Tragédia de 2014 é cem vezes maior que o desastre de 1950

 

Pedro do Coutto
Assisti a final de 50 nas arquibancadas do Maracanã, Estádio Mario Filho, e a semifinal deste ano pela tela da Rede Globo, e posso afirmar, com base nos fatos e nas épocas, que a tragédia de 2014, que ficará para sempre marcada de forma indelével na história do futebol, é cem vezes (para não dizer mil vezes) maior. Se já era difícil traduzir a vitória do Uruguai, uma afirmação da tática sobre a técnica e sobre a arte, os 7 a 1 impostos pela Alemanha à Seleção Brasileira não pode encontrar a menor explicação lógica.
Nunca se presenciou nos estádios do mundo o que aconteceu no Mineirão. Nosso escrete foi tomado por uma paralisia total completamente absurda. Basta dizer (outro recorde que ficará para sempre) que os alemães fizeram quatro gols seguidos no espaço de tempo de somente seis minutos. Era buscar a bola no fundo das redes, colocá-la no centro do gramado, dar a saída, perder o seu domínio e ver o placar acrescentar mais um tento alemão.
Com a torcida perplexa, surpresas passaram a ficar também os alemães com tanta facilidade. Um afrouxamento geral envolveu o time brasileiro. A própria torcida, maior testemunho da perplexidade, é claro, deixou de torcer. A vibração foi sufocada pela anestesia, pelo entorpecimento, por uma estranha sensação do irreal. Impossível torcer: o primeiro tempo – fato inédito em semifinais de Copa do Mundo – acabou com a contagem de cinco a zero no placar. Impossível torcer. Só se pode torcer quando existe alguma possibilidade de mudar o rumo e a face do confronto. Nada mudou. A Alemanha marcou mais dois gols. Só então saímos do zero. Em nossa história esportiva, sem dúvida, foi a maior derrota da Seleção Brasileira.
SEM EXPLICAÇÃO
Não podemos encontrar explicação. Pois se nem Filipão, tampouco Parreira, conseguiram apresentar algum argumento convincente, não seríamos nós a achá-lo, uma agulha perdida num palheiro, em meio a contradições indecifráveis. Não vínhamos atuando bem na Copa, os resultados demonstravam, mas não tivemos a humildade para aceitar essa face da realidade e prosseguimos investidos da certeza da vitória. Provavelmente aqui reside o maior equívoco de 2014. Nos julgávamos com as mãos erguendo, acariciando, expondo a Taça, como se fôssemos seus donos.
Em 50, perdemos para a tática uruguaia liderada brilhantemente por Obdulio Varela, por um cruzamento de Ghiggia nos pés de Schiafino, que empatou a partida, e no chute do próprio extrema-direita que selou o destino do confronto separando a vitória do Uruguai de nossa derrota. Sessenta e quatro anos se passaram, mas desta vez tantos foram nossos erros, tantos gols  sofremos, que multiplicarmos o que o palco do Mineirão testemunhou pelas nossas vacilações, erros, incapacidades paralisantes, atingiremos um montante absurdo de situações negativas, de dúvidas hamletianas inadmissíveis em matéria de competições esportivas.
Na verdade, o drama maior é não nos revelarmos preparados para o combate difícil. Sonhávamos com a vitória e somente com ela. Não nos preparamos para uma dificuldade maior, além do normal. Quando ela nos surpreendeu, para um desastre nosso também nos paralisou na proporção de sete para um. A derrota de terça-feira nos atingiu e feriu para sempre. De forma tão profunda que 64 anos depois, sepultou a de 1950. Os dois a um de 16 de julho parecem nada perto dos sete a um de agora. Um desastre completo.

5 thoughts on “Tragédia de 2014 é cem vezes maior que o desastre de 1950

  1. Caros Amigos

    Há um velho ditado que reza DEUS ESCREVE CERTO POR LINHAS TORTAS. Dessa vez diferentemente de 1950 e na verdade de qualquer outra copa a manipulação politica do evento “nunca na história desse país” foi tão flagrante e imoral, nem mesmo em 1970 em que o presidente ditador meio alienado que gostava de curtir futebol com radinho de pilha, no máximo dava um palpite ou outro e depois claro tiraram proveito do sucesso. Mas foi algo nada planejado apenas se aproveitaram das circunstancias.
    Dessa vez foi diferente. Até terça-feira, dia do fatidico jogo a PRESIDANTA se vangloriava da “COPA DAS COPAS”, estava na cara o proveito politico de um eventual sucesso da seleção.
    Mas, gente, sinceramente, prefiro mil vezes o choro de apenas 1 dia ou no máximo 1 semana, de uma acachapante derrota esportiva, do que chorar as lágrimas de sangue como as dos nossos irmãos venezuelanos e/ou as lágrimas secas da apatia de nossos irmãos cubanos, cujo maior sonho é embarcar em qualquer piroga, enfrentando os tubarões do mar, para tentar chegar nas costas da Flórida.
    DEUS está nos dando uma chance para que tomemos o nosso destino em nossas próprias mãos e escorracemos de vez essa psicopata e sua gente do poder . SÓ DEPENDE DE NÓS!!

  2. O que pode anular esta tragédia dos 7 a 1 , seria hoje o Brasil golear a Holanda por 5 a 0, pelo menos.
    Quem sabe esse milagre acontece?

  3. Pedro do Couto tem toda a razão, quando diz: foi a afirmação da
    tático sobre a técnica. Isso aconteceu em 1950 e aconteceu agora.
    A seleção do Brasil em l950, foi uma das melhores, com jogadores
    como Zizinho, Jair da Rosa, Ademir e outros, vinha ganhado fácil das demais seleções. O Uruguai, sabendo da sua inferioridade, adotou a
    tática defensiva, com todos os jogadores dentro do seu campo, jogando
    para não tomar gol,, e em dois contra ataques fizeram dois gols. Fatalidade.
    A seleção de hoje, é ruim, com exceção de 3 ou quatro jogadores, sem
    conjunto, sem esquema de jogo, sem tática. Prevaleceu a Alemanha organizada.
    Num campeonato de mata mata, tem que ter a máxima cautela, não se pode
    ir para cima do adversário descuidando-se da parte defensiva, ainda mais tratando-se de um adversário que merece respeito. Acho, que quando chegou
    ao sétimo gol, a Alemanha tirou o pé do acelerador, caso contrário a goleada
    seria maior.

  4. Vamos torcer para que nada de pior aconteça. Vamos enfrentar um time tão organizado como a Alemanha e sem compromisso, ou seja, não precisa se precaver com cartões, com machucados e nem com um outro jogo, como os alemães. Se fosse pela estatística seria 12 ou 14 a 1 para a Holanda. Mas eu acho que o Brasil vai virar a mesa e não dar vexame.

  5. Sei não…
    Voltando aos 7×1 pela Alemanha e os 3×0 pela Holanda, bota 100 vezes mais por conta da tragédia da Copa do Mundo de 2014!…
    Humilhação eterna…

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