Tragédia em estádio egípcio é um alerta ao Brasil

Milton Corrêa da Costa

A impressionate e chocante tragédia, ocorrida num violento conflito entre torcedores de futebol,  em Port Said, no Egito, resultando na morte de 74 pessoas e mais de mil feridos, que pegou a polícia local de surpresa, deve servir de alerta às nossas autoridades para que tal barbárie, já inúmeras vezes prestes a ocorrer em nossos vulneráveis estádios de futebol, não possa também aqui se concretizar.

Condições objetivas é que não faltam. Há uma horda (bando) de desordeiros, assassinos em potencial (pseudotorcedores), infiltrados em torcidas “organizadas” do futebol brasileiro, que insuflam as massas, prontos a dar causa a uma grande tragédia.

Na final do Campeonato Brasileiro de 2009, no Estádio Couto Pereira, na capital paranaense, em que o Coritiba foi rebaixado para a Segunda divisão, por pouco tragédia semelhante ao recente episódio de Port Said deixou de ocorrer. As câmeras de televisão mostraram a fúria assassina de vândalos ensandecidos que agrediam até policiais e destruíam o que viam pela frente. Um lamentável episódio de barbárie na história do futebol penta campeão do mundo.

Falsos torcedores de futebol, comportam-se em verdade como autênticos valentões e machões – muitos são musculosos e “bombados”-, alguns agindo sob o efeito de álcool, energéticos e drogas ilícitas. Quando identificados, presos e processados por lesão corporal, rixa e mesmo homicídios praticados, ou por envolvimento em conflitos em vias públicas, antes e após o término dos jogos, comportam-se como ‘anjinhos inocentes’.

Consideram-se, inclusive, em alguns casos, “vítimas” da truculência policial. Resta saber se os pais têm conhecimento da atitude indisciplinada e irresponsável de seus filhos da porta pra fora. Depois não adianta dizer que foram surpreendidos.

Algumas caravanas de torcedores, por onde passam, amedrontam qualquer cidadão pacífico. Trazem consigo materiais próprios para atos de violência -até armas de fogo -, com o objetivo definido da prática de crimes. Bandidos com todas a letras. Alguns deles encontram-se cumprindo penas recolhidos ao cárcere por crimes praticados.

Ao serem presos, fotografados ou filmados pela imprensa, de cabeça baixa, mais parecem que acabaram de sair de um culto religioso. Ali acaba toda a valentia. Trata-se, obviamente, de uma minoria que não representa efetivamente a sadia paixão por um clube de futebol e que se aproveitam do anonimato que envolve todo o grupo para, através da turba, enfrentar e agredir covardemante.

Esta é a ameaça real e concreta que profissionais do futebol e torcedores pacíficos correm o risco, todos à mercê desses marginais, que se aproveitam para extravasar requintes de sadismo e perversidade, geralmente contra grupos minoritários. Normalmente integram as chamadas “torcidas organizadas”. Algumas mais se identificam com facções criminosas. São da mesma estirpe e índole dos que vivem a agredir e discriminar homossexuais em qualquer canto. Mais se parecem grupos de desordeiros selvagens do que seres civilizados.

No ano passado, na localidade do Barreto, no município de Niterói, antes que a partida decisiva pela Taça Rio tivesse sequer começado, um incidente resultou na morte de uma pessoa com tiro no abdômen. Segundo testemunhas, dois torcedores, em uma motocicleta, se aproximaram de um grupo de torcedores rivais, numa praça pública, já fazendo disparos de arma de fogo. Os assassinos foram identificados e presos pela polícia dias após. Tais lamentáveis fatos tornaram-se rotina no futebol brasileiro. Basta acessar sites de Internet, próprios sobre o preocupante tema, para constatar a impressionante sequência de crimes correlatos.

Note-se, que não estamos falando de confronto armado entre traficantes, nem entre traficantes e a polícia. Tal fato comprova, portanto, que a arruaça, o vandalismo, a selvageria, o extravasamento gratuito de atos de violência, o banditismo e o desrespeito a qualquer preceito da ordem pública são os grandes propósitos de alguns pseudotorcedores de futebol, não a paixão e o incentivo sadio ao clube do coração. A finalidade precípua é a desordem e não a trocida fervorosa na disputa entre dois times em campo. O que é pior: constata-se que há embates corporais até entre facções de torcidas de um mesmo clube, o que demonstra a insensatez e a idiotice de tais jovens.

Portanto, a recente tragédia, ocorrida em estádio de futebol no Egito, deixa um alerta a todos. Coloquemos, pois, as nossas barbas de molho. Precisamos estar suficientemente preparados para que não continuem a ocorrer atos de violência fora e dentro de nossos estádios. Um bando de assassinos e desordeiros em potencial por enquanto permanece à solta. Neste caso, o melhor preparo de nossa polícia, o trabalho investigativo, o cárcere e o rigor da lei são os reais mecanismos de defesa da sociedade. Não adianta depois lamentar o leite derramado. Prevenir é melhor que remediar.

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