Tragédias gigantescas em presídios tornam-se um desafio a mais para Temer

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Se diante da avalanche da Odebrecht já se tornava difícil o governo aprovar as reformas previdenciária, trabalhista e também a tributária, agora então, com os quadros macabros das rebeliões em Manaus e Roraima, a situação ainda mais se complica. Isso porque o governo terá que atuar simultaneamente em várias frentes. O panorama nacional não é positivo e, portanto, não facilita o andamento das reformas que ele deseja aprovar este ano.

O sistema prisional que explodiu no início do ano é resultado de falhas profundas acumuladas, a começar pela superlotação. Terceirizar administrações estatais, como aconteceu em Manaus é sempre um risco duplo: porque, no final das contas, o Estado não pode deixar de se responsabilizar pelos erros das empresas que contrata. E assim passa a ter que exercer uma atividade dupla: a de fiscalizar a si mesmo, como é natural, e a de fiscalizar as empresas contratadas.

UM BOM NEGÓCIO – A margem de lucro da terceirizada, portanto, reside na diferença entre o que recebe e o que despende com cada prisioneiro. Não pode dar certo, sobretudo porque cada vaga era ocupada por três prisioneiros. Além disso a superlotação é acrescida de presos provisórios, aqueles que ainda respondem a processos sem pena estabelecida para seus atos, e ainda permanecem aguardando julgamento.

O governo federal terá que agir fundo na questão, sobretudo em face da enorme repercussão que ele alcançou, como seria de esperar, diante da violência extrema dos crimes praticados.

E A ODEBRECHT? – Por um instante, as delações da Odebrecht ficaram em segundo plano. Mas voltarão ao primeiro plano, inevitavelmente, devido à torrente de depoimentos de seu ex-presidente, Marcelo Odebrecht, juntamente com mais de setenta executivos ou ex-executivos da maior empreiteira do país, fonte principal do iceberg de corrupção que ainda virá mais à tona do que onde atualmente se encontra.

O degelo do iceberg criará um mar de dificuldade para as diversas escalas políticas já fortemente abaladas pelos acontecimentos registrados até agora.

Todos hão de sentir que neste panorama extremamente crítico e até brutal, como no caso de Manaus e Roraima, as dificuldades do governo vão crescer. E adicione-se a tudo isso a situação caótica do funcionalismo público de alguns estados, como é o caso do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas.

NÃO SERÁ FÁCIL – Propor restrições principalmente aos direitos previdenciários, todos hão de concordar, não será fácil dentro de uma atmosfera tão difícil como a atual.

Além de tudo isso, está previsto também o julgamento pelo TSE da ação proposta pelo PSDB para anular as eleições de 2014.

Um cenário, portanto, extremamente difícil para o calendário político deste ano.

4 thoughts on “Tragédias gigantescas em presídios tornam-se um desafio a mais para Temer

  1. O Vizinho é Fantástico…

    O Fantástico fez uma reportagem sobre o dinheiro repassado pela Odebrecht para a campanha de José Serra, em 2010.

    O advogado de Ronaldo Cezar Coelho, entrevistado pelo programa, disse que seu cliente cedeu um jatinho para o PSDB e que, depois disso, foi ressarcido no exterior.

    O pagamento teria sido combinado com o então presidente do partido, Sérgio Guerra, morto dois anos atrás.

  2. O artigo do Pedro do Couto tem uma excelente visão da conjuntura política atual, que mostra a herança maldita que o Temer recebeu.
    Que o Temer, é um presidente fraco e ruim ninguém tem dúvidas, mas é bem melhor que a Dilma.
    Toda essa desgraça, que vem acontecendo com o Brasil: corrupção generalizada e presídios abandonados, que vem gerando esta série de barbaridades, não há dúvidas, teve raízes nos governos anteriores e principalmente no governo do PT.

  3. Caro Dr Jorge Beja:
    os funcionários do Do Estado do Rio de Janeiro,estão passando por sérias dificuldades pelo fato de não estar descontando dos funcionários as parcelas de créditos consignados,e não estar repassando aos bancos.
    Os mesmos estão querendo renegociar com os funcionários,que não tem culpa do problema.
    Quais os riscos que os afetados para o problema?
    Tendo em vista que nesse caso,o estado que é o caloteiro,quem deve recorrer da ilegalidade,cometida,se é o funcionário ou algum alguma órgão como ministério público,TCE ou qual outro órgão deve tomar as providências.

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