Tributar editoras e livrarias é reduzir a cultura e bloquear a inteligência coletiva

Livrarias apostam em novidades para manter as vendas em alta em ...

Guedes é um farsante que não respeita nem mesmo a cultura

Pedro do Coutto

Excelente a reportagem de Jan Nikias e Ruan de Souza Gabriel, O Globo de hoje, a respeito da tributação do PIS e COFINS, na escala de 12%, para indústria e comércio de livros. Com base na lei 10.865/04, o setor até hoje está isento da contribuição que o projeto do ministro Paulo Guedes quer fazer desabar sobre essas empresas. Nos últimos dois anos, afirmo eu, muitas livrarias fecharam no Rio que não resistiram a crise econômica e social e foram sufocadas pelo vertiginoso aumento dos alugueis.

Comprimir o processo cultural é lançar uma sombra sobre a percepção humana que se desenvolve e aprimora através do movimento eterno da literatura.

RESISTIR BRAVAMENTE – Acentuo que poucas livrarias resistiram bravamente à compressão social que se verificou nos últimos dois anos e reduziu o poder de consumo da sociedade. Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, afirmou que, se consumada tal tributação, terá ela um efeito devastador.

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, ressalta que o setor da cultura escrita ficou seriamente preocupado, uma vez que a incidência de 12% sobre as vendas anularia parte substancial do processo cultural, assinalo eu, que atravessa os séculos e os milênios.

Trata-se de uma energia fundamental, a registrada nas páginas do tempo, para o avanço da própria humanidade. Por isso, Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias, identifica a perspectiva de um desastre no horizonte.

MÚLTIPLO ALCANCE – Os livros referem-se tanto às arte, às ciências, ao entretenimento, ao cinema e ao teatro, enfim, a tudo que a vida abrange, uma vez que os textos impressos ao longo da névoa do tempo, dão margem à produção de filmes e peças teatrais.

Afirmo, sem medo de errar que Paulo Guedes deveria ser o primeiro a facilitar a circulação de livros, já que ele próprio diz ter lido a obra de John Maynard Keynes, no original em inglês.  A obra é eterna, mas tenho o temor de que Paulo Guedes na realidade não leu o economista inglês, que em 1944, final daquele ano, representou a Inglaterra na formação do Banco Mundial, na cidade de Breton Woods, Estados Unidos.

Na verdade a obra de Keynes é múltipla, cada livro, são mais de 20, focalizando um tema de abrangência tanto cultural quanto econômica e social, nesta última, é claro, abrangendo as relações entre capital e trabalho.

AO CONTRÁRIO DE GUEDES -Aliás, para terminar, os pensamentos do grande economista inglês, são absolutamente contrários ao que pensa Paulo Guedes, pensamento que se projeta nas suas iniciativas que repousam num mundo financeiro e pouco na condição humana.

Como outro dia escrevi, Guedes é um ficcionista para quem a teoria dispensa a prática. Um exemplo: Júlio Wiziack, reportagem de hoje na Folha de São Paulo, revela que o plano de privatização do ministro da Economia, abrangendo 614 empresas estatais, não ultrapassou nem a fase de estudos. Não saiu do papel.

14 thoughts on “Tributar editoras e livrarias é reduzir a cultura e bloquear a inteligência coletiva

  1. Porque o imposto ipiranga não tributa os altos ganhos dos políticos, com o $$$ do cotão, no youtube? Ele não pode mexer com políticos do centrão, que estão de olho no cargo dele (o que o centrão ‘pedir’, o capetão corona dá, ele não tem escolha) e se ele levar um pé no sentador será abduzido pelo processo do esquema com os fundos de pensões? Então é melhor que ele se segure no pincel de sinistro enquanto puder, porque quando ele for capturado não terá como escapar da pemba roliça (Queiróz sabe do que se trata), embora, no caso dele, seja apenas um ‘canelete’ (bracelete de canela, mais conhecido como tornozeleira).

    Vade retro, improbus!

  2. Esse guedes, bem como toda a turma do boçalnato, só pode ter saído de um esgoto. Conheço a Universidade de Chicago e mal posso acreditar que um ambiente científico tão avançado tenha produzido uma aberração como ele. Essa turma vai acabar destruindo o Brasil.

  3. Destruir o Brasil jamais, caro Antonio. Problema de nosso país é o povo omisso, sem reação. Se fosse em algum país de primeiro mundo essa turma não fazia o que faz por aqui. Infelizmente, nós não reagimos aos desmandos e aos roubos às pencas, vistos todos os dias em nosso país.
    O que precisamos é aprender a votar e não jogar no lixo ou vender nosso voto.
    Fique atento, nas próximas eleições estarão todos lá e a maioria deles voltará. Infelizmente.

  4. Agora parece que a equipe econômica quer emitir nova cédula de R$ 200 (duzentos reais)

    Sabem o que significa (né?)
    A estabilidade de 20 anos está indo para o espaço…

    Parabéns aos que votaram no (não projeto) de Bolsonaro.

    • Caro Pedro do Couto.
      Não acredito nessa afirmação de ter lido Keynes no original. Tributar s cultura é como condenar as pessoas a serem eternamente ignorantes.
      Esse imposto Ipiranga é o pior Ministro da República.
      Ele mente na casa do trilhão e sempre a longo prazo, quando nem ele, nem nós estaremos mais aqui para cobrar suas falácias.
      Todo dia tem uma, mais incrível do que a outra e todos se confrontando entre si.
      Ele quer acabar com as carreiras do Estado e o próprio Estado, transformando – o jo mínimo minimorum até que o mundo privado assuma todas as suas funções. Será o caos e o fim da coletividade e da própria nação.
      Quando tudo estiver privatizado será a vez das Forças Armadas e o advento do Poder Armado sob o comando das milícias.
      É tudo que os inimigos da nação querem para dividir e destruir a unidade territorial desse gigante destinado a ser potência.

  5. Se quiserem arrecadar sobremaneira, então tributem as óticas e seus correlacionados: porque, rapidamente, a leitura em tela, embora seja mais prejudicial, vai suplantando as brochuras. Com isso, a vendagem de óculos e serviços correlatos disparam na mesma proporção!

  6. Tributar livros é de uma boçalidade imensurável, até mesmo porque seria um tributo de facilima sonegação, bastaria se enviar um livro digitalizado por e-mail !

    Isso mostra que Guedes não entende nada de tributação, ouso dizer nem mesmo de Economia, o máximo que ele foi na vida foi operador de mercado, agora como ministro está sendo uma nulidade completa, um zero a esquerda!

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