Transtorno, engarrafamento e até revolta, na formação do ministério Dilma, perdão, continuação de Lula. Presidentes do PMDB e PT, desprestigiados, desconsiderados, desprezados.

Helio Fernandes

Altamente compreensível a dificuldade de organizar um ministério que tenha a face visível e a face oculta, sem que se saiba quem maneja uma e quem faz a maquiagem da outra. Só que, haja o que houver, esse não é um ministério “representativo”, “fazedor”, “prestigiado”.

Na verdade, entre esses 37 ministros (ninguém acredita ou imagina que Dona Dilma possa “se arrumar” com menos do que esse número) não existe um só NOTÁVEL. Muitos não são identificados nem pelo síndico do próprio prédio.

Quase tudo foi premeditado, preestabelecido, “consignado” em folha para favorecer alguém ou muita gente. Como os 29 partidos não existem, tudo se encaminha para consolidar as cúpulas dos 3 ou 4 maiores, PMDB, PT (qual dos dois?) e adendos ou apaniguados.

O presidente do PMDB, Michel Temer, vai ser, sem qualquer possibilidade de erro, o “Café Filho” de Juscelino, o “Itamar Franco” de Collor, o “segundo de Janio” (no caso, João Goulart, que foi manejado e recrutado por Janio para servir à sua “renúncia”, que só pode usar a palavra renúncia entre aspas).

Embora tenha tudo para ser o fantasma do governo Dilma (a não ser que espere alguma coisa mais alta em pouco tempo), Temer não conseguiu o que queria. O ex-Ministro da Justiça, o preclaro e prolífico Marcio Thomaz Bastos, faz consultas para ver se o “vice-eleito”, pode acumular com a presidência do PMDB. Não pode, mas o Doutor Marcio está dando um jeito.

Ficará na presidência do PMDB, sujeito a chuvas e trovoadas, até o dia 31 deste dezembro. Dominará a Câmara também até o mesmo dia 31 , sabe que não pode mais continuar, não será mais deputado. Nesse caso, nem o genial Thomaz Bastos poderá transformar Temer num novo Pimenta Neves.

Segundo me dizem, Dona Dilma percebeu (não acredito) e não atendeu as pretensões (ou exigências) do vice. Criou problemas para ele e para o PMDB que ainda preside. Há 15 dias escrevi aqui com exclusividade: “Temer tem duas indicações para Ministro. A primeira, Moreira Franco. A segunda, Wagner Rossi, continuando na Agricultura”.

Expliquei: como Dilma não vai dar dois ministros a Temer pessoalmente, a situação é a seguinte. Como Temer é amigo de Moreira Franco, mas o ex-governador tem luz própria, o vice pode preferir Rossi, ministério suculento e sem criar problema. Se indicar o segundo antes do primeiro, a explosão será politicamente e publicamente ouvida a quilômetros de distância. (De Brasília a SP e Estado do Rio).

Tendo preferido Rossi, Moreira Franco foi preterido. Gritou, continua gritando. Como ficou a “ver navios”, pode ser Ministro dos Portos, ele que jamais aportou num cargo como esse. Quando era genro de Amaral Peixoto, ele e o sogro “enjoavam” na barca da Cantareira. Como Temer resolverá essa questão?

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O “ESQUEMA” DE DUTRA

Pior ainda o desprestígio de José Eduardo Dutra, que fica ocupando, aleatoriamente, a cadeira de presidente do PT. Mas preparou tudo com Dona Dilma, ela mesmo não nega o fato. Tendo sido derrotado três vezes na sua terra (Sergipe), manipulou um esquema invencível.

Se colocou como suplente de um senador do Estado, com a combinação: o senador seria Ministro logo, logo, e o presidente do PT assumiria a “vaga” de senador, para a qual o bravo povo de Sergipe recusou-o duas vezes.

Depois das três derrotas no Sergipe (uma para governador), Eduardo Dutra, revirando “baú de guardados e esquecidos”, descobriu um diploma de geólogo, amarelado mas autêntico. Mostrou a Lula, foi nomeado presidente da Petrobras. Tão desastrado que não chegou a completar um ano na maior empresa brasileira.

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FALTAM TRÊS GOVERNADORES

Enquanto isso acontece (sem desprezo pelo Sergipe), três governadores importantes do Nordeste não foram consultados, chamados, nem fizeram oferecimento de ministérios.

São governadores que apoiaram Dona Dilma, ganharam no primeiro turno, foram reeleitos, estão esperando a compensação para seus estados. Eduardo Campos (Pernambuco), Jaques Wagner (Bahia) e Cid Gomes (Ceará).

Têm mais representatividade pessoal do que os políticos que ficam em Brasília. E os três estados, importantíssimos pelo território, população, produção e consumo. Por que dão a impressão de estarem implorando? Precisam exigir.

O que comentam: “Ciro seria indicado pelo irmão governador”. Respondem quase no mesmo tom: “Um irmão indicando outro?”. Acho que Ciro fez muita bobagem desde a primeira candidatura a presidente. Mas já foi prefeito mocíssimo, governador, ministro, pode ser tudo, menos “protegido” do irmão. (Isto não é louvação, e sim contatação).

Dona Dilma não pode desdenhar do apoio desses três governadores importantes. Um deles, da Bahia, é do próprio PT, mais um inconveniente para ele: pode crescer muito internamente, criando problemas para 2014. Perguntam: mas agora, já tratam ou especulam sobre 2014, tanto tempo antes?

Todas ou quase todas as escolhas são rumorosas e polêmicas, para dizer o mínimo. O tolo mas espertíssimo Jobim (parece contradição, mas é a realidade) não acreditava que fosse continuar. Mas, com a invasão do Alemão, quando receberam ordens do próprio Lula, os Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica (pela ordem da formação ou fundação) compreenderam a importância de manter o subserviente Jobim (já expliquei as razões, não vou repetir).

Mas pelo fato de ser o próprio Macunaima , (o herói sem nenhum caráter) mesmo “exigido” pelos Comandantes, pode não ser confirmado. Seria uma vitoria da comunidade.

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MANUELA NOS ESPORTES

Está praticamente consagrada, indicada e nomeada Manuela D’Avila. Do PCdoB, a mais votada do Rio Grande do Sul, e além do mais, muito bonita. O atual Ministro, Orlando Silva, terá outro cargo, não de nível ministerial, mas esportivamente altíssimo, por causa da Copa de 2014.

O que se diz em Brasília: se Manuela ocupar mesmo o cargo, vai mandar de verdade, por causa da Copa. Já dizem até, “será a Carla Bruni brasileira”. Comparação com a mulher do presidente da França. Só que Manuela é mais bonita.

Falta preencher muitos ministérios, ou melhor, satisfazer petistas-lulistas, e petistas-abandonados e naturalmente insatisfeitos. O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, que foi colhido pelo mensalão quando levantava voo, quer voltar ao cargo de antes.

Só que o grupo de Henrique Eduardo Alvez, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e outros (inacreditáveis) dizem: “Mensalão não”. Ha!Ha!Ha! João Paulo rebate: “Desses eu ganho”. (nem falo na luta interna do PMDB, pela presidência do Senado. Parece que está entre Sarney e Renan Calheiros, não é verdade. Dona Dilma quer ser ouvida.

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PS – É preciso premiar derrotados, como Ideli Salvatti e Mercadante, perderam tudo, derrotadíssimos, não querem ficar no limbo ou no ostracismo.

PS2 – E Dona Suplicy, que conseguiu se beneficiar da doença de Quércia e de Tuma (que morreu depois da eleição), quer tudo. Como ainda não decidiu se será candidata a prefeita em 2012 ou governadora em 2014 (tudo em SP, lógico), precisa de um ministério para esperar em segurança.

PS3 – Como revelei ontem com exclusividade (e já dissera logo depois da vitória de Dona Dilma), Alfredo Nascimento quer ser ministro dos Transportes pela terceira vez. Tem várias “credenciais”. 1 – Altamente incompetente. 2 – Derrotado. 3 – Favorece a permanência no Senado, como suplente, do amigo de Lula, João Pedro (PT).

PS4 – O derrotado Ministro dos Transportes, entrará na cota do desconhecido e inexistente PR. O suplente João Pedro é muito melhor  em tudo do que Alfredo Nascimento, mas não disputou eleição.

PS5 – Certos ou quase certos, 10 ou 11 ministros. Quantos faltam para chegar a 37? Hoje, dia 8, é preciso ir mais “lentamente”, ou ficará pior do que está.

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