seus feitos como juiz federal, a sua coragem, determinação, enfrentamento do sistema que gerava impunidade, deve ser enaltecido porque se trata de um marco do judiciário no combate a criminosos e a corrupção imbatíveis, até então.

      Por favor, aceita a minha posição.
      Entendo o comportamento do ex-juiz como exemplar, modelo a ser seguido, até porque não foi Moro que roubou, que esteve envolvido em inquéritos e investigações, que pertencia a partidos políticos que eram quadrilhas organizadas.

      Aonde, então, podem ser encontradas as críticas que vem recebendo?
      Aonde estão os fatos que baseiam as acusações?
      Aonde estão as condutas que poderiam comprometer o trabalho árduo e excepcionalmente bem feito como condutor da Lava Jato?!

      O que depreendo dessa situação, que coloca Moro como também inimigo do país, é a falta de candidatos da esquerda e da direita que possam enfrentá-lo nas urnas.
      Conclusão:
      Que seja arruinado moralmente, pois uma tentativa de enfraquecê-lo perante a opinião pública.

      Mas, tudo que sobre, desce, é lei da Física.
      Para muitas pessoas, quanto mais Moro for criticado, mais convicções são alimentadas que se trata do cara certo para o Planalto.

      Para mim, até o presente momento, outro nome de porte não existe.
      Da mesma forma para os poderes constituídos, que querem tirá-lo do páreo antes do processo eleitoral.
      Em outras palavras:
      Moro é o alvo a ser destruído, e nesse jogo político deletério que nos caracteriza vale tudo, tanto o que é lícito quanto ilícito.

      Abração, meu amigo.
      Saúde e paz.
      Te cuida, meu!

  4. Os três poderes se unem para impedir a candidatura de Moro.
    O medo que têm da sua eleição é demonstrado através de leis que querem elaborar, dificultando que seja o ex-juiz o maior opositor de Bolsonaro em 2022.

    Tais casualismos denotam o quanto o país está dominado pela corrupção, a ponto que infringem a Constituição de maneira violenta, que estipula a proibição de uma lei retroagir antes da sua promulgação.
    Mas, de modo que tenham suas vontades e desejos realizados, as leis são facilmente sobrepujadas e ignoradas criando outras em substituição.

    As duas castas unidas, judiciário e legislativo, aliados ao governo, precisam manter o sistema sob seus controles.
    Nada pode ser mais alterado por conta de um presidente, que teria como intenção melhorar a administração, corrigir seus defeitos, e aperfeiçoar sua economia.

    A direita levou algum tempo para retomar o poder.
    Não o entregará no mole, com uma simples derrota eleitoral, isso por parte de Bolsonaro.
    Quanto às duas castas já citadas, Moro seria um golpe impossível de ser assimilado.
    O nocaute seria irreversível.

    O parlamento odiando Moro desde a Lava Jato, e o STF repudiando a atuação do ex-colega, denominando-o como presidente da “República de Curitiba”, tem nesses dois poderes um inimigo de respeito, poderoso, que não evitará esforços legais e ilegais para impedir a sua candidatura.

    O que se torna motivo de estudos e até mesmo aprofundado, diz respeito à conduta dos poderes constituídos com esse ex-magistrado.
    Foi o primeiro e único juiz que enfrentou a impunidade;
    que julgou e condenou o crime do colarinho branco como nunca antes havia acontecido no país;
    que julgou e condenou pessoas do partido que governava a nação, inclusive o ex-presidente lula, um ladrão e genocida indiscutível.

    Logo, Moro tem justamente nos poderes constituídos, que deveriam servir de exemplo para o povo em honestidade e probidade, seus maiores opositores, pois os alicerces do Estado atualmente estão sólidos pela corrupção instituída.
    Aliás, um dos modelos mais corrupto e tendencioso é a escolha de ministros para tribunais superiores, assim como a PGR e AGU.

    O presidente não poderia sequer indicá-los, pois é uma escancarada intromissão em outro poder.
    Certamente Moro iria mudar esse sistema, algo parecido como um Plano de Carreira, onde somente juízes advindos de concursos públicos seriam aqueles que participariam desse Quadro de Promoções na carreira, incluindo desembargador.

    Enfim, como diz as placas de advertência nas estradas, “na dúvida não ultrapasse”, Moro deverá ser impedido de se candidatar.
    Muito melhor absorver o escândalo dessa medida, do que tê-lo como o próximo presidente!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *