Tremenda contradição! Para privatizar a Eletrobrás, governo quer criar mais uma estatal

PODE ISSO, ARNALDO? – Contra o Vento

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Sem dúvida alguma trata-se de uma contradição absoluta a intenção do governo Bolsonaro de criar uma nova estatal exatamente para proporcionar condições para privatizar a Eletrobrás. Penso não ter cabimento. Inclusive o Executivo pretende destinar 4 bilhões de reais à estatal que surgiria no deserto de opções.

Reportagem de Fábio Pupo e Júlio Wiziack focaliza o assunto de forma bastante ampla. Entretanto, não vejo como um primeiro passo para retomar o processo de desestatização teria base na implantação de uma medida estatizante.

QUEREM VENDER TUDO – Vale acentuar que já existe desde o ano passado projeto de privatização da Eletrobrás, ou seja, vender Furnas, Chesf, Eletrosul e Eletronorte. Essa proposição encontra-se nas mãos do deputado Rodrigo Maia, que considera difícil seja ela aprovada.

Na nova estatal pretendida, o governo incluiria as usinas nucleares e a binacional de Itaipu. Estas estariam fora da pulverização de capital sobre o qual repousam as quatro unidades relacionadas. Por isso, a nova estatal que surgisse já estaria separada, pelo projeto original, das usinas de Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul com suas linhas de transmissão. Uma delas fundamental para o país é a de Furnas que retransmite a energia gerada por Itaipu.

O preço previsto pelo ministro Paulo Guedes para a privatização da Eletrobrás é de apenas 16 bilhões de reais. Para ter uma ideia de quanto tal montante é ridículo, basta compará-lo com o valor de transações no mercado internacional entre empresas que assumem outras, cujo ativo é infinitamente inferior ao da Eletrobrás.

PERGUNTA INDISCRETA – Uma comparação pode ser feita de imediato: se o governo pensa em destinar 4 bilhões de reais para uma estatal que surge, como é possível que as estatais que já estão em pleno funcionamento valham apenas 16 bilhões de reais? 

Por 16 bilhões de reais, grupos chineses que já manifestaram interesse em adquirir o sistema elétrico brasileiro comprariam o conjunto de usinas com um sorriso nos lábios e uma alegria enorme no coração. Tenho a impressão de que tal alegria seria plenamente compartilhada pelos autores da transação que colidiria com o interesse nacional.

De qualquer forma, sem nova estatal ou com ela, o governo Bolsonaro necessita de lei aprovada pelo Congresso autorizando a estranha transação. Um pensamento colocado pelo Ministério de Minas e Energia seria propor ao grupo interessado adquirir no máximo 49% da empresa que passaria às mãos e às contas bancárias do comprador.

OUTROS ASSUNTOS – O ministro Paulo Guedes afirmou na noite de quarta-feira que a queda do veto do presidente Jair Bolsonaro que determina congelamento salarial do funcionalismo até dezembro de 2021 acarretaria uma despesa adicional de 120 bilhões de reais. Para mim, sempre na fantasia em que vive, Guedes esqueceu que a lei é apenas autorizativa. Para evitar a despesa bastaria apenas o governo não fixar o percentual de reajuste.

Reportagem de João  Pedro Pitombo, Folha de São Paulo de quinta-feira, revelou os percentuais de aprovação e rejeição do presidente Jair Bolsonaro nas várias regiões do país. De modo geral a aprovação é de 37% e a rejeição de 34%. Resultado bom para ele. Entretanto um dos maiores prestígios do presidente não se encontra no Nordeste, onde o abono de emergência influiu. Está na Região Sul. 42 a 31%. No Sudeste ele perde de 39 a 36%. No Nordeste ele perde por 35 a 33%. No centro-Oeste/Norte ele vence pela larga margem de 42 a somente 25 pontos. No que se refere ao destino do abono de emergência 56% usaram para compra de alimentos e 44%para outras despesas. 

6 thoughts on “Tremenda contradição! Para privatizar a Eletrobrás, governo quer criar mais uma estatal

  1. Isto me faz lembrar de um tio que me abrigou em sua casa, junto com sua família – sua esposa e meus primos – em Belo Horizonte, por alguns meses, quando eu estava cursando o segundo grau no Colégio Estadual de Minas Gerais, mesmo colégio, na época, onde estudavam a filha do então governador José de Magalhães Pinto e a ex-presidente Dilma Roussef. Fomos contemporâneos nesse Colégio, um dos mais bem equipados de BH, na época, em 1964.

    Meu tio fez brilhante carreira na Polícia Militar de Minas Gerais, e já estava reformado na época. Mas um dia Tio Agnelo me contou que ele tinha uma motocicleta, e quis saber, por curiosidade, se ele tinha alguma vocação para vendedor, e resolveu testar. E começou a trocar a motocicleta com outra pessoa, e foi trocando sucessivamente de objetos, até que, afinal, o saldo das trocas que fez à partir da motocicleta, deixou-o apenas com um canivete na mão.

    Estou me lembrando disso já que o assunto me parece com as trocas de meu tio : O governo Bolsonaro deseja criar uma nova estatal exatamente para proporcionar condições para privatizar a Eletrobrás. Se levado isso a cabo, o governo Bolsonaro vai privatizar a Eletrobras, fazendo negócios com o governo chinês, e como aconteceu com meu tio, o governo Bolsonaro vai acabar, na troca com os chineses, com um canivete chinês na mão.

    A diferença ética é que o canivete que meu tio recebeu foi fruto de trocas de bem privado de Tio Agnelo, que acabou ficando com um canivete. Outra coisa é ficar com um canivete chinês trocado por uma empresa estatal, que não é de propriedade privada do presidente da República nem de seu “ministro” da Economia Paulo Guedes, mas sim propriedade do povo brasileiro.

  2. Um resumo, a Eletrobras lucrou R$ 29 bilhões nos últimos dois anos e meio, sendo R$ 4,9 bilhões no primeiro semestre de 2020, possui R$ 44,5 bilhões para receber até 2028 e R$ 15 bilhões em caixa.
    Então, a quem interessa vendê-la (doá-la, entregá-la!) por R$ 12,5 bilhões?

  3. Pedro do Couto como sempre teu artigo deve ser muito bom mas, nem li pois é exatamente: isto vão criar mais uma estatal para privatizar outra; estamos em um pais de trapaceiros ou loucos.

  4. Das 2 uma: Ou Guedes já não está de posse de plenas faculdades mentais ou é um bandido que quer vender a preço abaixo de banana um patrimonio como o da Eletrobrás!
    A Eletrobrás já tem um valor patrimonial de uns 85bilhões, um valor de mercado abaixo disso, mesmo assim uns consideráveis 55 bilhões, indices excelentes como P/L em torno de 5 ou 6, ROE atraente em torno de 11%, distribui bons dividendos(~5%), liquidez boa(1,80) e baixo endividamento(0,68).
    CONCLUINDO: É UM CRIME QUERER PRIVATIZAR UM PATRIMONIO COMO ESSE POR APENAS 16 BILHÕES! Se o objetivo é mesmo privatizar, o que no caso da Eletrobrás é totalmente desnecessário, basta que diminua a participação do Estado no capital da empresa e para isso bastaria uma chamada de capital aonde existiriam milhões de interessados(pessoas fisicas, juridicas e fundos de pensão) que com certeza avaliariam a empresa muito acima desses 16 bilhões e sem necessidade nenhuma de criar uma outra estatal para desestatizar, um contra senso completo!

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