Tragédia nossa de todo dia

Amilton Caires, de 23 anos, estava preso na penitenciária de Ribeirão das Neves

Advogado alega que Amilton tem problemas mentais

Luiz Tito
O Tempo

Nesse último fim de semana, num encontro que pretendia ser uma festa de estudantes em um bar perto da PUC, um aluno foi brutalmente assassinado por um jovem louco armado com um revólver após receber um esbarrão. Pelo menos essa foi a versão que a polícia anotou no registro do fato. Simples assim: duas pessoas numa grande festa, em meio a uma multidão de jovens supostamente muito alegres, com suas namoradas, todos bebendo, e, de repente, um tiro é dado por um débil mental que escolheu ir à mesma festa armado – como, na verdade, deve ocorrer sempre, e com dezenas de outros idiotas, e nunca se sabe, até que ocorram tragédias como a registrada. O motivo: um esbarrão. Nada tão diferente do que é possível em ocasiões semelhantes, em encontros que reúnem calouros de universidades.

O jovem assassinado com um único e certeiro tiro no rosto tinha 22 anos, era estudante de Direito. Tinha projetos para sua vida, covardemente interrompida. O assassino, chamado Amilton Caires, de 23 anos, deve ter perfil semelhante, pelas circunstâncias em que ambos se achavam. Ambos estavam em festa, ambos perderam suas vidas, com uma dor sem medidas para suas famílias.

Um está morto, e o assassino, em condições normais, vai seguir morrendo pelo resto de sua vida, em cadeias imundas, respondendo a processos torturantes pela forma como são organizados, com a vida entrecortada por uma sucessão de ocorrências que o mundo em que entrou, o do crime, vai fazê-lo integrado. Trocou a vida de festas pela cadeia, terá na consciência, se é que a tem, uma morte que ele provocou de um outro jovem; vai dividir o espaço de uma cela e todos os seus acréscimos com outros marginais. Para o que fez, infelizmente, é pouco. Para ele e para sua família, uma tragédia.

NAS REDES SOCIAIS

Nas redes sociais, o sentimento que esse assassinato despertou foram manifestações graves e acachapantes pelo seu contexto e expressão. Não se viram sentimentos de dor, compromissos em se combater organizadamente – como se organizam calouradas – a violência crescente, o porte de arma, a substituição do entendimento e da tolerância pela estupidez e pela força.

O que se lê está assim: “Segundo o delegado que assumiu o caso, ele (o assassino) só poderá ficar preso por 30 dias e deverá ser solto mediante o pagamento de uma fiançazinha e algumas cestas básicas. Neste país que não deu certo…” . Outro: “Agora, um juizinho qualquer vai apresentar uma sentença tosca ante a gravidade e covardia do crime. Em dois ou três anos o assassino já estará livre. O assassino do promotor já está solto, imaginem o deste rapaz !” E para fechar: “O patife que fez essa covardia vai ser solto. Judiciário no Brasil sempre foi comparsa de pilantras porque, além dos benefícios legais que forçam o juiz, o instituto da prisão preventiva, que poderia ser usado para deixar o vagabundo mofando na cadeia, nunca é usado. E, para completar, os bandidos esquerdistas afirmam falsamente que o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo”.

Pelos comentários, ninguém tem culpa de nada: só o país que não deu certo, o Judiciário pelos seus defeitos, “as esquerdas” (ainda existem?) mentirosas. Eu, tu, ele, nós, vós, eles, nunca. Meus sentimentos às famílias.

7 thoughts on “Tragédia nossa de todo dia

  1. “Um está morto, e o assassino, em condições normais, vai seguir morrendo pelo resto de sua vida, em cadeias imundas, …”
    -Ficar preso? Que nada! No país da impunidade quem morre é quem perde:

    “O secretário de segurança pública do Ceará, coronel Francisco Bezerra, afirmou que 95% das pessoas presas por homicídio no Ceará, atualmente, são reincidentes. De acordo com o secretário, o dado se justifica pela legislação que “infelizmente” põe em liberdade os adolescentes infratores rapidamente. “Noventa e cinco por cento são reincidentes, digo isso sem nenhum medo de errar”, disse Bezerra.” Fonte: Portal G-1.

    “Oito de cada dez presos que terminam de cumprir pena no Estado voltam a cometer crimes. O índice de reincidência, segundo o membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Robson Sávio Reis Souza, consta dos indicadores do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).” Fonte: O dia.

    “Um homem foi apresentado pela Polícia Civil nesta quinta-feira (5) suspeito de praticar estelionato contra idosos. Se condenado, Edrísio pode responder por estelionato e pode pegar de um a cinco anos de prisão, com agravante de crime contra idosos. O criminoso possue 29 passagens em diversas delegacias – a maioria por estelionato.” Fonte: Jornal de Brasilia.

  2. O artigo de Luiz Tito expressa puramente algo a que se chama solidariedade de classe: “Um está morto, e o assassino, em condições normais, vai seguir morrendo pelo resto de sua vida, em cadeias imundas, …” Duas vítimas, dois elementos de classe média. Triste do que morreu, tristeza prolongada do que matou. Que erro. O sujeito que matou ainda vai aprontar muito, e dentro em breve. Viverá em meio à sua turminha, faturará belas gatas, disputará corridas de carro. Cadeia? Que piada Luiz Tito, não tenha peninha de bandido. Você também chama marginal apenado de reeducando?^

  3. “(…) compromissos em se combater organizadamente (…) o porte de arma (…)”

    Agora a culpa é do revólver… Só faltou dizer que Amilton é uma vítima da sociedade.

    • Quando se fala em combater o porte de arma, sempre se fala da parte errada. O Brasil, desde antes da Segunda Guerra Mundial, já possuia uma das legislações mais restritivas do mundo, para a época, em relação ao porte de arma. Mas nunca teve uma fiscalização adequada para ver se o cidadão andando pelas ruas está armado ou não. Porque não se aproveitam, por exemplo, as blitzes da Lei Seca para verificar também se o condutor está armado?
      A licença para porte de arma, no Brasil, é praticamente impossível de ser conseguida por civis, excetuando algumas poucas categorias privilegiadas.
      Posso apostar o que quiserem que o assassino em questão não tinha licença de porte.
      De que adianta legislação sem fiscalização? Apenas para desarmar o cidadão de bem, que obedece às leis, e deixar armado o criminoso, que não está nem aí para as leis.
      Hoje mesmo vi, no “Bom Dia Brasil” da Globosat, uma notícia sobre a prisão de alguns criminosos. Além de vários fuzis, apreenderam um fuzil de longo alcance, calibre .50, para snipers, do exército americano, coisa com que os snipers americanos, nas operações no Afeganistão, têm furado blindagens ou matado inimigos a mais de dois quilômetros de distância. Nenhuma das armas apreendidas com o grupo é vendida legalmente no Brasil ou tem sua entrada no País permitida.

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