Tradução simultânea: Moro enfim aceita entrar na política e terá apoio de Luciano Huck

Sérgio Moro: “Se houver irregularidade da minha parte, eu saio”. Os seis  temas que marcaram a audiência no Senado. | Asmetro-SN

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton  

Foi importantíssima a reportagem de Fábio Zanini, na Folha deste domingo, dia 7, relatando a visita que o apresentador Luciano Huck fez ao ex-ministro Sergio Moro em Curitiba, no dia 30 de outubro. Disse o repórter que “eles tiveram um longo encontro no apartamento de Moro, em que acertaram a intenção de se unir em uma espécie de ‘terceira via’ para disputar o Palácio do Planalto daqui a dois anos”.

Na visão do jornalista, que conseguiu a informação, mas não chegou a entrevistar Huck ou Moro, os dois “iniciaram conversas para formar uma aliança na eleição presidencial de 2022”, acrescentando: ”Como foi uma conversa inicial, não se decidiu quem seria o cabeça de chapa de uma eventual candidatura conjunta. Essa é uma discussão, avaliaram ambos, para ser feita ao longo do ano de 2021”.

TRADUÇÃO – Bem, é o tipo de matéria que requer tradução simultânea, porque na política as aparências quase sempre enganam. O que aconteceu foi um encontro entre dois possíveis candidatos à sucessão em 2022. Na política de verdade, isso jamais ocorre, porque esse tipo de reunião indica que um dos dois – o que tiver menos força política – está desistindo da candidatura para  apoiar o mais forte.

O fato concreto é que Huck procurou Moro, depois que trocaram telefones na cerimônia do Exército, quando se conheceram e passaram a se comunicar. Portanto, a ida de Huck a Curitiba demonstra que foi levar solidariedade a Moro e dizer que pretende apoiá-lo.

Essa é a tradução simultânea do prolongado encontro Huck foi pessoalmente insistir com Moro para que aceite a candidatura oferecida pelo Podemos (leia-se: senador Álvaro Dias, amigo pessoal do ex-juiz).

PAZES NA GLOBO – No caso, é preciso levar em conta que Luciano Huck fez as pazes com a TV Globo, depois do desentendimento após a extinção do programa de Angélica em 2018. Furioso, Huck ameaçou entrar na política e começou a realmente participar. A Globo resistiu, mas acabou pedindo arreglo e escalou seu melhor diretor, Marcel Souto Maior, para criar um programa especial para a mulher do apresentador.

Devido à pandemia, a produção parou e depois veio se arrastando. Para assustar a emissora, Luciano Huck passou a escrever longos artigos políticos na Folha, a Globo então acelerou a produção e o novo programa de Angélica (“Simples Assim”) estreou dia 10 de outubro.

Para quem acredita em coincidências, é um prato feito, porque 20 dias depois, Huck pegou seu jatinho, viajou para Curitiba e ofereceu seu apoio a Moro.  

TERCEIRA VIA – O excelente repórter da Folha, Fábio Zanini, não tinha essas informações adicionais, não ligou uma coisa com a outra, mas acertou em cheio ao revelar que Huck e Moro, que nunca haviam tido uma longa conversa pessoalmente sobre política, “concordaram que há espaço para a construção de uma candidatura em 2022 com a marca da “racionalidade”.

Em outras palavras, isso significa que Sérgio Moro está mesmo decidido a entrar na política em 2022, quando serão disputados os cargos federais que realmente interessam.

Moro é considerado eleito se for candidato a deputado federal, senador ou governador do Paraná. Quanto à Presidência, sua entrada na disputa desequilibra tudo. As últimas pesquisas indicam que Moro é o único que pode enfrentar Bolsonaro.

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P.S.
– E ainda há quem não acredite que Deus seja brasileiro… (C.N.)

23 thoughts on “Tradução simultânea: Moro enfim aceita entrar na política e terá apoio de Luciano Huck

    • Vc tem razão, porque a impressão é a de que é o Diabo que faz morada por aqui, há muito tempo, e que se um dia Deus residiu por aqui foi despejado pelo Diabo, que usurpou o seu trono e não quer deixá-lo voltar, de jeito nenhum, nem no pau, Juvenal. Quando vc vê até idosos, gente vivida, enveredando pela senda da mentira e da enganação, é porque a coisa está realmente brava, ” o índio variou-se”, como dizia a minha avó, ao ponto de vaca não reconhecer nem mesmo o próprio bezerro. Aliás, o Rodrigo Maia disse que o Brasil está sendo conduzido para o abismo, mas a impressão é a que, na verdade, já pactuou com o fim do mundo, à medida em que ancorou o seu navio e se acomodou na comilança com a gengiva daquilo que conseguiu fazer com os dentes durante a vida toda, que é a filosofia do fim do mundo, argumento esse que tb, logo, estará sendo copiado por aí, inclusive pela mídia copia, cola e vende a quem oferecer por eles algumas moedas, à moda Judas.

    • Bom dia , a meu ver a melhor chance de Moro foi em 2018 como o anti PT. O povo elegeu Bolsonaro por falta de opção melhor. Só havia políticos profissionais. Moro teria ganho facilmente na minha opinião pois estavam querendo lançar até Joaquim Barbosa que já havia saído de cena há muito tempo. Bolsonaro foi a opção anti PT possível. Se fez de “novo” mesmo tendo 30 anos de Câmara (sem ter feito nada durante esse tempo). Agora que está longe das manchetes será mais difícil para ele mas é o único hoje capaz de derrotar Bolsonaro em 2022 realmente. Moro , EU APOIO! Lava Jato, EU APOIO !

      • O final está redondamente enganado. Tanto o STF, quanto a Lava Jato, não fizeram outra coisa, face ao sistema podre, senão, seguir o rastro do dinheiro, o script ditado pela RPL-PNBC-DD-ME, que precisava dessa comprovação, como prova do acerto da sua tese e, por conseguinte, a revolução, portanto tudo como um meio e não um fim eleitoral em si mesmo, assim como um meio deveria ter sido o plano real, que tb foi deturpado e usado por FHC, e o resto, como um fim eleitoral em si mesmo, FHC que chegou ao extremo da deturpação ao instituir a reeleição em benefício próprio, que tornou uma tragédia aquilo que em si já era muito ruim.

        • O grande perdedor das últimas eleições, na verdade, foi o PSOL, que tanto em 2014 e 2018, talvez face possível complexo de inferioridade, ou pequenez, optou pela condição de puxadinho e linha auxiliar do lulopetismo que o estigmatizou para o resto da vida, ao invés de servir como hospedeiro da Revolução que já teria vencido nas urnas em 2014, e já teria mudado a história do Brasil, com certeza, até porque, o resto, “data venia”, não passam de grandes nadas, atrevidos, pretensiosos, egoístas…, em termos de mudanças de verdade, sérias, estruturais e profundas.

          • Qualquer outro partido, no lugar do PT, teria sido pego na mesma situação do PT, no comando do poder central da república 171, ou talvez até muito pior, caso tivesse sofrido a mesma devassa. Porém, a presença do PT, no lugar errado, na hora errada, serviu como mamão com açúcar para o establishment bandido, controlador do sistema podre, era tudo que ele precisa para continuar livre, leve e solto, valendo lembrar que, exceto o PSOL, mais um ou outro, por ora, não existe nenhum outro partido com mais autoridade moral do que o PT, não são melhores do que o PT em nada, até porque todos, aderidos aos sistema podre, querem mais é apenas o continuísmo do sistema podre, ainda que fantasiados e disfarçados de bons moços.

  1. Pelo visto Bolsonaro fez escola e discípulos. Todavia, continuo naquela do não me enganem que eu não gosto. TERCEIRA VIA DE VERDADE, no Brasil, existe apenas uma, que é a que bate de frente contra o continuísmo da mesmice do conjunto da obra do sistema podre, a ruptura (que o Álvaro Dias tb tentou copiar na última eleição presidencial e se deu mal, porque o alheio não gosta dos seus usurpadores, dizendo que esperou pelo projeto da ruptura mas como ele não havia sido apresentado nas duas últimas eleições, ele se viu no direito de representá-lo, mal e porcamente, diga-se de passagem… ) e o resto é apenas puxadinho e linha auxiliar do lulismo ou do bolsonarismo, dois exércitos intransponíveis por mais dos me$mo$, é como a lei da física que burros não entendem, ou fingem não entendê-la e, por isso, vivem quebrando a cara, não obstante a evidência da última eleição, posição essa da qual os dois exércitos, lulismo e bolsonarismo, não se afastaram sequer 1 centímetro. Vide a situação do PSOL, em SP, que serviu de gaiato por duas eleições consecutivas, 2014 e 2018, nessa condição de puxadinho e linha auxiliar, no caso, do lulismo, cooptado pelo petismo, via trio Medeiros-Freixo-Boulos, PSOL que livre do lulismo despontou forte em SP. Por outro lado, vide exemplo do “Podemos”, do Dias, que serviu de puxadinho e linha auxiliar do bolsonarismo. Eis, pois, a realidade da política do Brasil, que só pode ser vencida pela Terceira Via de Verdade, cara a cara, olho no olho, com Deus na causa, porque nada convence mais do que a verdade, como Ela realmente é, com o apoio de todos aqueles e aquelas que gritaram nas ruas do país em Junho de 2013, firmes, fortes, alto e em bom som: ” … sem partidos, sem violência, sem golpes, sem corrupção, vocês nãos nos representam”, dos quais o sistema podre, vencido, continua fugindo igual o diabo foge da cruz.

  2. Confirmando-se a candidatura da dupla Moro/Huck, podemos traçar algumas linhas sobre esse confronto eleitoral de 2022, que se prenuncia como bombástico!

    1 – Dinheiro não vai faltar para a campanha do apresentador de TV e o ex-juiz.
    Huck tem a comunidade judaica a seu favor. Moro tem parte do Judiciário, que sempre o apoiou durante a Lava Jato, e terá respaldo importante para sua eleição;

    2 – Certamente a maior contribuição que a dupla poderá contar, diz respeito ao apoio da imprensa nacional.
    Bolsonaro tem a mídia como inimiga, então terá contra si vários veículos de comunicação criticando-o duramente pelo que fez de errado e pelo que não fez, afora uma onda imensa que precisará ou mergulhar ou surfar, de modo que não seja morto por afogamento:
    A forma como tratou a pandemia e seus 163 mil mortos no dia de hoje, Sabe-se lá quantos brasileiros não morrerão até 2022;

    3 – A política adotada por Bolsonaro tem sido a mesma de Lula, toma lá, dá cá. A sua aproximação com o Centrão lhe custará alguns cabelos brancos, para explicar os porquês de descumprir com o prometido em campanha com relação à corrupção.
    Até 2022 teremos uma ideia do andamento das denúncias contra o seu filho senador, envolvido até o pescoço com as rachadinhas;

    4 – Muito se cobrará de Bolsonaro sobre a sua política exterior de isolamento, onde optou por ser aliado apenas e unicamente dos Estados Unidos.
    De certa forma, o Brasil se distanciou da Europa e Ásia, e reconquistar esses dois continentes diplomaticamente será uma tarefa para seu sucessor;

    5 – Um tema que se mostrará eletrizante e de debates acirrados terá a Amazônia como protagonista.
    O mundo está de olho na região, esperando que Bolsonaro siga na sua administração relapsa e negligente na preservação da maior floresta do planeta.
    Até 2022, saberemos se a Amazônia ainda nos pertence ou foi transformada em consórcio internacional;

    6 – A política econômica se mostra uma catástrofe. Os erros são crassos com relação ao nosso crescimento.
    Enquanto qualquer governo deixar de fora desse processo de desenvolvimento do país o povo, jamais alcançará um mínimo de resquício sobre índices positivos nessa área, hoje comandada acintosamente pelo poder econômico, castas e elites nacionais;

    7 – A educação/ensino será o Calcanhar de Aquiles de Bolsonaro.
    Nada, mas absolutamente nada fez, para melhorar o degradante ensino público Fundamental e Médio. Bolsonaro precisará ser demasiadamente criativo e convincente, de modo que justifique ter retirado da mal atendida e desprezada educação pública, 1,4 bilhão de reais para atender a demanda parlamentar;

    8 – A saúde pública também se encontra abandonada.
    Os casos de doenças que já teriam de ser debeladas do nosso território ainda estão presentes.
    O SUS se mostra incapaz e insuficiente para atender a demanda popular. Faltam remédios, leitos hospitalares, exames que levam vários anos para ser realizados, postos de saúde completamente deixados de lado;

    9 – Bolsonaro terá outro poderoso inimigo às suas pretensões de reeleição, a segurança pública.
    A cidade do Rio de Janeiro está tomada pela violência de traficantes e milicianos. O povo está à mercê de balas perdidas, e de ser uma espécie de alvo para aprimoramento da pontaria dos meliantes, sempre portando armas de grosso calibre e modernas;

    10- O presidente deverá exercitar a sua imaginação – reconhecidamente limitada – quanto ao modo como desrespeita o STF.
    A escolha de um desembargador para a vaga de Celso de Mello foi uma agressão à Justiça, uma afronta à sociedade, pois o candidato não possuía as necessárias condições para exercer tão importante função. Não há como se respeitar um ministro que adultera o seu currículo profissional, e tem a sua esposa trabalhando como assessora de um senador.

    Enfim, Huck e Moro têm um prato cheio às suas disposições para vencer Bolsonaro.

    A frente da fortaleza do presidente é bem constituída mas, conforme escrevi várias vezes, o ex-capitão deve ter gazeado as aulas de táticas e estratégias, pois os flancos estão absolutamente desprotegidos.
    Basta estender uma cabeça de ponte nessas áreas sem defesas, e cercar Bolsonaro com um movimento de pinça, que a sua derrota será humilhante e absoluta!

    (Eis a minha colaboração para a próxima administração ou, até mesmo para Bolsonaro, caso queira ou tenha interesse em melhorar substancialmente o seu pífio governo)!

    • Não aprendeu nada com o seu pupilo Bolsonaro, de 2018, que vc ajudou impor goela-abaixo ao Brasil ? Tá querendo o que, agora, nos meter noutra fria ? Quantas vezes vc já errou na escolha dos seus presidentes ? Entre vc, sozinho, nessa fria.

      • Che, Luiz Felipe,

        Mas quanto ódio nesse coração!

        Então Bolsonaro é meu “pupilo”?
        Se fosse não estaria fazendo tenta cagada.

        Quem sou eu para “meter” o povo em outra fria?
        O meu voto vale apenas um,

        Quantas vezes já errei nas escolhas para presidente?
        Todas!
        Tu acertaste quantas?

        Uma andorinha só não faz verão.
        Se entrarei em outra fria, o brasileiro não me acompanhará, mas será mais uma vez enganado como tenho sido desde Collor, quando pela primeira vez votei para presidente da República!

        Agora, qual seria a tua opção, pois a minha não serve, então como deveremos fazer?
        Votar em quem?

        Luiz Felipe, antes que eu esqueça, vai lamber sabão!

    • Chicão, uma boa análise. Não sei se uma eventual candidatura do Moro poderá ganhar, mas com certeza, ao contrário do que disse o Luís Felipe, você não vai “entrar sozinho nessa fria”. Entrarei contigo e garanto que muita gente mais (como eu) que votou em Bolsonaro pela sua plataforma anticorrupção e se decepcionou completamente nos acompanhará.

      • Caríssimo Wilson, meu amigo,

        Não sei se um dia acertaremos o presidente que irá nos tirar desse atoleiro.
        Não nos resta outra alternativa que eleger quem percebemos ser viável.

        Reconheço que não tem dado certo, significando que poderemos errar de novo. No entanto, a cada presidente, o Brasil se torna cada vez mais difícil de governar porque a função do Planalto ficou sendo unicamente atender as exigências das castas, elites e poder econômico.

        O povo vem sendo abandonado, desprezado, humilhado, alvo de injustiças indescritíveis há décadas, diferentemente da situação de extremo conforto e segurança que gozam os membros dos poderes Judiciário e legislativo.

        Certamente no andar dessa carroça, um dia o eixo vai se partir pelo peso que transporta, então pobres, miseráveis, desempregados, analfabetos, ricos, milionários, corruptos, desonestos … terão de lutar pela sobrevivência.

        Aposto, Wilson, em nós, que temos um now how invejável de viver na mais absoluta carência, enquanto os abonados não saberão e não se sujeitarão às dificuldades.

        Sim, meu caro, pois um dia o Brasil ruirá, quebrará, falirá, e não falta muito!

        Abração.
        Muita saúde e paz, parceiro.

      • Caro dr.Ednei de Freitas,

        O senhor me honra com seu comentário, além de eu me sentir orgulhoso pelo fato que o senhor concorda com as minhas alegações.

        Tento ser realista, e analisar a nossa situação com isenção e imparcialidade, ou seja, sem que a maldita ideologia deixe a minha visão opaca.

        Que a nossa situação é grave, somente quem é sectarista e seguidor de Bolsonaro para contestar essa verdade apodítica, estocástica.
        E não temos, nesse momento, nome algum que substituísse Bolsonaro e tratasse de corrigir os mal feitos e atuar em prol do povo, e não continuar a omissão criminosa desse governo nesse sentido!

        O nosso problema, dr. Ednei, e me dirijo justamente para um especialista na área do comportamento humano, é que o brasileiro perdeu a confiança em si e nos poderes constituídos.

        Tornamo-nos uma população de descrentes da política e de nossas autoridades em todos os níveis.
        O Brasil hoje é um arquipélago constituído por 217 milhões de ilhas, que tentam ser autossustentáveis, porém é impossível.

        Não temos mais unidade como povo; não nos importamos mais com o país; deixamos que nos roubem, explorem e manipulem; aceitamos a corrupção como se fosse natural, então a tratamos com benevolência, paciência e compreensão!!!

        Em resumo:
        que povo somos nós?

        Um abração, dr.Ednei.
        Saúde e paz.
        Obrigado pela deferência.

  3. Qualquer candidato anti Bolsonbaro leva a parada , porque esse presidente é o pior que o Brasil já teve, de forma que eu o considero administrativamente pior do que o Lula e Dilma.

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