Troca de farpas e provocações marcam o debate entre Witzel e Paes

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Witzel abandonou a carreira de juiz para ser candidato

Lucas Altino e Stéfano Salles
O Globo

No primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio no segundo turno, promovido pela Firjan e Rede Bandeirantes, Eduardo Paes (DE ) e Wilson Witzel (PSC), como era de se esperar, protagonizaram um encontro com muitas trocas de farpas. Durante o início da semana, Paes subiu o tom nas críticas contra o adversário, e o ex-juiz federal ameaçou dar voz de prisão em caso de injúria. Na primeira pergunta livre, Paes disse que Witzel “amarelou” ao deixar o Espírito Santo diante de uma ameaça de morte. Eles voltam a se enfrentar no dia 18, na Band.

SEGURANÇA – O primeiro bloco do debate serviu para os candidatos responderem a questões formuladas pela produção. Os temas foram segurança e finanças públicas. Witzel citou sucateamento da Polícia Civil e aumento do roubos de carga. Para ele, o policiamento foi fragmentado entre efetivo de UPP e dos batalhões, o que precisaria ser reintegrado.

– Tem que investigar lavagem de dinheiro e receptador. Junto com a Prefeitura, vou cassar alvará, e se possível colocar rastreadores nas cargas mais vulneráveis – disse o ex-juiz.

Já Paes disse que é necessário investir em inteligência e falou que vai pedir para o próximo presidente manter as Forças Armadas no Rio. Porém, ele afirmou que será o comandante da Secretaria de Segurança. Sobre o regime de recuperação fiscal, houve divergências. Witzel fez críticas, e Paes contemporizou. Mas eles concordaram na necessidade de se negociar com a União.

NÃO ERA IDEAL – “O acordo de recuperação fiscal não era o ideal, mas era o possível naquele momento. Mas o próximo governador vai ter que ter capacidade política para negociar. Eu reduzi 85% da dívida da prefeitura com a União. Servidor, vamos tratar com respeito. Questão é receita. Como prefeito, não aumentei imposto e tripliquei receita. Precisa rever isenção, se tem gente usando sem contrapartida. Tem que ter experiência de gestão, sei fazer isso.

Na terceira rodada de perguntas, quando os candidatos puderam indagar um ao outro, Paes questionou Witzel sobre o fato de ter deixado a Vara Federal Criminal do Espírito Santo, quando pediu para ser transferido para uma Vara de Execução Fiscal. O ex-prefeito do Rio questionou o fato de o adversário dizer que vai enfrentar a criminalidade e disse que ele “amarelou” no enfrentamento feito no estado vizinho.

– Em entrevista ao G1, de 2011, você disse que eles venceram e pediu para sair. Deu uma amarelada. Como a população pode acreditar em alguém que pediu para sair? – questionou Paes.

FAMÍLIA GRANDE – Durante a resposta, Witzel lembrou sua carreira como fuzileiro naval e disse não ter medo. Disse ainda ter sido ameaçado de morte no Rio e no Espírito Santo. O candidato ressaltou que, na vara do estado capixaba, não havia segurança suficiente para sua família, que é grande.

– Você não deve me conhecer. Eu estive com fuzil na mão como fuzileiro, perto de morrer. Não tenho medo. A matéria foi maldosa. Eu fazia mestrado em direito processual civil e pedi para ser transferido para uma Vara de Execução Fiscal no Espírito Santo. Não abandonei, e na Vara de Execução Fiscal também se enfrenta o crime organizado. Jamais fui intimidado – afirmou Witzel.

Na resposta, o candidato ao PSC disse ainda que Eduardo Paes foi embora para Nova York depois do mandato, insinuando que o adversário fugiu do Rio. Paes obteve direito de resposta, e lembrou que, neste período, foi trabalhar para o Banco Interamericano de Desenvolvimento, como vice-presidente do órgão para a América Latina.

POLÊMICA – Paes e Witzel divergiram sobre as propostas de segurança. Witzel defende o “abate” de criminosos encontrados com fuzil, mesmo fora de circunstâncias de combate. Paes ironizou a medida e minimizou a relação do adversário com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

– Uma coisa é falar, outra é fazer. A situação do Rio é ainda mais grave que a do Espírito Santo. Não vou usar a expressão que o candidato Romário usou no primeiro turno. Bolsonaro tem credibilidade para falar isso, porque fala há muito tempo. O senhor, não. O conheceu ontem. Não adianta falar que vai usar baioneta ou bazuca para resolver – afirmou Paes.

A frase sobre Romário era uma alusão ao debate em que o senador do Podemos chamou o ex-magistrado de “frouxo” durante o debate da TV Globo, no primeiro turno.

DESEQUILÍBRIO – “Seu jeito de falar demonstra seu desequilíbrio. Quando eu disse que abateria quem estava de fuzil, fui proibido de entrar em várias comunidades. Eu não vou em comunidade pedir voto para bandido” – disse Witzel. Paes voltou a citar a existência de uma relação entre o advogado que facilitou a fuga de Nem, da Rocinha e o ex-juiz, que retrucou:

– O (advogado Luiz Carlos Cavalcanti) Azenha é um ex-aluno meu, eu tenho mais de cinco mil alunos – explicou.

Witzel e Paes disputam a atenção do eleitorado fluminense em evento organizado pelo Grupo Bandeirantes e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan). Nas estratégias de campanha , enquanto Witzel tenta vincular-se à família Bolsonaro, Paes aposta em sua experiência administrativa.

PROVOCAÇÕES –  Durante o debate, Paes era o candidato que elevava mais o tom das críticas. Mas Witzel também foi voz ativa nas provocações. A de o fazer uma pergunta sobre previdência, ele acusou o adversário de ter deixado déficit previdenciário na prefeitura, e disse que já tem escolhido um presidente para o Rio Previdência: Sergio Aureliano. Paes respondeu.

– Nunca atrasei pagamento nenhum, só perguntar para o servidor. Para de acreditar no Crivella.

Depois, Witzel disse que as PPPs do Porto Maravilha e do VLT seriam “cases de insucesso”. Para o candidato do PSC, o fundamental para realizar PPP é retomar a credibilidade.

PORTO MARAVILHA – Paes disse que o Porto Maravilha e o VLT são projetos bem-sucedidos e aproveitou para alfinetar o adversário.

– O candidato cometeu diversas injúrias, mas não vou dar voz de prisão, fique tranquilo. Não sou autoritário e nem frouxo – provocou, recebendo aplausos do público.

Paes lembrou que teve a candidatura deferida e ressaltou que não há qualquer acusação que pese sobre sua pessoa. Witzel então pediu direito de resposta e afirmou que o rival não tem o direito de chamá-lo de autoritário.

17 thoughts on “Troca de farpas e provocações marcam o debate entre Witzel e Paes

    • Precisa-se discutir esse tópicos:

      -Pesquisas forjadas e urnas fraudadas.

      -Com a delação e as provas de Palocci que a campanha dos vermelhos foram pagas com dinheiro de ditaduras do exterior tem que cassar imediatamente o registro do Partido dos Trambiques !!!

      – 39 processos de justiça contra Malddad.

      – Dívida gigantesca referente à uma propriedade de luxo de Malddad para com o estado de São Paulo.

  1. eduardo maluquinho paes e um frouxo-falso-covarde-que nao aguenta um peteleco-vide gravaçao dele com luladrao-cara de pau -o povo do rio acordou e faz bem em colocar este viadinho para correr

  2. Sou carioca e afirmo: Paes , para mim, não tem moral nenhuma para ser governador! Um enrustido, capacho de Cabral, que adora rebolar a bunda na Sapucaí! Pelo visto, a “carteirada” do juiz surtiu efeito: Eduardo Paes está perdendo a linha…Bem, eu já tive a oportunidade de chamá-lo de babaca e “ele” sorriu(sem seguranças)…Pena, ninguém mais se recorda da ciclovia…Não dou imunidade para oportunistas, essa é a tônica! “Soldado” faz parte da hierarquia militar, certo? Maricá agradece…

  3. Em dezembro de 2017, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) condenou, por unanimidade, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (MDB) e o deputado federal Pedro Paulo Carvalho (o “queridinho/”MDB), que concorreu à Prefeitura do Rio em 2016, por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público, pelo uso do “Plano Estratégico Visão Rio 500”, contratado e custeado pelo município, como plano de governo na campanha eleitoral de 2016. Com a decisão, os dois ficaram inelegíveis por oito anos e deveriam pagar, cada um, multa de 100 mil UFIRs (cerca de R$ 106,4 mil). Eles recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Em maio deste ano, o ministro Jorge Mussi concedeu uma liminar aos dois políticos e suspendeu o processo, o que permite que Paes concorra agora ao cargo de governador, e Paulo ao de deputado federal. A liminar vale até que o TSE julgue o caso – o que não tem prazo para ocorrer.

  4. Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura e homem forte do Departamento de Propinas da empresa declarou, em delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República, que o grupo empresarial repassou mais de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (MDB), o ‘Nervosinho’, ‘ante seu interesse na facilitação de contratos relativos às Olimpíadas de 2016’. As solicitações teriam sido feitas em 2012. “Dessa quantia, R$ 11 milhões foram repassados no Brasil e outros R$ 5 milhões por meio de contas no exterior”, relatou o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão de 4 de abril que mandou investigar Eduardo Paes. Na época, Paes classificou como “absurda e mentirosa” a acusação de negou veementemente ter aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da Odebrecht. O inquérito 4435 continua aberto e tramita no STF.

  5. Dos 26 secretários que tomaram posse em 1º de janeiro de 2013, no início do segundo mandato de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio, pelo menos 14 eram políticos eleitos, já tinham sido candidatos por partidos que compunham a coligação do prefeito ou eram do próprio PMDB, partido de Paes à época.

    Um deles era Indio da Costa, empossado secretário de Esportes e Lazer, e que hoje disputa o governo do RJ pelo PSD. Outro era Wagner Montes Filho, que na disputa de 2012 não conseguiu se eleger vereador e foi empossado secretário de Abastecimento e Segurança Alimentar.

    Entre as indicações políticas, quatro nomes eram quadros do PMDB: os deputados federais Pedro Paulo Carvalho (Casa Civil), Rodrigo Bethlem (governo), Carlos Roberto Osório (Transportes) e Carlos Alberto Vieira Muniz (Meio Ambiente).

    Além do partido de Paes, legendas como o PTB, que teve a deputada federal Cristiane Brasil indicada para a secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida, e o PT também foram contemplados na administração de Paes.

    Atualização feita às 20h30min do dia 13 de setembro de 2018: procurada, a assessoria disse que Paes se referia às secretarias estratégicas, como “Saúde, Educação, Fazenda, Administração, Empresa Olímpica Municipal e Cultura.”

  6. Paes governador? E agora…
    Agora, querem fechar o cerco com seu direto colaborador Eduardo Paes, que foi Secretário de Estado do governo Cabral e Prefeito de 2009 a 2017, apoiado pelo mesmo. Colocando Paes no governo do Rio de Janeiro, Cabral, ALERJ e TCE ficam blindados, pois Eduardo Paes poderá nomear o Procurador-Geral de Justiça, a partir de uma lista tríplice encaminhada pelos promotores e procuradores. Ao Procurador-Geral, chefe do Ministério Público, compete instaurar investigações e mover ações contra o governador, secretários e parlamentares. Se Paes não nomear o candidato mais votado, o Ministério Público estará em suas mãos e nenhuma investigação para recuperar as riquezas assaltadas de nosso Estado será realizada. Assim, ao menos no âmbito do estado, o ciclo da corrupção será prolongado. O povo do Rio de Janeiro não pode continuar a ser tão enganado!

  7. Manchete: Ex-secretário de obras de Eduardo Paes no Rio de Janeiro é preso.E aí? O o modus operandi de Lula está valendo? Quem foi ou é “soldado”?

  8. Um juiz federal, professor odiado pelos alunos da universidade onde lecionou, chegando a ser substituído…
    O candidato ex-juiz federal disse que antes foi também defensor público.
    Eu diria que exercer cargos públicos não garante a idoneidade e capacidade de ninguém para gestor, representante dos interesses públicos – nem garante que seja bom na própria função – que deve além de ser um cidadão honesto, também flexível.
    A postura do candidato Witzel revela enorme preconceito e arrogância, naturalmente por isso está com o Bozo, e a mesmas ignorância no que diz respeito a política pública de segurança.

  9. Nelson Souzza, você está certo!

    Esse Eduardo Paes entregou a Prefeitura do Rio quebrada. Gastou tudo o que não podia com obras faraônicas para as olimpiadas, tentando eleger seu candidato Pedro Paulo para prefeito em 2016.
    Criou até uma matrícula falsa (sem um nome de pessoa associado) para mexer no orçamento e desviar, em dezembro de 2016, todos os pagamentos que estavam “reservados” a milhares de fornecedores e prestadores de serviços (até merenda de crianças) para deixar em outra fonte do caixa da prefeitura e simular que deixou dinheiro para o próximo prefeito (Crivella).
    Tudo isso está documentado e registrado em processo no TCM (Tribunal de contas do município do Rio de Janeiro), que mostrou que ele infringiu o art. 42 da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
    Os esquemas de corrupção no governo estadual tinham os seus similares na prefeitura do Rio de Janeiro.
    Eduardo Paes tinha o apelido “nervosinho” na planilha de propinas da Odebrecht.
    E ainda aparece gente querendo votar nesse sujeito.

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