Tostão critica a seleção brasileira e diz que Ronaldinho Gaúcho não dá mais

Tostão

Entre os grandes times, o Corinthians é o mais organizado, e o São Paulo, o mais desorganizado. Um time, para ser excepcional, precisa ter grandes jogadores, organização, disciplina tática e ótimas qualidades físicas e emocionais. Almas frágeis limitam a criatividade e a eficiência. Alma, corpo e talento têm que andar juntos. Um ajuda o outro.

Desde o ano passado, quando ganhou o Brasileirão, o Corinthians é o time mais organizado e disciplinado taticamente do Brasil. Isso faz a diferença quando há equilíbrio individual. O Corinthians não tem uma grande equipe porque faltam craques e porque possui alguns vícios do futebol brasileiro, como cruzar demais a bola na área e gostar de tumultuar, truncar o jogo.

Já o São Paulo é, dos grandes, o mais desorganizado. A defesa é muito fraca. Existem mais buracos do que nas estradas brasileiras. Time bom tem de atacar e defender bem. Como o São Paulo possui bons jogadores do meio para frente, cria, faz muitos gols e pode até ser campeão em torneios mata-mata.

Por causa do marketing, os grandes clubes brasileiros só contratam jogadores famosos, caros e do meio para frente. Quase todos os zagueiros são fracos, além de mal posicionados. Os meias e atacantes habilidosos deitam e rolam.

Apesar da fortuna que se paga a muitos técnicos e jogadores, o nível do futebol brasileiro é apenas razoável. Fora Neymar e Dedé, dificilmente outro jogador seria titular das melhores equipes da Europa. A maioria que vai para times médios fracassa e, mesmo assim, volta mais valorizada, como Wesley. Criaram até uma “vaquinha” entre os torcedores do Palmeiras para contratá-lo, como se fosse craque.

No dia do jogo entre Botafogo e Fluminense, na semifinal da Taça Guanabara, os técnicos Abel Braga e Oswaldo de Oliveira disseram, ao jornal “O Globo”, que está tudo bem no futebol brasileiro. Essa prepotência distorce a realidade e mantém os altos salários dos técnicos.

Toda semana, surgem novos melhores jogadores e times. Nesta, o Fluminense passou o Vasco, que era melhor na semana passada. Fred voltou a ser o melhor centroavante do país. Diego Souza, de craque, voltou a ser um jogador comum. Ganso é chamado novamente de gênio. Arouca é pedido para a Seleção. Na próxima semana, várias coisas serão diferentes.

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PARA ENGANAR

A vitória no último minuto, contra a Bósnia, serve para enganar. Mais uma vez, faltou talento do meio para frente. Júlio César e Davi Luís também foram mal. Melhorou um pouco com Elias, Ganso e Hulk. Ronaldinho não dá mais.

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LEMBRANÇAS

O Independência me traz boas lembranças. Primeiro, de minha infância, quando ia assistir aos jogos, com meu pai, de ônibus. Ficávamos no primeiro degrau da arquibancada, perto dos jogadores. Vi Garrincha driblar, em um jogo inesquecível, quando o Botafogo, de Didi e Nilton Santos, virou uma partida contra o Atlético, de 4 a 0 para 5 a 4. Vi grandes jogadores mineiros, como Ubaldo, do Atlético, que fazia gols esquisitos, chamados de espíritas. Vi também Zuca, meia do América, Rossi, do Cruzeiro, e outros.

Em 1963, com 16 anos, comecei a jogar no time titular do Cruzeiro. Logo depois, chegaram Dirceu Lopes e Piazza. Era o início da formação de um grande time, que, a partir do Mineirão, em 1965, encantou o Brasil.

(Transcrito do jornal O Tempo)

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